Château d’If

Sábado, o ICM ia levar o pessoal aos calanques – uma espécie de praia com falésias de calcário, muito bonitas. Mas ia durar o dia inteiro, seria complicado. Fomos à Missa de 11h na igreja do Vieux Port (o velho porto); chegamos 11h04 e o padre já estava terminado o Evangelho! Mas foi bom pela Missa de quinta, a que não havia sido possível ir. Depois, compramos nossa passagens para o château d’If (o quiosque de vendas era logo em frente).

Para quem não sabe, o châteu d’If é a prisão (e a ilha) onde Edmond Dantès, o conde de Monte Cristo, personagem principal do romance homônimo de Alexandre Dumas, fora encarcerado sob acusação de napoleonismo. O livro foi o primeiro best-seller de nível mundial da história, e, depois de ler o livro, hordas de pessoas se dirigiam ao castelo na ilha d’If, para conhecer o lugar dessa emocionante história, pouco se importando se o lugar era uma área militar e uma prisão ainda em uso até o fim da 1ª Guerra Mundial.

A viagem era de barco, muito boa! Aquele vento bom, aquele sol fraco, no céu nublado, uma sensação de liberdade incrível… sim…

Chegamos à ilha. Descemos. Após uma não muito longa escadaria, a bilheteria – os nossos tíquetes valiam só pela viagem. Compramos. Pedimos um manual em espanhol e um em francês; infelizmente, o em espanhol era diferente, não tinha as explicações de cada cômodo do castelo. Confesso que eu ri com aquela carinha de “bem-feito” para quem quer que fosse espanhol e não falasse francês. Entramos na prisão.

Havia uma lojinha logo ao lado da entrada; pulamos. Chegamos ao pátio, que tinha um poço; a visita comentada estava terminando. Visitamos o castelo por conta própria. À direita, uma sala com uma exposição. Vimos o esboço rinoceronte que fora dado de presente ao rei de Portugal, o qual, por sua vez, oferecera de presente ao papa. Na viagem de barco, devido a alguns problemas, o rinoceronte fora deixado por algum tempo na ilha d’If. Até o rei de França fora ver o curioso animal de que tanto falavam. Na segunda parte da viagem, o navio naufragou perto da Itália. Mesmo assim, encontraram o corpo do animal, que foi empalhado e oferecido ao papa.

Perto dessa sala, em outra porta do pátio, uma outra porta dava para a cela de Edmond Dantès. Era grande e mal-iluminada; uma tevê mostrava repetitivamente cenas de Dantès na prisão, abrindo o buraco para a cela do abade Faria, planejando a fuga, etc. Claro que o túnel para a cela vizinha não poderia faltar! Dava pra ver claramente, e acho que dava até para passar uma pessoa de verdade.

Do lado, outra cela, que tinha uma porta para a cela do abade Faria. Não podíamos entrar, mas, do lugar onde tinha a fixa de proibição, dava para ver uma televisão onde nos víamos dentro da cela. Infelizmente, não dá pra tirar foto de TV que preste, então…

Subimos. Em cima, eram as celas pagas, as “pistoles”, devido ao nome de um tipo de moeda francesa. Muitas celas tinham lareiras, e janelas grandes, com grades (nas de baixo, as janelas pareciam janelinhas de banheiro). Numa delas, o homem da máscara e ferro teria ficado – e, diferentemente do Monte Cristo, esse foi encarcerado de verdade, lá dentro. Mas como este é mais famoso que aquele, nem se fala muito do Máscara de Ferro. Domage.

Ainda dava para subir mais. Era lindo, lá em cima; tinha uns mirantes, e dava para ver toda a costa marselhesa (ou não!), a Bonne Mère, as ilhas Frioule… uma das torres ainda dava para subir mais: lá em cima era engraçado, era meio côncavo, como uma cúpula suave. E ventava… sim, como ventava…

Descemos. Fomos à lojinha, compramos alguns cartões postais, e também um lápis flexível pra Iara (lilás, Iara, o que acha?). Quando passamos, a próxima visita guiada havia começado. Meu pai preferiu ficar lá fora, eu segui a visita. Foi legal, deu pra aprender coisas que não tinham no guia ou eu não prestara atenção, como o fato de que havia os nomes de vários condenados políticos escritos em placas meio apagadas nas paredes, ou o sistema de segurança da prisão, ou mesmo que o castelo já havia sido um forte, depois transformado em prisão (o que não era raro na França, ver château de Billy), ou que os últimos presos foram os alemães durante a Primeira Guerra.

A visita continuava na cela de Edmond Dantès. Falou um pouco e acabou ali; o resto seria por nós mesmos. Como eu já havia visitado tudo, saí.

Aproveitei para ligar para os Piombini, mas isso eu conto amanhã.

Voltamos. O barco passava pelas ilhas Frioule, antes de voltar. Deve ser legal, mas eu não sei o que fazer lá; o barco é só o transporte, o resto é por conta própria… bem, voltamos ao Vieux Port. Fomos até uma loja que nós víramos antes, passando pela feirinha de artesanato (cara, como todo artesanato) e demos uma olhada. Galérie Lafayette. Andamos um pouco por dentro, vimos umas boininhas francesas – se a Iara prometer tirar uma foto com ela, eu compro uma e mando pelo pai! – e chegamos ao supermercado. Compramos ovos, leite em pó, geleia, coisas que estavam em falta. E acabamos esquecendo o chocolate em pó… comemos um sanduíche e voltamos para casa.

Chegando ao meu querido 230 – será que se pode dar nome a um studio? Acho que vou batizar o meu… – começamos uma faxina. Limpei o armário – cheio daqueles dejetos de mosca, ou o que quer que sejam aqueles pontinhos pretos. Sem contar em cima, que estava um grude! Depois, o chão, o colchão inflável… ficou ótimo. Organizei os papeis, também, ficou muito bom. Se colocasse a cortina no armariozinho, eu diria que estava pronto! Mas o pau de cortina que a gente comprou era muito grande, vai ser preciso cortar. E onde comprar uma serra de metais, daquela…? Mas até a cortina já foi comprada. E o banheiro… bem, esse é um caso à parte. Tem uns quadrados de piso soltos no chão, e quando se pisa, sai uma água branca não muito cheirosa, de debaixo do piso… vou ver com a direção de residência, se alguém resolve isso. Mas o resto, beleza.

Bem, chegamos ao jantar, que foi a primeira coisa que eu citei no primeiro comentário de Marseille. Com os palitinhos chineses do Xù! (Ainda aprendo a dizer o nome disso em chinês…). Ainda convidaram para uma festa, mas eu não quis ir – nem podia. Domingo era dia de acordar cedo. Iríamos de volta a Vichy.

Chegada a Marseille (2)

Quarta-feira, tomamos café na padaria ao lado do Dia; logo em seguida, fomos ao hotel, buscar as coisas dele, porque ele iria morar comigo. Até hoje, não sei se é permitido, na residência, mas ninguém da direção ainda viu, então…

Cheguei atrasado na aula. Pas grave. Comi no RU pela primeira vez – no andar de baixo, que o de cima (o lugar onde se come, normalmente) estava fechado. Havia pizza e bife com queijo e fritas. Escolhi o bife e acabou. Como a fila demorasse, mudei para pizza. É claro que o bife chegou assim que eu mudei de ideia. À tarde, fomos a uma visita de Marseille: visitamos a basílica de Notre Dame de la Garde (Nossa Senhora da Guarda), a “Bonne Mère” (a Boa Mãe), mãe de todos os marselheses e de sua cidade; uma igreja construída na colina mais alta de Marseille, encimada por uma estátua da Mãe Maria com o Jesusinho nos braços, que pode ser vista de quase todo lugar – e, por conseguinte, pode ver praticamente tudo. Era isso que o pai dissera ter visto de bonito da gare Saint-Charles (a estação de trem).

E, de fato, é muito bonita.

Por fora, muito bonita! Branca e marrom; por dentro, muitos ex-votos sob formas de placas (mas esses são habituais), quadros e barquinhos pendurados no teto! Isso é bem característico dessa igreja, as outras têm só as placas de agradecimento.

Sim, sim, très jolie la Bonne Mère… de fora, tem até algumas lunetas que permitem olhar a cidade inteira… dava para ver o Château d’If, lugar onde teria sido preso Edmond Dantès, o conde de Monte Cristo, mas isso eu explico depois. Depois, descer até o Palais du Pharo a pé; no caminho, um quiz para responder, endo que perguntar aos marselheses, as respostas. Não foi difícil.

O palácio também é bonito, mas ainda não sei bem o que é. Quando eu olhar na internet, eu descubro. Fizemos um piquenique, lá, muito bom! Depois, tínhamos, cada um, que apresentar seu país, sua cidade. Fazer um desenho do Brasil – depois que o Eduardo estragou o primeiro desenho (uma gota, ou um cocô de desenho animado invertido), sobrou para mim. Mas até que ficou direitinho! Desenhamos algumas árvores na Amazônia,  o Cristo Redentor, o Congresso Nacional, uma jangada, alguns prédios em São Paulo, uma rede com coqueiros, vacas e campos… e uma interrogação no Acre, claro.

No fim, quando íamos saindo, uma roda de capoeira. Como assim, capoeira em plena França? Mas se o centro é o Maghreb e a residência é o extremo-oriente, por que o Pharo não pode ser o Brasil?

Voltamos para casa, e já tinha o que comer: pão com queijo em fatias (parecia Polenguinho, tão bom!); meu ai havia comprado quiche, deu pra estrear o micro-ondas (que já havia vindo como quarto).

Quinta… tinha aula das 10 às 18h. Café da manhã com a coordenação, antes. Meu pai iria passar em outro supermercado (o a que ele fora na véspera, o Dia, era bem ruinzinho), o Intermarché. Esse ele achou bom! Comprou mais comida, rodo, vassoura, pá, etc. Muito bom. À tarde, eu faltei aula para ir de volta chez IKEA, comprar a cômoda e outras coisinhas. Jogo americano (aquelas coisas que se coloca sobre a mesa, debaixo dos pratos), pratos pequenos, organizador de papeis, e outras coisas; não ainda para levar o travesseiro do pai nem o outro cesto de lixo, porque iria ocupar muito espaço, e a cômoda…

A cômoda vinha numa caixa não muito grande, mas o peso era imenso – acrdito que passasse de 50 kg! E levamos de ônibus, eu e o pai. Foi difícil, chegamos em casa com os braços doendo (e olha que deu para pegar os ônibus direitinho!). Começamos a montar. Paramos para r à Missa – afinal, era aniversário dele!

Chegamos no metrô, esperamos um pouco, o metrô demorava a partir; não sei por quê, estava fazendo a última parada na Gare de Saint-Charles; um guarda lá recomendou pegar a linha 2 e parar na próxima parada; quando vimos no mapa, era muito longe, e já estávamos atrasados. Bem, já que estávamos ali… pegamos o tram (uma espécie de bonde moderno, com cara de trem mas com a fiação em cima e menor) até uma parada onde tinha como pegar direto o metrô 1. Atrás da parada, havia um supermercado. Entramos, procurando um martelo. Nada. Recomendaram seguir numa direção lá, seguimos. A loja de construção e jardinagem estava fechada.

Voltamos. Comemos. Arroz de sachê, salame e presunto. Muito bom! Logo depois, continuamos a montar a cômoda. Os pregos, deixamos para o final. Gaveta após gaveta, montamos as quatro. Só precisava pregar o fundo. Com os pequenos alicates e a chave de fenda, conseguimos martelas todos os pregos. Colocamos no lugar, colocamos as gavetas e – voilá! Uma cômoda novinha em folha! Aproveitei e já coloquei minhas roupas lá.

Sexta, aula. Tinha que entregar a documentação da École (eu tinha conseguido fazer a assurance na véspera). Depois fomos à praia. Era uma praia estranha, com pedrinhas em vez de areia. Engraçado… fizemos um piquenique. Eu e mais alguns brasileiros passeamos um pouco, o Eduardo quis tirar fotos das mulheres de topless. Parecia um meninozinho de 8 anos, coitado…

Depois de comer, um passeiozinho para o outro lado, com três outros brasileiros e uma mexicana. Um brasileiro e a mexicana estavam sem sandálias… era difícil andar sobre as pedras descalço. Desafio. Bem, voltamos, eu quis logo ir embora com meu pai. Melhor assim. Não queria acordar muito tarde.

O sábado foi especial, merece um capítulo à parte! Enquanto isso, dá pra cutir um pouquinho as fotos da visita de Marseille. À bientôt!

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Subterrâneos de Cusset

Quarta-feira fomos aos subterrâneos de Cusset. Cusset é uma cidade vizinha de Vichy, com 13 mil e poucos habitantes. Alguns estudantes do Cavilam, inclusive, moram lá.

Apesar de a cidade ser próxima, e ra meio longe da entrada da cidade, o lugar aonde íamos. Chegando lá, nos deparamos com uma cena de museu, com uma maquete de alguma construção e uma maquete da cidade, alguns cartazes, etc. A guia era bem engraçadinha! E sim – aquilo era um museu. Na verdade, era a antiga torre da prisão, e a maquete era de Cusset no século XV. Havia uma muralha ao redor da cidade, com quatro grandes portas e outras construções – entre elas a prisão. A maquete de construção era uma dessas portas. Mas deixa eu começar pela história.

Cusset não era governado por um político. Pelo século XIII, mais ou menos, o líder de Vichy era a madre abadessa da abadia que havia na cidade. Não havia uma organização militar, logo, se houvesse uma guerra, Cusset não tinha com o quê se defender. Assim, a madre recorreu ao rei Filipe, o Belo (Phillipe IV) e conseguiu dele a construção da muralha ao redor da cidade. Durante a Guerra dos Cem Anos, a cidade não foi diretamente atacada pelas tropas inglesas, mas foi saqueada por mercenários, que destruíram parcialmente a muralha. No século XV, a muralha foi reconstruída, a mando de Luís XI. A nova muralha era uma construção moderna, capaz de suportar tiros de canhão e tudo mais; até o fim do século XIX, ela teria sido capaz de resistir a qualquer guerra – se tivese passado por uma: naquela época, Cusset era uma cidade perto da fronteira, e o Auvergne se preparava para uma guerra contra a Bourgogne, foi o que eu entendi. Com a morte do duque de Bourgogne, o conflito cessou (essa foi a parte que eu não entendi muito bem).

A outra maquete era uma das portas, a porta de Doyat. Ela tinha forma de um “A” quadrado, ou de um 8 de calculadora sem o traço inferior. A parte das “perninhas do A” era a passagem para a entrada (cour anglaise), enquando o resto era o “quartel” (cour des soldats). Para passar pela passagem, era preciso que duas portas levadiças fossem abaixada, uma por fora, uma por dentr, porque a cours des anglais não tinha piso, logo, se as duas não estivesem abaixadas, alguém que tntasse passar cairia no fosso. Também era imposível entrar pelo fosso, pois havia guardas nas laterais, inclusive com canhões, para impedir essas entradas. Era impossível também entrar cavando um túnel – as chamadas “minas” – pois a porta contava com contraminas para combatê-las. Tudo isso se localizava no térreo. Ora, alguns séculos mais tarde, no XVII º, o fosso foi aterrado e maior parte da muralha destruída. Restaram intacta a torre da prisão (que hoje abriga o museu), porque era ainda utilizada, e alguns subterrâneos – que eram o térreo, mas foram encobertos com o aterramento do fosso.

Depois das explicações, fomos aos subterrâneos. Andamos um pouquinho pelas ruas de Cusset e descemos as escadas. No caminho, passamos pelo Hôtel Dieu, uma antiga constução termal que sofrera um incêndio, e hoje não resta mais que a entrada. Ao lado, uma igreja – e não tinha como não pensar num trocadilho estilo “Il y a un autel de Dieu à coté de l’Hôtel Dieu” (autel = altar, mesma pronúncia de “hôtel”).

Dentro dos subterrâneos, era escuro e úmido – Cusset é cheia de fontes irregulares, e uma delas havia brotado do nada embaixo do Hôtel Dieu. É tanto que uma parte dos subterrâneos é cheia de água que cai do teto. A constução é bem simétrica, e há meutriers (lugar para os arqueiros ficarem e atiraram por janelas estreita) nas paredes em direção ao centro e cannoneries (para os canhões) pra fora. É escuro, lá. Havia um lugar da contramina, onde ficava um guarda junto a uma bacia d’água; se a água começasse a tremer, era sinal de que estavam cavano uma mina, e ele corria para avisar os outros. Bem engenhoso! Havia também os buracos de ventilação no teto, saída de emergência e uma estratégia suicida: se nada desse certo e os inimigos entrassem na porta, havia um espaço onde provavelmente ficava um canhão, mas era orientado para dentro; acredita-se que numa emergência, os guardas atirariam uma bala de canhão na própria parede, de modoa implodir o prédio, e, com ele, os inimigos.

Depois dos subtrrâneos, o museu. De volta à torre de prisão. São três andares de muse  com itens dos mais diversos tipos  – pedras pre-históricas, armas e armaduras de cavaleiros, utensílios domésticos, pinturas, canhões, livros, estátuas e até as mãos de uma imagem da Virgem Maria do século X, se não me engano. Muito bonito!

Voltamos para Vichy antes de 18h30. Conseguiram convencer a motorista a parar na Gare (estação de trem); eu desci lá, também: meu ônibus também passava lá, e ainda que não passasse, era bem mais perto da minha parada. Consegui pegar o penúltimo ônibus. Quando chegou em casa, o Xù (meu chinês) perguntou se eu não tinha ido para a visita, já que eu tinha chegado antes dele.

Como de costume, voilá as fotos:

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Passeio em Vichy

Estava marcado para 19h. Voltei à casa dos Piombini só para tomar banho – as caminhadas me haviam deixado bastante suado. Tempo de tomar banho, trocar de roupa e partir. Dezenove e oito. E nove. E dez. E quinze. E vinte.”É, acho que eu perdi o ônibus de 19h08″). Dezenove e vinte e oito. Acho que não acertei exatamente a parada onde a gente havia descido de manhã – desci praticamente em frente a St Louis, e acho que havíamos andado, de manhã, antes de lá chegar. Andei até o Cavilam. Dezenove e quarenta. Estavam saindo, primeiras palavras, em frente à Mediateca (la Médiathèque). Um primeiro grupo havia saído antes, disse um outro brasileiro.

Fomos primeiro a uma fonte, source des Celestins. Água… tônica? Bem, bom ou ruim, Vichy é uma cidade termal, tem várias fontes, e muitas pessoas buscam vão lá se tratar de doenças. Entre elas, a marquesa de Savigné, que, curada de uma paralisia na mão, ajudou a popularizar bastante as águas de Vichy. Ela mandou abrir algumas ruas que eu não me lembro mais.

Napoleão III, que foi imperador da França entre 1852 a 1870, pouco depois da derrota de Napoleão I (o mais famoso), também veio a Vichy em busca de tratamento. Segundo a Wikipedia, ele sofria do coração, inclusive urinava sangue, reumatismo, hemorróidas, problemas digestivos e gota (juro como eu não entendi tudo isso do guia); para ser acolhido à altura em suas visitas frequentes à cidade, mandou construir chalés para si e para sua corte, além de um grande parque à margem do rio Allier (e põe grande nisso! Fizemos três paradas, no mínimo, até a ponte, mais três depois dela) (não atravessamos a ponte, simplesmente passamos por ela, foi o que eu disse). Vimos o chalé de Napoleão III e demos uma passada por algumas ruas da Vieux Vichy (vieux = velha); várias casas em diversos estilos arquitetônicos, neo-ingleses, neo-venezianos (chamado neogótico florido), e coisas do gênero. E a casa de Strauss entre 1861-62, também! Ele tinha vindo a Vichy com a corte de Napoleão III, e essa casa era temporária, esperando a construção de seu chalé (hoje, é chamada Villa Strauss).

Durante a segunda guerra mundial, o governo francês se mudou para Vichy, dirigido pelo marechal Pétain, a fim de ficar mais longe dos alemães, para os quais Paris era um alvo mais fácil e de fuga mais difícil. Nessa época, o termo República da França foi substituído por Estado Francês. Pois bem, nós passamos pelo apartamento dele (do marechal, que assumia o posto de chefe de Estado).

Passamos, ainda, pela ópera de Vichy; eram prédios anexos, o Grand Casino (inaugurado em 1901) e l’Opéra de Vichy (1902). Durante o Governo de Vichy, o conjunto foi usado como sede do governo. Atualmente, o município de Vichy batizou (após reformas que se seguiram a um incêndio) de Palais des Congrès-Opéra.

Por fim, visitamos o centro termal de Vichy, o hall des sources e o centro termal propriamente dito, com hotel, lojas, etc. Os guias não explicaram muito – acho que estavam ansiosos para ir ao bar (“atividade cultural” seguinte)…

M. Piombini me havia emprestado seu celular. Telefonei para sua casa assim que a gente começou o caminho devolta, quando cheguei ao Cavilam, ele já estava lá vinte e uma horas e jantar e Skype e blog e cama e duas e cadê o sono.

Bom, como eu dormi tarde, hoje vou tentar dormir menos tarde. Tomara que chova, hoje à noite!

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Em Brasília

Oi, galera!

Começo o blog escrevendo uma alegria muito grande: meu visto para a França. Eu estava tenso, não sabia se ia ser preciso uma carta do curso de francês que eu ia fazer lá (o Cavilam, começando dia 27 de junho), e eu não tinha, porque quem arranjou tudo isso foi o pessoal da Égide (organismo responsável pela bolsa Eiffel, que é a minha).

Enfim, sexta-feira passada, eu já tinha reservado as passagens para Brasília – saída de Fortaleza às 6h22, chegada em Brasília às 9h00, retorno às 21h22, chegada 23h56! Era tanto tempo entre a ida e a volta (mas era o mais cedo que tinha, a volta), que eu TINHA que passear um bocado em Brasília. Dito e feito!

A saída foi no horário previsto. Apesar de ter acordado cedo, não consegui dormir no avião, então aproveitei pra rezar – claro que eu levei meu kit Caminho da Paz comigo! A chegada no Aeroporto Internacional de Brasília foi no horário exato. Saindo, subi até o balcão de informações e perguntei pelo ônibus que ia pra rodoviária. A gente tinha olhado na internet, tinha um ônibus pra esse trajeto, pr R$ 8,00, mas era o executivo. Perguntei pra moça do balcão, ela me falou do ônibus convencional, levava quarenta minutos, estava cedo, resolvi pegar esse mesmo. Só R$ 2,00 *.* O trajeto era meio longo, mas um bom pedaço do caminho (antes de entrar no plano piloto) era muito bonito: parecia cenário de filme, com casas grandes e bonitas, muito verde, árvores bonitas,  até alguns ipês-roxos, mas não tão floridos, por causa da estação.

A rodoviária era quase como um terminal de ônibus daqui: vários ônibus urbanos, várias paradas e filas. Mas também era como a rodoviária de Fortaleza, um monte de lanchonetes, bancas, quiosques de sorvete… a rodoviária de Brasília é bem no encontro das duas asas com o “corpo” do avião. Dei uma olhada, e era perto de tudo: de um lado, dava pra ver a catedral, o Museu Nacional, dava pra ter uma noção da esplanada dos Ministérios; do outro, o Teatro Nacional e a Torre de TV (onde eu estava planejando pegar o ônibus do city tour). Mas primeiro, o visto.

Tomei um táxi para me levar ao Consulado da França. Era muito mais perto da rodoviária que do aeroporto, tanto que a ideia de pegar o táxi no aeroporto nem me passou pela cabeça, quando eu cheguei (tooome 50 reais, no mínimo!!!). O consulado é no mesmo lugar da embaixada.

Entrada da Embaixada da França

O cara da segunda portaria, não dava pra entender quase nada do que ele dizia, mas acho que se eu pedisse pra ele falar francês, eu entenderia menos ainda! A “cabine” em que a gente ficava estava bem indicada, mas na hora que eu entrei, não havia ninguém lá do outro lado do vidro. Esperei um pouco, olhei uma revista em francês que estava na sala de espera, voltei e lá estava mulher. Ela foi muito gentil, respondeu a algumas dúvidas que eu tinha – inclusive a da Espanha! Deus é fiel: agora, é pratricamente impossível eu não poder ir para a Jornada Mundial da Juventude! Também vi que não precisava de vacinação específica nem nada, e que meu pai vai poder ir no final de agosto sem problemas, só com o passaporte.

Brasília Shopping

Depois da visita consular, eu me toquei que não havia perguntado o telefone do táxi! Mas o primeiro porteiro me ajudou, chamou um para mim. Eu ia para a rodoviária, de onde eu ia para o Conjunto Nacional, almoçar, mas o motorista sugeriu o Shopping Brasília. Bom que lá tinha ponto de vendas do Brasília City Tour, também.

Almocei e fui pro quiosque do tour. Iria sair 1h30 (ainda eram 12h30) e só saía se houvesse pelo menos cinco interessados. Deiei meu nome lá e fui passar tempo. Achei uma livraria Saraiva! O tempo até passou rápido! XD

O city tour começou na hora. Tinha até outra mulher de Fortaleza! Paramos na Torre de TV e subiram mais duas pessoas; com as três do Shopping Brasília, deu só a conta! As fotos do city tour falam por si mesmas:

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Acabou por volta de 15h30, quando começou o turismo a pé. Desembarquei na Torre de TV – infelizmente, estava fechada a visitas, devido à mudança do Museu das Gemas. Andei até a rodoviária e de lá decidi ir para o Museu Nacional. Além da exposição permanente sobre a cultura nacional, havia também uma de arte moderna árabe. Havia também muita gente estranha lá – algumas do tipo “praça Portugal”, outras do tipo “CH da UFC”, enfim – muito boas, pena que não podia tirar foto. Depois, visitei a Biblioteca Nacional. Tentei visitar o Teatro, mas já havia passado da hora de visita.

Fui pra Catedral, fiquei rezando na capela. A Missa de 18h15 foi lá mesmo. Era tão aconchegante ^.^ Como terminou cedo, fui para a rodoviária, comprei um sanduíche e um suco e peguei o ônibus de volta pro aeroporto. Cheguei pouco depois das 20h, e fui passear lá dentro. Dá no mínimo dois do de Fortaleza, um ao lado do outro! Nem me lembrei de tirar foto lá, mas ainda que tivesse, as pilhas já tinham acabado, mesmo…

O voo atrasou quase uma hora – isso já com todo mundo embarcado! Mas enfim, tudo ocorreu em paz, e eu cheguei de volta em Fortaleza cerca de 00h30.

C’est ça! Voltei com lembranças maravilhosas, mas sem o visto ainda – mais dez dias e eu o terei em mãos!