Vichy à vélo

Nem acredito que minha última postagem foi Clermont… já fui a três excursões depuis cela, mas ainda não escrevi… vocês me perdoam se eu deixar pra falar depois? É que eu fiquei tão animado hoje!

Já que eu acordei 10h50, não tinha nem perigo de tomar o café e ir à Missa de 11h15 na Saint Blaise -apesar de minha intenção original ter sido ir à de 10h na capela das franciscans (rito de São Pio V)… e como hoje é domingo, o último ônibus passa na minha parada da volta às 18h56, o que não me deixaria ir à Missa de 18h e voltar de ônibus. Então, fiz uma coisa que há tempos eu queria: pedi ao M. Piombini a bicicleta dele (a outra, sem ser a que o Xù costuma usar) (já disse que Xù é o chinês que mora aqui?).

Saí umas 11h30, chovia de leve. Be mleve. Peguei minha jaqueta jeans, bastava. Aqui tem bastantes ciclovias, mas não em todas as ruas – então, eu tive que andar pela rua ou pela calçada, em algumas ruas. Mas foi muito legal: nem me lembrava que fazia pelo menos cinco anos que eu não sentia aquela sensação de pedalar, sentiro vento no rosto, sentir que o que eu fizer a bicicleta vai seguir (que nem o carro… ¬¬”); eu moro no extremo norte de Vichy, e o Cavilam é no extremo sul, o que faz 45 minutos a pé, mas nem 15 min de bicicleta! Acho que ainda faria menos se eu não tivesse descido da icicleta tantas vezes. Como na avenida Clémenceau, onde a calçada é de cerâmica e estava molhada e cheia de gente, e como a rua é estreita… (mas é uma das ruas mais importantes de Vichy, sem dúvida). Cheguei ao Cavilam, mas era meio que pra conhecer o tempo. Então, fui passear. Fui a Bellerive (uma cidade perto de Vichy), andei um pouquinho, depois voltei a Vichy, andei pelos parques feitos a mando de Napoleão III; fui até a gare (estação de trem), cheguei próximo do hospital (eu só havia passado por lá uma vez, perdido buscando a gare…),voltei, por algum motivo, voltei a Bellerive, e lá eu encontrei um chinês que faz atelier de teatro comigo, o Yisu. Ele estava indo a Vichy, comprar alguma coisa para comer. Fui acompanhá-lo.

Deixamos as bicicletas no Cavilam e fomos ao Monoprix (supermercado francês; aqui tem um na av. Clémenceau). No caminho, eu havia dito pra ele que eu estava pensando em variar, tinha até proposto ao meu irmão chinês de ir  um restaurante chinês, mas nunca dava certo (sei lá, depois de estar aqui, é estranho dizer “convidar” quando eu não tenho a mínima intenção de pagar por ele…). Bem, depois de olhar no supermercado sem aquela cara de “ah!, é isso que eu quero realmente almoçar”, ele preferiu ir a um restaurante chinês que tem na rue de Paris. Eu queria ir com um chinês justa,emte porque eu não tenho nem ideia do que pedir! Cfomemos um frango com castanha, legumes (cujo nome eu não sei), eu pedi uns camarões e – é claro! – arrroz.

Comemos com pauzinhos, foi tão legal!, nunca tinha comido outra coisa que não fosse sushi, com pauzinhos. É engraçado comer arroz, assim! E eu gostei muito – sei lá, não era alo de tão estrambólico, era até normal… até os legumes eram bons. Conversamos um pouco, mormente falando sobre nossoss próprios países – conversa típica do Cavilam. Mas é legal; a China parece mais com o Brasil do que parece. Tipo, ninguém dá a mínima pra faixa de pedestres, e, principalmente no interior, nem pras leis, como a do controle de natalidade. Bem, meu conceito de Brasil se aplica bem a Fortaleza, não sei o resto.

Depois, eu o acompanhei de volta à casa dele, em Bellerive. Ele me apresentou um pouco da casa, principalmente o jardim – tem até uma pequena fonte, estilo japonês, com algumas carpas. E uma piscina, e um lugar coberto quase à beira da piscina, onde eles comem quando faz tempo bom.Depois, fui-me – mas ele teve de me mostrar com chegar na rotatória perto da ponte, de novo. Eh bien, depois, fui passear mais ainda – afinal, ainda não eram nem duas horas, a a Missa era às 18h! Fui ao norte de Vichy (no caminho, quase caí na calçada molhaa de cerâmica da Clémeceau!), acho que cheguei a Cusset, quando passei por uma rua, lá; cheguei à segunda ponte (que não é longe da minha casa), atravessei, passei em frente ao lugar onde fizemos rafting. Depois fui tudo ao sul, passei pelo hipódromo, pelo campo de golfe, e, acreditem!, é bem grande, tudo. Cheguei até à primeira ponte, entre Bellerive e Vichy, do lado Bellerive. Parei um pouquinho assim que passei por baixo da ponte.

Nunca tinha sentido a água do Allier (o rio que passa por aqui, e que dá o nome ao departemento onde se localiza Vichy: Allier, na região do Auvergne). Não é mais quente nem mais fria que a de outros rios. Sim, apesar de ser a Frença, cada vez mais eu descubro que MUITAS coias não são tão diferentes assim do Brasil… (imagino que para maioria dos estrangeiros, dizer “não são tão” é quase um trava-língua). E tinha até um lugarzinho com algumas plantas aquáticas e algumas garrafas… não, a França não é perfeita, longe disso. Tant mieux.

Bem, voltei a Vichy (no caminho, vi um grupo jogando pétanque!) e andei por um trechinho que eu não conhecia e descobri a Source de l’Hôpital. Pena que tinha uma exposição, lá dentro, por 3€. Acho que eu passo… mas depois fui pro Hall des Sources, só pra provar pela 789¹²³ ª vez das águas das fontes. Só tomo cuidado para não provar todas de uma vez, mas eu sei que já provei de todas pelo menos uma vez (a minha¹…  nunca mais! Mesmo assim, devo ter bebido umas três vezes…). Depois, deixei a bicicleta ao lado da igreja de Saint Louis e comprei um tiramisu (não, não é francês, mas vendia numa viennoiserie que tinha por ali, então, por que não…? – ele dizem muito “pourquoi pas?”, aqui). E comi, é claro.

Fui rezar, depois foi a Missa – véspera da Assunção, já. Sem ter combinado nada, sentei num banco que tinha brasileiros na outra ponta! Foi tão legal a sensação de desejar “Paz de Cristo” em português! E não tem nada como receber Jesus… ah!, pobres os que não acreditam, não sabem o bem que perdem… sim, muito pobres mesmo…

Saindo da igreja, deu para perceber que chovera – tudo estava mais molhado e a sela também. Coloquei a jaqueta e parti. Na metade do caminh, começou a chover, e foi ficando forte! Eu tava correndo rápido, para ver se pegava menos tempo de chuva, e – assim que eu saí da avenue Thermale, a chuva passou. Estranho…

Entrei, comecei a escrever este post, jantei, assisti a um filme de comédia de Coluche (“Inspecteur la bravure”). Gostei, mas eles podiam falar um pouquinho menos rápido…

E foi isso. Só lamento não ter podido tirar nenhuma foto…

¹ Pra quem não viu, minha sourrce = source de Lucas, que tem gosto muito forte, gosto de enxofre…

Subterrâneos de Cusset

Quarta-feira fomos aos subterrâneos de Cusset. Cusset é uma cidade vizinha de Vichy, com 13 mil e poucos habitantes. Alguns estudantes do Cavilam, inclusive, moram lá.

Apesar de a cidade ser próxima, e ra meio longe da entrada da cidade, o lugar aonde íamos. Chegando lá, nos deparamos com uma cena de museu, com uma maquete de alguma construção e uma maquete da cidade, alguns cartazes, etc. A guia era bem engraçadinha! E sim – aquilo era um museu. Na verdade, era a antiga torre da prisão, e a maquete era de Cusset no século XV. Havia uma muralha ao redor da cidade, com quatro grandes portas e outras construções – entre elas a prisão. A maquete de construção era uma dessas portas. Mas deixa eu começar pela história.

Cusset não era governado por um político. Pelo século XIII, mais ou menos, o líder de Vichy era a madre abadessa da abadia que havia na cidade. Não havia uma organização militar, logo, se houvesse uma guerra, Cusset não tinha com o quê se defender. Assim, a madre recorreu ao rei Filipe, o Belo (Phillipe IV) e conseguiu dele a construção da muralha ao redor da cidade. Durante a Guerra dos Cem Anos, a cidade não foi diretamente atacada pelas tropas inglesas, mas foi saqueada por mercenários, que destruíram parcialmente a muralha. No século XV, a muralha foi reconstruída, a mando de Luís XI. A nova muralha era uma construção moderna, capaz de suportar tiros de canhão e tudo mais; até o fim do século XIX, ela teria sido capaz de resistir a qualquer guerra – se tivese passado por uma: naquela época, Cusset era uma cidade perto da fronteira, e o Auvergne se preparava para uma guerra contra a Bourgogne, foi o que eu entendi. Com a morte do duque de Bourgogne, o conflito cessou (essa foi a parte que eu não entendi muito bem).

A outra maquete era uma das portas, a porta de Doyat. Ela tinha forma de um “A” quadrado, ou de um 8 de calculadora sem o traço inferior. A parte das “perninhas do A” era a passagem para a entrada (cour anglaise), enquando o resto era o “quartel” (cour des soldats). Para passar pela passagem, era preciso que duas portas levadiças fossem abaixada, uma por fora, uma por dentr, porque a cours des anglais não tinha piso, logo, se as duas não estivesem abaixadas, alguém que tntasse passar cairia no fosso. Também era imposível entrar pelo fosso, pois havia guardas nas laterais, inclusive com canhões, para impedir essas entradas. Era impossível também entrar cavando um túnel – as chamadas “minas” – pois a porta contava com contraminas para combatê-las. Tudo isso se localizava no térreo. Ora, alguns séculos mais tarde, no XVII º, o fosso foi aterrado e maior parte da muralha destruída. Restaram intacta a torre da prisão (que hoje abriga o museu), porque era ainda utilizada, e alguns subterrâneos – que eram o térreo, mas foram encobertos com o aterramento do fosso.

Depois das explicações, fomos aos subterrâneos. Andamos um pouquinho pelas ruas de Cusset e descemos as escadas. No caminho, passamos pelo Hôtel Dieu, uma antiga constução termal que sofrera um incêndio, e hoje não resta mais que a entrada. Ao lado, uma igreja – e não tinha como não pensar num trocadilho estilo “Il y a un autel de Dieu à coté de l’Hôtel Dieu” (autel = altar, mesma pronúncia de “hôtel”).

Dentro dos subterrâneos, era escuro e úmido – Cusset é cheia de fontes irregulares, e uma delas havia brotado do nada embaixo do Hôtel Dieu. É tanto que uma parte dos subterrâneos é cheia de água que cai do teto. A constução é bem simétrica, e há meutriers (lugar para os arqueiros ficarem e atiraram por janelas estreita) nas paredes em direção ao centro e cannoneries (para os canhões) pra fora. É escuro, lá. Havia um lugar da contramina, onde ficava um guarda junto a uma bacia d’água; se a água começasse a tremer, era sinal de que estavam cavano uma mina, e ele corria para avisar os outros. Bem engenhoso! Havia também os buracos de ventilação no teto, saída de emergência e uma estratégia suicida: se nada desse certo e os inimigos entrassem na porta, havia um espaço onde provavelmente ficava um canhão, mas era orientado para dentro; acredita-se que numa emergência, os guardas atirariam uma bala de canhão na própria parede, de modoa implodir o prédio, e, com ele, os inimigos.

Depois dos subtrrâneos, o museu. De volta à torre de prisão. São três andares de muse  com itens dos mais diversos tipos  – pedras pre-históricas, armas e armaduras de cavaleiros, utensílios domésticos, pinturas, canhões, livros, estátuas e até as mãos de uma imagem da Virgem Maria do século X, se não me engano. Muito bonito!

Voltamos para Vichy antes de 18h30. Conseguiram convencer a motorista a parar na Gare (estação de trem); eu desci lá, também: meu ônibus também passava lá, e ainda que não passasse, era bem mais perto da minha parada. Consegui pegar o penúltimo ônibus. Quando chegou em casa, o Xù (meu chinês) perguntou se eu não tinha ido para a visita, já que eu tinha chegado antes dele.

Como de costume, voilá as fotos:

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Festival de Gannat

Tirando do atraso. Domingo, 24 de julho, houve uma visita ao Festival de Culturas do Mundo em Gannat. Rendez-vous na Place de la Victoire às 13h15. Quando eu chego lá, havia um grupo de brasileiros (discutindo um problema de lógica! – O Ministério da Saúde adverte: engenharia faz mal paraa saúde mental!). Iam para o Puy de Pariou. Nenhum brasileiro foi a Gannat, além de mim.

No ônibus (o de Gannat saiu antes), encontrei uma cazaque que eu conhecera na véspera. Fiquei conversando com ela durante a maior parte do caminho – e no festival também. Sim, sim, foi ótimo não ter ido nenhum brasileiro: deu pra conversar em francês até dar um nó na língua!Após a chegada, houve algumas demoras, mas nada de grave. Tivemos que mudar de assentos, na tenda, porque os nossos estavam reservados. Foi melhor: apesar de ser mais atrás, os novos lugares eram mais de frente para o palco, diferentemente dos outros, um tanto à esquerda. À minha esquera estava a cazaque, à direita um mexicano. Mais à direita, uma chinesa, que mora com a brasileira que chegou junto comigo (e que foi a única menina do Brasil durante uma semana!), etc. O Panorama começou, o homem falava muito rápido! E com um sotaque fortíssimo auverniense (alguém tem alguma ideia de como é o gentílico de “Auvergne”?)! O outro, menos mal; o primeiro estava trajado à moda típica do Auvergne (como se o apresentador de alguma coisa no Ceará se vestisse com roupas de couro…)

O primeiro país a se apresentar foi a França, com uma dança do Auvergne. Bem camponesa. Depois veio a Jamaica, com o Marron, dança dos escravos foragidos, e um dos homens dançava MUITO engraçado! Ri muito, todo mundo achou hilário! Depois, veio o povo Dayak, da Indonésia. Era engraçado, como uma tribo indígena oriental! Mas o mais estranho é que os homens eram mais coloridos e mais chamativos¹ que as mulheres. Depois, veio a fanfarra do Drácula – digo, a fanfarra transilvana. Os romenos devem adorar música rápida, porque essa era MUITO rápida – quando eles acabaram, eu estava sem fôlgo só de escutar! Depois, o México. Eram estados do norte, devem ser próximos à fronteira com os Estados Unidos, porque lembrava muito os cowboys, aquelas histórias de faroeste e coisas do gênero; as mulheres,porém, tinham um ar um pouco mais mexicano.

Primeira pausa. Fomos andar pela feira. Muitas coisas legais, muitas delas até carinhas, como todo artesanato que se preze… vários estandes de países orientais, alguns americanos, alguns asiáticos… nada do Brasil… nem estade de comidas brasileiras… mas a cazaque aprendeu o que é Orangina (é bom! É como um suco de laranja que tem até fiapinhos! Deve ser para efeitos psicológicos…), e eu, que paille é canudinho!

Segunda parte. Povos das ilhas de Java e Bali, de novo da Indonésia. Era muito engraçado ver o velho cabeludo tocando os intrumentos como se fosse um show de rock! Pior foi que eu perdi a dancinha dele, numa hora lá – muito comédia! Em seguida, a China. Foibom, mas confesso que eu esperava mais. Tambores chineses e pratos. Em seguida, a Inglaterra, com um conjunto bem harmonioso. A sanfona era bem pequena, mignone! Soava bonito. Logo após, outra vez a França, desta vez com uma apresentação dos Pirineus, cadeia de montanhas ao sudeste a França. Bem camponesa, também, principalmente porque começava com homens com garfos e feno e foices estranhas.

Segunda pausa. Começava a ficar chato, porque restavam poucas coisas a ver. Mas ainda não tinha visto o estande da Rússia, por exemplo. Vários estandes eram “mistos” = pseudo-chineses (um era cheio de coisas chinesas, mas tinha aqueles gatos com a pata se mexendo, dos japoneses…).

Terceira parte, e eu já impaciente que não aparecia nada do Brasil – até o México tinha feito uma apresentação, por que não o Brasil? Um mexicano me dissera que havia visto brasileiros gaúchos, mas eu… eu tinha minhas dúvidas, apesar de tudo. A primeira apresentação dessa parte foi a dos sérvios – se eu já não soubesse, diria ue eram russos, aquelas músicas estilo russo, aquelas danãs levantando as pernas… acho que é um estilo leste europeu, meio eslavo… em seguida, a Escandinávia. A intenção era mostrar um misto de canto típico com uma brincadeira de criança, de caçar as renas. O canto era engraçado, acho que não queria dizer nada! No final foi engraçado, a moça se esgoelando no microfone, mas só consegui filmar o finalzinho…eles são os “lapões”, mas preferem ser chamados de Samis, da Finlândia e Noruega. Em seguida, uma apresentação do Quênia, bem o estereotipo das danças africanas, inclusive sons que lembravam axé e coisas do gênero.

E quando ele falou que era a última apresentação da noite, eu tremi. Queria muito uma apresentação do Brasil! Ele começou a falar da América do Sul, falou da região do Paraguai, Uriguai, Argentina… gelei. A última coisa que me poderia acontecer era que a apresentação fosse argentina. Se não seria do Brasil, que fosse de qualquer outro país do mundo, mas não da Argentina! E quando ele falou “Rio Grande do Sul”, eu vibrei! Era como se tivesse chamado meu nome. Não entendo nada da cultura tradicional gaúcha, mas se é Brasil, eu me alegro! Tenho para mim que foi a melhor apresentação do dia, mas acho que a minha opinião não é suficientemente imparcial – a Haiqing (a chinesa que mora com a brasileira), também achou. E os vestidos eram de um vermelho tão vivo! Muito lindo! direito a uma terceira música (os gaúchos tinham saído entraram de novo…). E no final, ainda disseram “Muito obrigado, muito obrigado, muito obrigado”, depois “Merci, merci, merci beaucoup”, com o mesmo gesto: um floreio com a mão direita, um com a esquerda, um com as duas, todos os três se reclinando (não sei se ecrevi direito, dá pra entender?).

No fim, a Banu (a cazaque) ainda detectou uma cena de cultura cazaque, num telão que tinha lá fora – era uma das apresentações do ano passado. As mulheres tradicionais do Cazaquistão têm o cabelo MUITO longo! Tipo, um médio bate na coxa! Hoje em dia nem tanto, mas  Banu quer deixar o dela crescer até lá!  Logo em seguida, passou um Bumba-meu-boi! ^.^

Sério, não tem como descrever a sensação de estar cercado de estrangeiros e ver uma apresentação do seu país, entender o que eles dizem e ainda ver que foi um dos que mais se destacaram! Mastercard não compra isso.

Fiz um vídeo bem resumido das apresentações, espero que gostem (os primeiro ficaram porque eu não filmei muito).

¹ Nenhuma referância a nenhuma banda coloridinha brasileira, s’il vous plaît!

Charroux

Quarta-feira nós fomos a Charroux. Eu sei que estou atrasado, mas pelo menos não tô pulando nada. Charroux é uma das vilas mais bonitas da França – isso não é um elogio, é um título oficial. Para obter, era preciso ser uma cidade antiga, com boa parte das suas construções preservadas, pelo menos dois monumentos tombados patrimônios nacionais, e ter menos de dois mil habitantes – Charroux tem 390!

Começamos o passeio pela igreja. Claro que eu não gostei, afinal, eu detesto igrejas, principalmente as antigas… ^.^ Era bonita, por dentro; era do período de transição entre o estilo românico e o gótico (século XII, acho), apresentando, por exemplo, arcos românicos, mas uma abóboda em estilo gótico. A um canto, havia uma espécie de gruta de Nossa Senhora de Lourdes. As fotos não ficaram tão boas… acho que a câmera detectava escuro e deixava o obturador aberto um pouco mais de tempo, o que fazia as fotos ficarem tremidas.

Antes mesmo de entrar na igreja, já havíamos visto um pedaço da muralha interior da cidade. Infelizmente, a exterior já desapareceu de todo. Depois a igreja, passams para uma das entradas dessa muralha. No caminho, passamos pela casa mais antiga da cidade, não lembro se era do X ou XI século. Era característica da idade média, com o primeiro andar avançado e meio inclinado, dando a impressão que ele está pendendo. Passamos pela frente da passagem que dava na Cave des Dames, mas eu falo disso daqui a pouco, asim como do museu dos relógios.

Chegamos à porta e havia lá a grade levantada; dava para ver os buracos pelos quais se jogava água quente nos inimigos (óleo era caro para uma cidade; era mais usado em castelos…). Um sino avisava a chegada deles. Très joli!

Depois, passamos para o Cour des Dames. É como um corredor que vai dar na Cave des Dames (Cave = adega). É um grande gramado circular, com uma adega chamada Cave des Dames, também; as mulheres costumavam se encontrar ali para conviver e costurar. Também era ali que a cidade se reunião quando era preciso discutir um assunto importante.

A seguir, saímos por outra passagem e chegamos a outra pequena praça, qe tinha um poço. A guia explicou que Charroux tem 300 poços! Vários deles não dá pra ver, porque estão dentro das casas; mas depois nós passamos por algumas casas que tinham poço no jardim, ou que tinham um poço compartilhado (a mureta fazia uma “pausa” para o poço).

Bem, depois nós andamos mais um pouquinho, até o outro portão ainda presrvado do muro interno. Nesse, não havia relógio, mas havia uns buracos para os pombos passarem. Eles importantes naquela época, porque suas fezes eram muito usadas para fazer adubo! Isso porque eles não tinham carros recém-saídos da lavagem…

A seguir, passamos em frente à casa do príncipe de Condé (não sei qual). Também não sei explicar muito bem o que é um príncipe de Condé ou o que ele fazia em Charroux; o que eu sei é que é provável que fose sua amante (a figira da maîtrisse parece ser muito ‘importante’ na nbreza… ¬¬).Fomos para um lugar que era o “mercado de trabalho”: as pessoas se colocavam ali, oferecendo seu serviços aos interessados – é como se houvesse uma praça cheia de encanadores, eletricistas, faxineiras, técnicos, etc… CLARO que não eram essas profissões, mas não lembro mais o que eram.

Logo depois, entramos em um pátio que abriga um dos pontos famosos de Charroux: a loja de sabonetes artesanais. Não lembro se houve explicação ali…

Antes de entrar: durante as caminhadas, entre as paradas, ela ia apresentando algumas menos “monumentos” de Charroux, como a ‘mostardaria’, feita com vinho de Charroux – porque Charroux se situava no antigo cinturão vinícola de Montluçon (ou era Saint-Pourçain? Não tenho certeza). Passamos também por uma loja de velas aromáticas artesanais – localizada na casa mais antiga da cidade. Sem falar do cavalo, estranhamente grande, mas não dá pra ter noção disso na foto: acho que era mais comprido e mais gordo que um cavalo “comum”; ele era utilizado em passeios de charrete pela cidade! Também lojas de geleia e coisas do gênero, bastantes produtos regionais. Agora, entremos na lojade sabonetes.

O lugar era pequeno para tanta gente. Era muito cheirosa! Uma parede curva ( = quase duas paredes) cheia de sabonetes dos mais diversos aromas – os primeiros com nomes de mulheres (Fanny, Agathe…), depois nomes de vegetais (morango, camomila, limão…), depois alguns diversos. Em cestinhas, abaixo desses sabonetes, outros tipos, mais caros (um com brinquedinhos escondidos, um com óleo de alguma coisa, um com esfoliantes naturais…); sabonetes de várias cores e cheiros pendiam do teto. Na outra parede, alguns sabonetes redondos; ao lado, sais de banho, depois perfumes (acho). Abaixo dos perfumes, cestinhas com sabonetes divertidos (formato de coração, de estrela, etc.). Perto do balcão, sabonetes de alfabeto (cubinhos com uma letra em cada um). Comprei um de toranja e um de J pro pai, pra ele se lembrar de mim no banheiro do hotel (e de casa também). É preciso esperar três semanas enquanto os sabonetes secam, antes de usar.

Descendo, fomos andar. Fomos à casa mais aintiga da cidade; havia velas para cheirar numa mesa, e as para vender, nas prateleiras. A mulher foi super gentil e apresentou “aqui vocês podem experimentar o cheiro”, e abriu um de myrtille ( = mirtilo; como eu não sei o que é mirtilo, acho mais fácil chamar de blueberry, em inglês). Pra quê! Cheiramos milhões, mas nada se comparava ao myrtille! Três pessoas compramos (tá aqui no guarda-roupa, perfumando tudo).

Depois, fomos o museu dos relógios. É um cara que é apaixonado por relógios, e ele conserta esses relógios antigos e os coloca em exposição. São três andares cheios de relógios; quando dá uma hora inteira ou meia, boa parte deles toca. Pena que a sincronia não é lá aquela brastemp – deve ser uns cinco minutos de decalagem entre o primeiro e o último. Descobri como é que funcion um relógio de pêndulo! Agora, falta descobrir por que é que a engrenagem gira só para um lado, não volta…

Passamos ainda numa lojade geleias, e experimentamos alguns, mas nada eu não quis com prar nada (coitado do meu dinheirinho…). Passamos numa lanchonete, comemos uns crepes, eu comprei alguns postais e voltamos pro ônibus. Engraçado que eu sentei ao lado deuma senhora, e na frente dela estava a filha e o netinho. Quando eu vejo a senhora falando com a filha – “Brasileira” “Sou, você também?”! Pior que elas chegaram na mesma semana que eu, e eu ainda não as tinha visto! Conversams até voltar.

Bom foi que voltamos antes de 20h30 – deu tempo de ir a uma apresentação de um coral de meninos que houve na igreja de Saint Louis. Muito lindo! E eu ainda fiquei alguns minutos em adoração, a igreja com muita vaga, ainda. Quando saí, tive que ficar num banco atrás do altar! Como eles estavam cantando nos degraus do presbitério, eles ficaram de costas para mim…

Pela metade, quando deu um intervalo, eu quis ir embora; me levantei, caminhei para a porta e encontrei um pessoal da minha sala! Uma das suíças, a japonesa e a burundiense! Ficams até o fim. Lindo! A última foto é deles (todas as fotos ficaram ruins, essa foi a menos mal).

C”est ça. Acho que não vale tanto a pena escrever sobreo paintball hoje… foi legal, mas nada a se ecrever num post a parte. Então esou em dia.

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Domaine de Randan

OK, quinta-feira eu esperava mais da degustação. E a última coisa que eu comi ainda me deixou um gosto ruim na boca, era uma carne seca, impossível de se cortar, imagine de se mastigar! Mais c’était pas grave. No mais, havia alguns pães, queijos, pão surpresa (até hoje não sei o que era o recheio…), saladas, uma espécie de empada de cenoura, um tipo de tortinha de batata, e suco de poli-fruit. Tinha três tipos de vinho, mas eu não quis beber…

Sexta foi a soirée dansante. Eu fui… na entrada, o pacote (forfait – essa palavra me persegue) do Cavilam, a gente tem direito a uma bebida de graça. Todo mundo pedindo álcool por cima de álcool… moi eu perguntei à moça se podia ser qualquer bebida. “Oui”. “Chocolat viennois!” Ela me olhou com uma cara tão estranha, quando ouviu isso, mas… OK. E tava bom… para quem nunca tomou: é uma espécie de chocolate quente com uma cobertura de chantilly – uma delícia quando faz frio! E fazia frio… nunca imaginei que o verão europeu era assim (uma espanhola me disse que onde ela mora, é direto 40°C. Era assim que eu imaginava encontrar a França…). A música lá na pista não estava muito boa… muita música eletrônica sem graça. Fora, a música era mais agradável. Fui pra lá. Apesar do frio. Encontrei uma japonesa (aquela que adora música brasileira), a Sayumi. Conversei com ela, depois chegou uma das suíças, elas me apresentaram um curdo (curdo-iraquiano), o Ali. Foi muito legal, o Ali, a Sayumi e eu conversamos um bocado – foi engraçado ela cantando em português, ela pronuncia até bem as palavras! Aprendi que em curdo, meu nome é Lucas é “nawem Lucasa” (se fala “naâm Lucassa”). Fui emb”ora 1h30 (hora em que terminou).

Acordei 12h30 no sábado! Parte boa: economizei o almoço, que eu acordei e Mme. Piombini foi esquentar o leite. “Ainda vou tomar o café  da manhã?” Sim.  À tarde, rendez-vous no Cavilam; jogamos baralho por bastante tempo – sueca, se bem me lembro, depois quiseram jogar buraco – compramos outro baralho e fomos a uma pizzaria. Infelizmente, o tempo não me permitia mais, porque faltavam quinze minuto para a Missa – até hoje, não aprendi a jogar buraco.

Mais tarde, por volta das 20h, depois do jantar, M. Piombini me convidou para ir conhecer a casa do filho dele, o Jerôme. Eles (ele, a esposa e os filhos) estão viajando, então é o pai dele (M. Pombini) que fica cuidando da cachorra e das galinhas. É numa vilazinha no campo, c’est sympa! E eu comi framboesas – tirando do pé e comendo!!! ^.^

Hoje, Missa das 11h15, depois almoçar com o pessoal do Brasil no Flunch (dessa ves, pedi galette sarrasin completo! Queijo, ovo e presunto!); conheci mais gente do Brasil, principalmente da UFRGS (eles pronunciam ‘urgs’, com ‘r’ inglês). Depois, Randan.

O domínio de Randan era uma grande propriedade; o castelo datava do século XII-XIII originalmete, mas foi reformado já várias vezes desde lá; pela metade do século XIX, a princesa Adelaïde d’Orléans, irmã do rei Louis-Philippe, o comprou. A reforma mais ampla do castelo ocorreu a mando dela, pelo mesmo arquiteto do Louvre e Tuileries (pelo menos, das reformas, acho). O castelo foi duplicado, tornando-se maior e simétrico. Maior parte do terreno era abeta ao público, para que pudessem passar de uma cidade a outra e admirar o castelo e seus jardins, exceto os jardins de trás do castelo, que eram particulares.

A princesa era fidelíssima a seu irmão, o rei. Tão fiel que não se casou: não deixou filho. Quando de sua morte, deixou a propriedade como legado a seu sobrinho, Louis-Philippe, conde de Paris. Sob comando dele, foi criada a nova cozinha, pois a antiga ficava abaixo dos quartos, o que enchia o lugar com os cheiros da cozinha – o que nem sempre é agradável. E que cozinha criaram – um grande corredor, com piso mais ou menos um metro abaixo do solo, com inúmeras portas de um lado, cada uma era uma ala da cozinha. Vimos duas dessas restauradas, a parte dos pães e a das carnes (boulangerie/pâtisserie e rôtisserie). Os engenhos ingleses eram incríveis: os fogões eram todos uma peça só no centro, e não tinha chaminé: a fumaça seguia um caminho subterrâneo! Também a “churasqueira” era um engenho fabuloso: o fogo gerava fumaça, que subia por uma espécie de chaminé; dentro desta, acionava uma “turbina” (calor gerando trabalho… – quero distância de termo!), que fazia rodar um eixo que se conectava a grelha, e a fazia girar. Pesos e contrapesos eram usados para controlar a velocidade a que a grelha rodava. E as janelas: uma mainvela interna poupava o trabalho de ter que sair e fachar os toldos, quando a insloação era muita.

Não havia telhado na cozinha; era plano como uma laje: na verdade, era uma passagem direta do primeiro andar do castelo até o primeiro andar da capela, reservado aos nobres. A capela era bonita, mas nem tanto. A parte de baixo, reservada aos servos, tinha as paredes em papel imitando mármore. ¬¬ Os genuflexórios eram da altura das cadeiras! Havia três estátuas, estilo câmara mortuária, mas sem mortos dentro. Também duas máscaras funerárias – alguns brasileiros disseram que parecia nosso animateur…

Fora, havia as estufas – as laranjeiras eram as árvores mais importantes para Adelaïde, e para a nobreza da época também, se bem me lembro. Elas ficavam na estufa maior, fria. Havia as estufas quentes, logo abaixo, que tinham três fontes de aquecimento – rezam as lendas que eles conseguiam cultivar morangos deliciosos mesmo no inverno!

Mas voltando aos nossos carneiros (retournons à nos moutons – voltando ao assunto…),com a morte de Louis-Philippe, a posse do castelo foi para a sua esposa, Isabelle, condessa de Paris. Ela fez chegar a modernidade ao castelo, com eletricidade (1909) e água encanada (1912), sendo que isso só chegaria a Randan (a vila) em 1935. Ela era estranha – tem foto dela com homens que a gente só sabe que são homens por causa do vestido – ela tem o rosto quadrado, usa chapéu alto, roupa preta… um verdadeiro gentleman!

Quando ela morreu, a propriedade passou para Ferdinand, seu sobrinho, duque de Montpensier, que adorava caçar. Ele só viveu três anos no castelo, mas encheu com seus troféus de caça.

Na verdade, essa foi a melhor parte! Mas não deu pra tirar fotos, c’est dômage… era proibido… é um museu de caça. Vários animais – 450, para ser mais exato – empalhados, muito bom.Mas o melhor não era isso: é que os animais eram empalhads da forma mais realista possível! Havia réplicas de árvores, palha, tudo para compor o ambiente; depois a posição e a expressão dos animais, muito bem trabalhadas! Havia dois linces brigando, e dava para ver o olhar de fúria, além das garras de um arranhando a pele de outro e começando a sair sangue; um leopardo atacando um veado e o filhote correndo com medo; um gato selvagem devorando um passarinho… sério, muito realistas!!! Pior que teve gente que preferiu ficar lá fora, sem fazer nada até dar a hora de ir embora… (depois da visita aos castelo & arredores, a visita ao museu de caça era opcional).

Pois era isso. Pena que não deu pra tirar fotos do museu, depois eu vejo se tem na internet. No mais, as fotos estão aí.

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*Prometo que amanhã eu legendo

Puy de Pariou

Hoje foi um bom dia. A temperatura subiu um pouquinho em relação a ontem, mas de manhã estava frio. Descobri que a Sayumi – a japonesa da minha sala – adora música brasileira! Mais que eu: ela conhece forró, axé, samba, samba-reggae, bossa nova… ohlala!

À tarde, fomos a um vulcão a uns 4o minutos de Vichy, numa cadeiade montanhas chamada chaîne de Puys (chaîne = cadeia). O Pariou não é o vulcão mais famoso daqui, M. e Mme. Piombini não o conheciam. Mas eu gostei, dele.

Às16h, a Place de la Victoire – de onde costumam sair os ônibus para as excursões – estava lotada! Pudera: havia três excursões hoje, uma para Charroux (uma cidade medieval – eu ainda vou numa excursão para lá), uma para Clermont-Ferrand (também ainda vou) e o vulcão; não sei os outros, mas o nosso tinha dois ônibus. Maior parte dos brasileiros da Unicamp, que chegaram nesta semana, foram para Clermont. Eles parecem tão fechados, não sei… mal falo com eles…

Partimos. Deu tempo de fazer uns pequenos textos, tarefa de francês. Não lembro a hora em que chegamos, mas começamos a caminhar assim que descemos. E que caminhada! Havia trechos mais fechados, outros muito escorregadios – eu tinha a impressão de estar constantemente jogando pedrinhas para trás. Nem conto o números de topadas, foram tantas… mas o pior é falar sempre em português, vou acaba pegando o costume. A verdade é que eu preciso falar português, ainda, principalmente agora – sábado eu estava para ficar louco, fiz tudo em francês, só pude falar português na oração e depois de voltar para casa! [Aquela vontade de falar português sozinho, com as paredes, com os postes, sei lá… aquele desejo que M. e Mme. Piombini começassem a falar português do nada…]

Enfim, a subida não foi fácil. Até meio dolorida, eu diria. Em alguma hora, começou uma escada, e eu comecei a contar os degraus. Com esforço, cheguei a 250, quando terminou a primeira escada. Uma pausa e começava outra. Não contei mais. Na volta eu conto…

Chegamos ao topo. Após mais ou menos 40 min andando, chegamos.

O Pariou é um dos mais belos vulcões da cadeia, com 1210 m de altitude e 97 m de profundidade da cratera: é o mais profundo da França inteira. A boca dele é quase perfeitamente redonda. Tem muito verde – a cratera não é nada do que eu esperava – não é o abismo sem fundo e “quentinho”, se possível com dragões e anões lutando contra os dragões, para forjarem as armaduras mais incrivelmente bem forjadas da Terra Média. Na verdade, é um gramado. Ponto. Tem um caminhozinho para chegar até o centro, onde havia um círculo de pedras – um ninho de dragão? Um altar druida? Gracinha de algum sujeito querendo pregar uma peça? Não sei, não pude ir lá no meio, o tempo não dava. De qualquer forma, é bonito, lá.

Mas ventava. E como ventava. Sério, era MUITO frio – e eu que deixara a jaqueta no ônibus… tinha vezes que vinha o vento e quase levava a gente! Bem forte!

A descida… a descida foi pelo outro lado. Nem contei os degraus, que pena. Mas foi melhor que repetir a vista. A descida foi mais tranquila que a subida – nada de dor no glúteo…

Estávamos já chegando quando enviaram uma mensagem para um brasileiro que não estava com a gente,dizendo que estávamos chegando. Ele não estava. Esperamos o outro guia – os brasileiros que faltavam não estavam com ele. E aí?

Acontece que a gente ia tentar ir lá para o centro, e fomos perguntar ao guia se era possível. Eles não queriam. Fazia frio, no cume, e eles quiseram descer. Descerem um pedacinho da escada e ficaram esperando. Depois decidiram ir. “Vamos esperá-los no ônibus!” Atrasamos mais de quinze minutos por causa deles! Mas pelo menos eles esperaram – dizem que em Lyon, deixaram três pessoas para trás… mas também: se deixassem-nos para trás, não teria nem como voltar, diferentemente de Lyon, que tem trem.

Chegamos em Vichy por volta de 21h. Atrasados (por causa de quem mesmo..?)

C’est ça. Amanhã tem uma degustação – tomara que seja boa!

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Castelo de Billy

Como eu já havia dito, hoje houve uma visita ao castelo de Billy, próximo a Vichy (menos de 15min de ônibus). Faites attentiona: não se pronuncia “Billy” (como o Power Ranger azul), mas “bi-í”. Foi engraçado, porque nossa aula acabou um pouquinho tarde e eu ainda tive que procurar um endereço para colocar uma carta no correio (portanto, não foi lá pra casa, porque eu sei o CEP de lá de cor)(ou diríamos par cœur?) . Quem receber, saberá. De qualquer forma, deu tempo de colocar a carta no correio (tem uma agência ao lado – literalmente – do Cavilam!). E o melhor é que eu comprei  envelopes “port payé” – “já pagos”, “pré-pagos”, o que significa que não precisa de selo, basta colocar na caixa de correio.

Enfim, deu tempo de ir até o correio e ir até à Place de la Victoire (praça da Vitória),de onde o ônibus sairia. Não se haviam passado mais do que quinze minuto, quando o ônibus estacionou. O castelo, como era costume na Idade Média, é situado no topo de uma colina. É uma castelo forte, não uma residência real (château fort, em vez de château. Exemplo de château: Versailles, Louvre, que se traduziriam por ‘palácio’); não sei se lá tinha um quarto para o senhor; acredito que sim. Mas eles não moravam lá, os Bourbon. O capitão morava numa casa ao lado, que se comunicava com o castelo por uma ponte.

Pois bem, o castelo costumava ter um fosso, antigamente, e uma ponte levadiça – na foto, há uma parte da parede que dá a impressão que falta algo lá: é o arco da porta. Há também um espaço para a grade e dois buracos na parede, para os lanceiros atacarem os invasores que se aproximassem da porta. Passando pela porta, o espaço é vazio – aparentemente, essa era a organização dos castelos no fim do século XII e começo do XIII, período em que esse castelo foi construído. Não há salões e grandes corredores e quartos para os servos. De um lado, há um vazio na parede, como que em forma de chaminé. Sim, era uma chaminé. Diametralmente oposta à chaminé, localizava-se a estrebaria.

Começamos o tour pelo centro, depois a turma foi dividida; a minha foi primeiro por cima. Subimos na muralha; lá de cima, era possível ver muito bem a cidade, incluindo a casa do capitão, a igreja, o rio Allier… e um pedaço de uma das torres de guarda. Eram quatro, essas torres, duas com escadas, duas sem. Essa não tinha; logo, a subida teria de ser por uma das outras torres. Claro que havia lugares por onde atirar flechas nos invasores! Depois, as torres centrais. Esqueci pra que é que serviam… mas lá pareciam os “cômodos” do castelo. A maquete era numa dessas salas, também (a mesma sala em que a mulher ficava fiando). A muralha continuava, fomos até a quarta torre. Era a preferida, na hora da invasão, pois era de acesso mais difícil (o invasor teria que subir a escada da primeira torre e arrodear toda a muralha, ou atravessar todo pátio e subir na terceira torre, a central, para chegar à quarta, e isso os deixava vulneráveis). Passamos pelo sanitário, junto à terceira torre. Pela foto, vê-se que a situação era bem precária (e nem quero saber com quê eles se limpavam!).

Descemos.

Há várias salas, na parte de baixo. Há o armazém, onde eram guardadas as comidas, sobretudo o trigo. Há um grande poço, com uma grade, onde o trigo era colocado, e havia uma roldana para o tirar. Havia, do verbo não há mais. Havia outra, a parte de baixo da quarta torre, ao lado da lareira, que havia sido transformada em prisão. Era um lugar pequeno e escuro, devia ser absolutamente escuro, com a porta fechada. Não se sabe quantas pessoas ficavam presas a cada vez. A cela perdeu sua função com a Revolução Francesa.

Depois, visitamos a capela. Era bem pequena; a porta era enorme, mas foi substituída por uma menor, por volta do século XV, para diminuir o frio. Havia também dois vitrais, um dos quais foi tirado e preenchido, para formar uma parede, não me lembro com que finalidade. Havia um pouquinho de cor, numa pedra: a capela era a única parte decorada do castelo.

Por fim, resta dizer que uma grande porção da muralha do lado direito havia caído, devido a um ataque a canhão, por protestantes, na época das guerras religiosas. E o castelo de Billy, sendo do século XII, não havia sido projetado para resitir aos canhões.

Foi uma boa visita. A mim, superou minhas expectativas – que já não eram altas, desde que meu professor dissera “Château de Billy? Belas ruínas…”; de fato, eram ruínas. Não havia mais a ponte levadiça, nem as grades, nem os telhados, nem a ponte que levava à casa do capitão. Mais c’est bien. Ainda vão haver visitas a outros castelos, espero que estejam mais conservados.

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