Saint Louis

Hoje foi um dia de crise… crise pequena, simplesmente veio num momento em que eu andava pela rua , depois de me despedir do pessoal – uma espécie de falta de amor, falta daquele  amor aconchegante dos meus mais próximos… a parte boa é que hoje eu não consegui rezar ao meio-dia, então eu fui depois. E nessas horas, eu acredito firmemente que Ele é meu único amor, só Ele me basta. Não que tenha sido simples assim, foi uma oração conturbada, inquieta, mas, no fim, o amor venceu; o Todo-Amoroso se levantou da barca e me disse “não tenha medo”, e disse ao vento e ao mar: “Acalmem-se”. E a paz se fez naquela barca que segue os rumos que Ele vai ditando. Ou nem tanto assim, talvez um pouco mais lento, com tendências a se distanciar, mas o rumo geral, na medida do amor (que é amar sem medidas).

Isso foi na igreja de Saint Blaise, que é a maior, a sede da paróquia. Mas ela retomou (vonteda de escrever algo estilo “reprendeu”, pensando no francês “reprendre”!) esse posto só em 1931, com a inauguração e bênção; até lá, desde 1865, a igreja de Saint Louis – São Luís IX, rei de França – ocupava esse lugar. E é assim que eu parto para o tema de hoje.

Eu não tenho um guia aqui contando a história da igreja, então estou suscetível a erros. O que eu sei é que pela metade do século XIX, quando o imperador Napoleão III começou a fazer suas visitas a Vichy em tratamento, as Missas eram na igreja de Saint Blaise, naquela época constando apenas da parte antiga, que era bastante pequena. Para que a Missa fosse celebrada mais dignamente para a quantidade crescente de pessoas que buscavam Vichy, ele ordenou que se construísse outra igreja no novo centro de Vichy em expansão. A igreja foi abençoada em 1865.

Ao fundo, um órgão grande e imponente (gosto muito do som dele, por mim, os hinos da Missa, tirando o Glória e o Sanctus, poderiam ser só intrumentais – só o órgão) impressiona por seu tamanho. Pelo menos a mim, ele impressionou. Pelo que eu entendi, o orginial estava desgastado (pela falta de uso) e teve de ser substituído; esse agora é uma cópia do anterior, feita em 1990.

E, para não perder o costume, o vídeotour pela igreja!

Espero que gostem. Até amanhã! (Não sei se vai dar pra escrever amanhã mesmo, mas eu vou a um vulcão!)

*Atualização: esqueci de postar o órgão em funcionamento, na manhã do sábado:

Saint Blaise

Hoje, eu fui à Missa de 11h15 na igreja de São Brás. Foi a primeira de que eu participei na parte “nova” da igreja – durante a semana, a Missa é na antiga igreja.

A antiga igreja data do século XII, bem como a devoção de Nossa Senhora de Vichy (Nossa Senhora dos Enfermos); mas não é ela que pode-sever hoje; em 1714 ela foi reformada e ampliada – praticamente reconstruída. Seria a igreja paroquial até 1865, com a construção da igreja de Saint Louis. A imagem da Virgem lá presente também não é 100% original: durante a Revolução Francesa, a imagem da virgem negra sofreu grandes danos, mas conseguiram salvar a cabeça, e hoje vemos a cabeça original com o corpo reconstituído. É chamada “a Virgem que opera rápido” – alguém tem ideia do porquê?

Entre 1925 3 1931 foi construída a nova igreja, maior até que a de Saint Louis e é a primeira igreja de concreto armado [do mundo, acho]. Sua arquitetura é única, uma demonstração de art déco no seu início. Muito bonita, por sinal. As igrejas na França – pelo menos as em que eu entrei – não são como as o Brasil; a gente entra e tem uma antecâmara, depois é  que é a igreja. Mas isso dá pra ver no vídeo:

Pois é, não sei se deu pra ouvir direito, mas é isso.

Pois bem, hoje, teve primeira comunhão, também, umas quatro ou cinco garotinhas, talveza mais nova tivesse 7, a mais velha, 10 anos, no máximo. Tinha um bebezinho tão fofo na minha frente – o cabelo loirinho e ralinho, beeeeeeem gordinho!

Depois eu almocei no mesmo lugar de ontem – Flunch, hoje eu decorei o nome. Provei hoje um prato francês: galette de sarrasin. É uma espécie de massa escura de trigo com um recheio:

só que eu meu só tinha dentro queijo de cabra e mais algum coisa, talvez fosse uma espécie de leite de cabra (era galette de sarrasin au chèvre, então…). Sobremesa: tiramisu au kiwi.

Cheguei em casa, estavam aqui o genro dos Piombini com sua filha, que eu conhecera outro dia, Léa. Conversei um pouco com ele, foi bom, consegui entender tudo…

De noite, ainda assisti ao final de Procurando Nemo, a TV (Le monde de Nemo) (sim, se fala Nemô, mesmo). A Dori e o pelicano falam muito rápido, é horrível de entender!

E é isso. Agora, tentar dormir mais cedo (antes disso, programar como vão ser meus passeios, que a partir dessa semana, vai term muitos, e eu quero pegar o máximo possível!)

Sábado sozinho

Bem, chegou o sábado. Dia de faire la grasse matinée, como me disse o M. Piombini. Verdade: acordei 11h15! Mas deu tempo de tomar café da manhã e ir ao correio (La Poste). Cartão postal para alguém. Do Château de Billy! (Porque eram os únicos que eu tinha, diga-se de passagem. O pior é que o espaço do CEP não cabia um código do Brasil, mas não faz mal. O selo não é bem um selo, pelo menos o que eu comprei; era um adesivo sem figura, só um nome dizendo que havia sido pago.

Hoje foi um dia forever alone – pra quem sabe o que é isso. Não que tenha sido solitário, mas não foi nem um pouquinho social: fui ao correio só (até aqui, tudo bem); depois almocei sozinho (que triste) (pior que eu nem consegui encontrar a Cafétéria de Paris, almocei num outro restaurante por lá; 8,80 EU, se bem me lembro. Empanado de peixe, macarrão, arroz, molhode tomate, mais morango, kiwi e uma fruta cujo nome eu não me lembro – mais pão, claro.

Depois, o cinema.

Kung Fu Panda 2 é ótimo, mas a melhor é parte é entender o filme! Inclusive palavras que eu aprendi essa semana – por exemplo, paon, que se pronuncia “pon”. É uma sensação maravilhosa, é como dizer “eu estou aprendendo o francês de verdade”. E avançando bastante, até! Acho que o ouvido, querendo ou não, acaba se acostumando à língua. Ou talvez seja porque o filme é infantil, eles falam mais claramente. Prefiro a hipótese 1. O que não significa que eu consiga entender uma turma de jovens que entrou no banheiro masculino – só dava pra saber que eles estavam falando francês pela sonoridade, mas nã consegui captar uma palavra. Mas o tempo virá…

Terminado o filme, fui a uma loja da Orange para comprar um chip para o celular. Ainda vou comprar um celular novo – um iPhone, se possível – mas prefiro deixar para quando chegar a Marseille, geralmente os preços para pacotes celular + fixo (+internet, e não tiver na residência, ou se for ruim) saem mais em conta, inclusive com direito a ligações internacionais! Espero que o resto do pessoal se convença a ter um número de telefone desde aqui, principalmente se for Orange! Mas eu iria precisar do meu, caso eu queira sair e voltar depois das 20h (o último ônibus passa no Quatre Chemins – o centre commercial, como um shopping – às 19h41), aí eu posso ligar pro M. Piombini ir me pegar (se ele já tiver se colocado à disposição para tanto, é claro) ou chamar um táxi (quando eu descobrir o número de um, eu ligo).

Fui rezar na igreja de Saint Blaise; todos os dias tem adoração, cada dia numa igreja diferente (pelo menos, em se tratando de St Blaise St Louis), e no fim tem Missa (segunda, quarta e sexta às 17h em St Louis e terça e quinta, 18h30 na St Blaise). A Missa de hoje, sábado, era na Saint Louis. 18h. Missa do domingo – pude estrear de fato hoje o livrinho da liturgia que eu comprei – antes, eu olhava só as respostas dos ritos; hoje eu companhei as leituras (mas das outras vezes eu conseguia entender, também, mesmo sem ler; a atenção é que…). Foi bem agradável.

Voltei para casa e – voilá! Meu dia sozinho, mas nem por isso desagradável.

Roissy

O hotel era muito bom. Meu quarto era o 318, no terceiro andar. Tinha vista pro estacionamento dos ônibus… ¬¬ Mas eu gostei. A descrição do hotel está no vídeo.

 

 

Gravei isso (horrível!) logo antes de me deitar (ou seja, nem cheguei a ver o céu noturno) (deve ser estranho olhar pro céu e não procurar imediatamente o Cruzeiro do Sul!). Antes disso, eu cheguei ao hotel, abri o quarto, deixei as malas no chão e me joguei na cama!

Logo depois, fui tentar acessar a internet. Tinha no panfleto que o Wi-fi era incluso no preço, mas a página inicial tinha um “compre um pacote da Hub Telecom” e um especo para usuário e senha. Liguei pra recepção e desci pra pegar um cartãozinho com a senha. Coloquei algumas coisas no Facebook, tomei um banho. Liguei pra recepção, perguntando se eles não tinham um adaptador de tomada. Ter, não tinham, mas tinha uma máquina que vendia. 6,50 EU (alguém me ensina a escrever o símbolo de euro, que no meu notebook era pra ser Alt GR + 5, mas aparece isso: ¢). Bem, eu ia ter que comprar, mesmo…

O jantar foi meio caro. Quase eu não consigo entender como era; tinha o maître (parecia coisa de filme!) e tinha as opções de cardápio à La carte ou bem buffet (=self service), mas tinha que pedir por pacote – peguei de 19,00 EU por prato principal + sobremesa liberados. Suco de laranja. Deu 21,20 EU. Se todo dia o jantar for a esse preço, é bom eu aprender a cozinhar logo! Voltei pro quarto, a Iara tava online. Baixei o Skype pra falar com a minha família. Foi legal, vê-los! Garanti a eles que tava tudo bem, “mostrei” meu quarto, ouvi alguns conselhos (não vá sair por aí e se perder, viu?) Mães… são tão preocupadas… agradeço muito à minha por isso!

Tava na hora de a Iara ir pro Shalom e desligamos. Eu fiquei na net mais um pouco. Um tempinho depois, meu pai entrou no Facebook. Disse que ele e a mãe iriam à Missa todos os dias, já que eu não ia poder, aqui. Eu… eu faltei foi me acabar de chorar, quando ele disse isso. Foi rápido: eu li a mensagem normal, terminei já com a cara vermelha, as lágrima saindo. Eu tenho os melhores pais do mundo!!!! Tenho a amargura de dizer que penso que não faria por eles o que eles fazem por mim… chorei intermitentemente até a hora de dormir. Num desses intervalos de choro eu gravei o vídeo do quarto!

Antes de dormir, noutro intervalo, liguei pra recepção, perguntando se existia alguma igreja pra ir à Missa no dia seguinte. A moça disse que sim, na igreja da vila, que era a uns 5min a pé do hotel. A Missa era às 9h. Coloquei o despertador pra 7h50.

Acordei com um pouco de sono. Tomei banho, me vesti e fui tomar o café. Esse, pelo menos, era livre. Um pãozinho (não quis partir uma baguette). Escovei os dentes, perguntei onde exatamente era a igreja, a mulher da recepção me deu um mapa. Não era longe.

Roissy parecia uma vila cenográfica; ruas cheias de flores, casas com um estilo meio antigo, postes de ferro (consigo imaginá-los sendo acesos com fogo). Mignone, se diria aqui. A igreja era relativamente pequena, tinha cara de antiga (dentro tinha uma placa pedindo orações pelos soldados mortos de Roissy entre 1914 e 1918!) A parte do fundo da igreja, onde tem o sacrário, também parecia antigo, num estilo gótico. Consegui entender quase tudo; o padre falava fácil, pausadamente. Não tinha jornalzinho da Missa, mas tinha filhinha de cânticos. Não eram os mais bonitos do mundo, mas é melhor que as Missas da semana, em Fortaleza. A senhora na minha frente tinha um livreto, do tamanho do Pão da Vida, “Prions en Église”, da liturgia. Pedi para olhar. Hoje era celebrado Corpus Christi, ainda! E tinha tão pouca gente, na igreja… acho que menos que a Missa de 6h30 na igreja de Fátima (proporcionalmente). Oração eucarística não tem respostas, foi estranho. Mas a estrutura era a mesma: entrada, sinal da cruz, Kyrie, Glória, liturgia da Palavra, homilia, credo (rezei o credo em português, mesmo, que era difícil acompanhar em francês), preces, ofertório, oração eucarística, Pai Nosso, abraço da paz (La paix du Christ) , Agnus, comunhão (em duas espécies, hoje). A hóstia parecia feita artesanalmente, tinha uma coloração como se tivesse ficado um pouquinho tostada. Um pouco crocante. Muito bom, receber Jesus assim. Umas homenagens ao padre, que estava indo embora, última vez que celebrava naquela igreja (detalhe: só tinha Missa ali no 1º e no 4º domingos do mês, foi sorte eu ter chegado num 4º domingo!).

Voltei rápido, com medo que o ônibus (car em francês =ônibus de viagem, diferentemente dos bus, urbanos) já fosse. Esperei quase até quinze pro meio-dia, quando me ligaram da recepção. Entrei no ônibus e me sentei perto do fundo. Justamente do lado dos dois outros brasileiros do ônibus! Estou escrevendo do ônibus, aproveitando o tempo. (Claro que isso foi publicado depois, mas e escrevi tudo no ônibus (este post e o anterior). A previsão é de chegarmos a Vichy perto das 20h (umas 15h o Brasil).

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(as fotos sem legenda são o caminho entre o hotel e a igreja, pela avenida Charles de Gaule)

*Em tempo: chegamos por volta de 18h30; jantei carne com cenoura na entrada, spaggheti como prato e flan de sobremesa.