Château de La Palice

Como a maior parte dos brasileiros já foi a La Palice, pensei que nenhum iria dessa vez. Bem, um não fora, além de mim. Quando eu entro no ônibus, eu o vejo. Mas ele estava do outro lado do corredor, passei a viagem conversando com um chinês professor de francês. Sério, tem MUITO professr no Cavilam! Principalmente em turmas especiais, mas tem uns em turmas normais – como a minha. E tem MUITO chinês, tambem. E geralmente os chineses ficam muito com outros chineses, grupinhos meio fechados, então é difícil conhecer muitos. Mas da pra diferenciar dos japoneses, geralmente, assim como dá pra reconhecer um brasileiro aqui só de olhar. Nem todos, mas isso fica pro final.

O mais estranho era ver o castelo atrás de um grupo de casas… eu sempre imaginara castelos como lugares meio isolados, pelo menos com um jardim BEM grnde ao redor… o castelo de La Palice nem tanto; tinha um jardim grande que se estendia para a frente mas não para trás – por isso havia casas ao redor.

Passando a entrada, um cheiro de grama recém-cortada reinava no ar. À esquerda, um daqueles cortadores de grama estilo carrinho a aparava. A fachada do caselo era linda, com tijolos aparentes decores diferentes, fazendo um tipo de mosaico. Très joli! A parte mais antiga do castelo era a direita, o resto era mais recente. Os descendentes dos antigos donos ainda moram lá! Também quero morar num castelo… 😦  Antigamente, havia uma muralha que ligava a parte direita à capela, do lado esquerdo, mas fora destruída.

Entrando, a guia explicou que não podia tirar fotos, por opçãoda família, já que muitos bens do castelo estavam sendo roubados… aff… logo, as fotos do interior aqui são todas da internet.

Entramos primeiro num salão muito bonito, no primeiro andar. Num quadro, uma pintura dos primeiros habitantes do castelo, Jacques de Chabannes de La Palice (Chabannes é o sobrenome, La Palice é o nome do domínio), imenso! Poltronas e sofás antigos, tipo século XV (século de chegada da família). Muito lindo!

A seguir, uma sala também muito bonita, acho que era uma espécie de sala de leitura, com várias estantes, é um teto tipo com barras. Um espelho e uma lareira – acho que a chaminé devia ser por dentro, que não dá pra ver nem lá nem na outra sala. Retratos, claro, de pessoas que eu não lembro quem são.

Depois, passamos à outra sala, pela outra porta da primeira sala. O salão dourado. MUITO lindo!!! Sério, o teto era fantástico, sem palavras! Um estilo renascentista, único na Europa! E antes era ainda mais bonito, a um canto perto da porta haviam começado uma restauração, em azul com detalhes e com os encontros das traves folheados a outro! Infelizmente, a maior parte estava na madeira, mesmo, porque durante a Revolução Francesa, por medo dos saques, os habitantes do castelo colocaram um forro falso, para proteger o verdadeiro, e quando tiraram, a umidade havia deteriorado toda a pintura… (sinceramente, as piores coisas que já aconteceram à França foram a Revolução Francesa e a guerra de religiões!). Numa parede, uma grande tapeçaria; no outro, duas tapeçarias, misturando o rosto de um homem e uma mulher com algo estilo uma árvore no outono. Um armário tinha no centro uma porta pequena que abria em pinturas trabalhadas nas portas e um espelho, dentro, com outras portinhas que escondem gavetinhas… très joli! A um canto, um poema que celebra a “Verdade de La Palice”.

A “verdade”, que deu origem ao termo “lapalissade”, era um poema sobre o Marechal de La Palice (neto o primeiro senhor de La Palice) que dizia “Hélas! S’il n’était pas mort/ Il ferait encore envie” (Ai!, não estivesse ele morto, faria ainda inveja). Alguém meio míope confundiu o “f” com um “s” (que, na época, podia ser escrito ‘ ſ). Então, ficou “S’il n’était pas mort/ il serait encore en vie” – Não estivesse ele morto, estaria ainda em vida. Daí, surgiu o termo “lapalissade” – dizer uma coisa que é estupidamente óbvia a partir da frase anterior. E o poema que estava escrito a um canto terminava cada estrofe com uma lapalissada, tipo “quando ele escrevia versos/ não escrevia em prosa”, ou “pra vender a sua casa/ era preciso ter uma”, ou “O dia do seu falecimento/ foi o último de sua vida”. Esse é um dos principais motivos da fama do castelo.

Descemos, fomos ao subsolo, onde havia primeiro uma loja de souvenirs, e, depois dela, uma sala com uma coleção de bandeiras do mundo, que os proprietários haviam reunido em 1968, se bem me lembro. É tanto que havia ainda as bandeiras da URSS e da Alemanha Oriental, por exemplo. E, é claro, a do Brasil! ^.^

Depois da coleção de bandeiras, a guia ficou à disposição na lojinha. Comprei quatro cartões-postais e um ímã de geladeira. Depois, fomos visitar o térreo – que é acima do solo mais ou menos meio andar. O primeiro salão tinha, como sempre, algumas pinturas, vasos, bustos – havia uma mãe com seus dois filhos, mas eu juro que o segundo era uma menina! No quadro e no busto, era idêntico a uma menina! Mas acima do busto havia um retrato dele só, e dava para ver que era um menino. Havia também uma cômoda indiana, numa parede!

Passamos para a sala de jantar. Adorei o barquinho que havia acima de um armário! Havia dois móveis com paineis muito bem pintados, mas não me lembro mais como eram as cenas. Também não me lembro do século da mesa… havia na parede uma réplica do “Casamento da Virgem” – jurava que era o original! XD Atravessando de novo o salão anterior, chegamos num salão com uma grande lareira, muito bonita, que trazia sobre si o escudo da casa de La Palice e outro que eu acho que era o da região, não lembro bem…mais quadros, na paredes – acho que os mais bem emoldurados, até agora, em dourado, meio inclinados para fora… era uma espécie de salão para acolher os visitantes, uma mesinha de centro, cadeiras…

Passando daí, uma pequena sala, mais para um corredor, onde havia um quadro da Crucifixão – o orginial fora vendido para financiar obras de restauração – e um quadro redondo (é muito estranho dizer isso!) do Dia do Juízo – perfeito!!! Depois, uma porta – não podíamos entrar, porque era ali que começava a parte habitada da casa. Apesar disso, a visita não havia terminado ainda.

Fomos à capela. Não era bonita, metade dela estava com andaimes protegidos por uma cortina; os vitrais inexistiam: foram destruídos durante a guerra das religiões; havia um túmulo, se bem me lembro de Jacques I (o primeiro a chegar). Os outros, como o do Merechal Jacques II, do qual não restam senão os joelhos dele e o busto da sua mulher, foram destruídos durante a Revoluçã Francesa (sempre ela…), e os corpos, profanados – tiraram o que ainda restava e jogaram em campo aberto. Que triste!  Dentro da capela podia tirar foto – também, o que é que tinha para roubar aí?

Depois, ficamos livres nos jardins. De uma mureta, dava para ver um bocadinho da cidade. Quando eu escuto, um homem do meu lado conversando com o animateur: “Je suis d’une région appelée Minas Gerais, mais j’habite à São Paulo…”. Quando ele terminou, comecei a conversar com ele. É tão legal falar francês com um brasileiro!

Saindo do castelo, uma igreja très sympa! Entrei, aproveitar o tempo que me restava. Não demorou para o animateur vir chamar a gente – o povo é turista mesmo, não pode ver uma coisa antiga que quer ir, tirar foto… Mais voilá!

Ah, só pra esclarecer: o castelo se chama La Palice, mas a cidade é Lapalisse (muito estranho, mas…)

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