Roissy

O hotel era muito bom. Meu quarto era o 318, no terceiro andar. Tinha vista pro estacionamento dos ônibus… ¬¬ Mas eu gostei. A descrição do hotel está no vídeo.

 

 

Gravei isso (horrível!) logo antes de me deitar (ou seja, nem cheguei a ver o céu noturno) (deve ser estranho olhar pro céu e não procurar imediatamente o Cruzeiro do Sul!). Antes disso, eu cheguei ao hotel, abri o quarto, deixei as malas no chão e me joguei na cama!

Logo depois, fui tentar acessar a internet. Tinha no panfleto que o Wi-fi era incluso no preço, mas a página inicial tinha um “compre um pacote da Hub Telecom” e um especo para usuário e senha. Liguei pra recepção e desci pra pegar um cartãozinho com a senha. Coloquei algumas coisas no Facebook, tomei um banho. Liguei pra recepção, perguntando se eles não tinham um adaptador de tomada. Ter, não tinham, mas tinha uma máquina que vendia. 6,50 EU (alguém me ensina a escrever o símbolo de euro, que no meu notebook era pra ser Alt GR + 5, mas aparece isso: ¢). Bem, eu ia ter que comprar, mesmo…

O jantar foi meio caro. Quase eu não consigo entender como era; tinha o maître (parecia coisa de filme!) e tinha as opções de cardápio à La carte ou bem buffet (=self service), mas tinha que pedir por pacote – peguei de 19,00 EU por prato principal + sobremesa liberados. Suco de laranja. Deu 21,20 EU. Se todo dia o jantar for a esse preço, é bom eu aprender a cozinhar logo! Voltei pro quarto, a Iara tava online. Baixei o Skype pra falar com a minha família. Foi legal, vê-los! Garanti a eles que tava tudo bem, “mostrei” meu quarto, ouvi alguns conselhos (não vá sair por aí e se perder, viu?) Mães… são tão preocupadas… agradeço muito à minha por isso!

Tava na hora de a Iara ir pro Shalom e desligamos. Eu fiquei na net mais um pouco. Um tempinho depois, meu pai entrou no Facebook. Disse que ele e a mãe iriam à Missa todos os dias, já que eu não ia poder, aqui. Eu… eu faltei foi me acabar de chorar, quando ele disse isso. Foi rápido: eu li a mensagem normal, terminei já com a cara vermelha, as lágrima saindo. Eu tenho os melhores pais do mundo!!!! Tenho a amargura de dizer que penso que não faria por eles o que eles fazem por mim… chorei intermitentemente até a hora de dormir. Num desses intervalos de choro eu gravei o vídeo do quarto!

Antes de dormir, noutro intervalo, liguei pra recepção, perguntando se existia alguma igreja pra ir à Missa no dia seguinte. A moça disse que sim, na igreja da vila, que era a uns 5min a pé do hotel. A Missa era às 9h. Coloquei o despertador pra 7h50.

Acordei com um pouco de sono. Tomei banho, me vesti e fui tomar o café. Esse, pelo menos, era livre. Um pãozinho (não quis partir uma baguette). Escovei os dentes, perguntei onde exatamente era a igreja, a mulher da recepção me deu um mapa. Não era longe.

Roissy parecia uma vila cenográfica; ruas cheias de flores, casas com um estilo meio antigo, postes de ferro (consigo imaginá-los sendo acesos com fogo). Mignone, se diria aqui. A igreja era relativamente pequena, tinha cara de antiga (dentro tinha uma placa pedindo orações pelos soldados mortos de Roissy entre 1914 e 1918!) A parte do fundo da igreja, onde tem o sacrário, também parecia antigo, num estilo gótico. Consegui entender quase tudo; o padre falava fácil, pausadamente. Não tinha jornalzinho da Missa, mas tinha filhinha de cânticos. Não eram os mais bonitos do mundo, mas é melhor que as Missas da semana, em Fortaleza. A senhora na minha frente tinha um livreto, do tamanho do Pão da Vida, “Prions en Église”, da liturgia. Pedi para olhar. Hoje era celebrado Corpus Christi, ainda! E tinha tão pouca gente, na igreja… acho que menos que a Missa de 6h30 na igreja de Fátima (proporcionalmente). Oração eucarística não tem respostas, foi estranho. Mas a estrutura era a mesma: entrada, sinal da cruz, Kyrie, Glória, liturgia da Palavra, homilia, credo (rezei o credo em português, mesmo, que era difícil acompanhar em francês), preces, ofertório, oração eucarística, Pai Nosso, abraço da paz (La paix du Christ) , Agnus, comunhão (em duas espécies, hoje). A hóstia parecia feita artesanalmente, tinha uma coloração como se tivesse ficado um pouquinho tostada. Um pouco crocante. Muito bom, receber Jesus assim. Umas homenagens ao padre, que estava indo embora, última vez que celebrava naquela igreja (detalhe: só tinha Missa ali no 1º e no 4º domingos do mês, foi sorte eu ter chegado num 4º domingo!).

Voltei rápido, com medo que o ônibus (car em francês =ônibus de viagem, diferentemente dos bus, urbanos) já fosse. Esperei quase até quinze pro meio-dia, quando me ligaram da recepção. Entrei no ônibus e me sentei perto do fundo. Justamente do lado dos dois outros brasileiros do ônibus! Estou escrevendo do ônibus, aproveitando o tempo. (Claro que isso foi publicado depois, mas e escrevi tudo no ônibus (este post e o anterior). A previsão é de chegarmos a Vichy perto das 20h (umas 15h o Brasil).

Este slideshow necessita de JavaScript.

(as fotos sem legenda são o caminho entre o hotel e a igreja, pela avenida Charles de Gaule)

*Em tempo: chegamos por volta de 18h30; jantei carne com cenoura na entrada, spaggheti como prato e flan de sobremesa.

Anúncios

Viagem

Foi tanta coisa que nem deu tempo de parar para escrever! Mas vou tentar por partes.

O vôo foi muito bom. Saiu um bocadinho atrasado, mas sem problemas. Quem tava lá viu: na hora da despedida, eu não chorei até o último momento, quando dei o último abraço (eu já quase chegando ao embarque) na minha mãe chorando. Entrei chorando, na fila do detector de metais. Depois passou.

Na sala de embarque, eu queria pelo menos comprar uma água. Não tinha mais real O.o sorte que tinha um cartão de crédito, aqui, e ainda consegui! Pouco depois, o embarque começou e eu entrei no avião. Lá,na minha cadeira, já tinha um cobertor e um travesseirinho me esperando, embora não fizesse frio. Ainda. O avião era grande, tinha três fileiras, as próximas às janelas com três poltronas, as do meio com quatro.

Quando o avião decolou, não lembro a hora, mas acho que era perto das 21h, o sistema de entretenimento começou a funcionar. Tinha jogos – joguei primeiro um jogo de um homem das cavernas que era a cópia do Pacman – mas era o homem das cavernas, os fantasmas eram mamutes e o “especial” era uma clava. Depois joguei damas (não pode comer pra trás…), depois comecei a assistir Cisne Negro. Sei lá, o filme é… estranho. CLARO que eu saltei a parte em que ela chega com a amiga da noite das dorgas. E em português de Portugal! (“Quer dizer que você teve sonhos ‘húmidos’ comigo?” – húmido deve significar algo relativo a libido).

O jantar foi o mais consistente que eu já vi em avião: salada tabule (parecia alface com alguns vegetais em cubos e muitos grãos de algo que eu espero que não seja alpiste), tinha a opção de caçarola de frango com arroz de coentros ou guisado de surubim com purê de banana terra (escolhi a primeira, embora eu acho que o que tinha lá era purê de arroz de coentros), bolo de maçã com castanhas, mais dois pãezinhos, duas bolachas estilo ‘Cream cracker’ (ou creme craque, como preferir) manteiga e um creme que eu acho que era um tipo de requeijão. Suco de laranja.

Terminei o filme, joguei batalha naval, paciência, e fui tentar dormir. Jaqueta e cobertor. Acho que dormi um pouco, epois teve um lanche (pão de leite com queijo minas e tomate). Suco de laranja. Depois daí, fique só dormindo e acordando, olhava na tela, faltava 1h, dormi de novo, acordava, 55min… até o pouso.

Havia o corredor era IMENSO! Tinha até umas esteiras, achei legal que o povo andava, não esperava ela te levar (tirando uma ou outra pessoa – do Brasil, é claro “¬¬) Na imigração, eu fiquei na fila com a Izadora, da turma da Iara a dança, e as amigas dela, que iam para Toledo, pela Uece. Fila imensa! E tinha tudo que é tipo de gente – uns com cara de árabe, chineses, africanos em trajes de seus lugares… chegando a minha vez, era só entregar o passaporte, ele viu o visto pra França, a passagem… foi tudo. Fui pra a sala de embarque. Ainda bem que foi em português, pelo menos não teve falha de comunicação.

Na sala de embarque, eu comprei um lanche, gastando meus primeiros euros. Sanduíche de queijo e – suco de laranja. Depois, imagine uma máquina daquelas de jogos eletrônicos (sem ser um fliperama, estilo arcade). Agora, no lugar de botões e alavancas, tem um teclado, e no lugar de uma demonstração do jogo tinha o preço (10 min = 1 euro, só rodava a partir de 1 euro). Pois foi num negócio desses que eu acessei a internet. Mandar um recadinho no Facebook, pai e mãe tá tudo bem, etc. Antes disso, eu gastei 1,50 EU tentando acessar de uma máquina que simplesmente recebia o dinheiro mas não computava nem liberava a internet: continuava como se eu nunca tivesse depositado nada! Ò.ó

Consegui rezar na sala de embarque ainda, mas no final, eu começava uma palavra e chegava ao final dela cochilando! Depois, eu dei um cochilo, mas programei meu despertador. Acordei 5min antes de ele me despertar, quando abriu o embarque (quase eu programo para a hora exata!). Passava pelo pessoal da TAP e depois tinha um ônibus pro avião (o desem barque tinha sido direto, na chegada a Lisboa).

O avião era menor, duas filas de três assentos. Dormi assim que ele chegou a altitude de cruzeiro e eu pude inclinar a poltrona. Acordei, minha bandeja estava abaixada, tinha um lanche sobre ela e o carrinho da bebida ia passando. Pelo menos, eu acho que só acordei nessa hora (ou será que eu mesmo baixei a bandeja e não lembro? – Minha cara, fazer isso…) Bebida. Suco de laranja. Depois, dormi de novo, acordei quando o pouso começou e dormi de novo, acordei pouco antes da aterrissagem (ou aterragem, como diria o comandante).

Pegar as malas e sair. Me voilá em France! Tinha um cara da Égide me esperando, lá. Até que eu consegui entender o que ele dizia! ^.^ Mas ele falava mais devagar que o normal, tenho certeza. Fomos pegar meu dinheiro (j’avais jamais eu autant d’argent dans ma vie!) e fomos para o hotel – que era do outro lado do mundo (eu desci no aeroporto de Orly, o hotel era perto do Charles de Gaule, o outro aeroporto), numa vila chamada Roissy-em-France, que parecia até uma cidade de boneca ou coisa o gênero. Mas isso é pro próximo post.

Este slideshow necessita de JavaScript.