Clermont-Ferrand

O tempo passa cada vez mais rápido, aqui, No começo, é incrível como dava tempo de ir às aulas, à Missa, às excursões, digitar e dormir. Hoje, o tempo mal basta para as aulas! Mas desde que eu mudei para o atelier de teatro, tem menos redação para fazer – o de preparação aos estudos universitários estava me matando com os exposés e resumés todos os dias! Sem contar que, no mesmo período tinha exposés e resumés na aula da manhã! Mas agora tem sido tranquilo.

O teatro é muito divertido. Acredito que eu vou aprender vocabulário, melhorar a expressão oral e corrigir o sotaque. E ainda me divertir! Essa semana teve atividades de criatividade, de interpretação de pronúncia, e improvisação… e ela disse que o sotaque fica menos perceptível quando a gente fala um texto com a entonação. Que bom, porque todo mundo percebe o  sotaque cantado.

Mas enfim, quarta-feira, fomos a Clermont-Ferrand. Foi bom porque não havia muitos brasileiros – não falei com eles, pelo menos (aquele estilo de gente que fala direto de mulher e bebida). Clermont é um pouco longe de Vichy. É a capital da região do Auvergne, mas fica no departamento do Puy-de-Dômes (Vichy fica no Allier). Mais ou menos uma hora e meia depois de viagem, chegamos à cidade. Sim, é bem grande! O nome “Clermont” vem de “clair mont”: monte claro. Apesar disso, é conhecido como a Cidade Negra (sem trocadilhos com grupos brasileiros), por causa das construções em uma pedbasáltica, chamada “peda de Volvic”, que tem cor escura. Passamos mais ou menos perto da sede da Michelin, mas não vi nenhum bonequinho da Iara bebê (quem entender, entenda).

Assim que descemos, os formaram-se dois grupos: um que iria ter mais tempo de visita histórica e menos tempo livre, e outro com menos história e mais compras. Sinceramente, me choca saber que as pessoas compram uma excursão para fazer compras; tudo bem que lá dev ter coisas que não existem em Vichy, mas… para mim, não vale a pena. O que se vê de história numa excursão dessas, não há dinheiro que compre.

Começamos pela basílica de Notre Dame du Port (Nossa Senhora do Porto); era muito linda, com toda um arquitetura em estilo românico, com características típicas do Auvergne, como o estilo de mosaicos por fora. Aparntemente, a primeira igreja teria sido construída no século VI, mas fora totalmente reconstruída no século XII, além de outras obrasmaisrecentes, como a torre do sino do século XIX (a original havia sido destruída na Revolução Francesa – que novidade…). Mas não era feita de Valvic, mas de arcosa, um tipo de pedra meio amarela. Por dentro, a igreja era toda amarela. Isso a tornava bem clara, mas era uma reprodução da pintura do século XIX; o original, do século XVI, acho, era uma pintura bem decorativa, como era possível ver nos altares laterais.

Saindo da basílica, andamos um pouco. O animateur nos pediu para esperarmos um pouco, enquanto ele ia “bem ali”. Ao voltar, disse para nos apressarmos, que ele tinha conseguido um privilégio: iríamos entrar na catedral de Clarmont-Ferrand! Ela fecha às 18h, eram 18h em ponto, e ele havia conseguido, com o vigia da igreja, que a gente entrasse. Foi rápido. Mas deu para a gente ver que era linda. Sim, perfeitamente linda, totalmente gótica, por dentro… Céus, como eu posso descrever? Estonteantemente deslumbrante… escura, era uma catedral negra, absolutamente gótica, absolutamente celeste. Ao que me parece, fora construída em três séculos diferentes. As velas, dezenas delas no altar de Nossa Senhora, não as velas dentro de vidro que têm em todos os cantos, mas daquelas bem compridas. Muitas. Muito rápido. Parfait.

Saindo, fomos a uma fonte também construída com a mesma pedra. Muito linda. Não me lembro mais da história associada à fonte – mas lembro que havia mais de 30 fontes em Clermonte-Ferrand.

Depois visitamos a catedral por fora, não vimos muita coisa nova. Descemos a rua da catedral e andamos um pouco até a Place de Jaude. Lá, havia uma estátua de Vercigentorix, o heroi gaulês que teria vencido o exército de Júlio César pela primeira vez, sendo o único povo capaz de resistir à dominação romana por muito tempo. Alguma dúvida da origem do Asterix?

Nem falei: os três “herois” de Clermon-Ferrand são Vicigentorix, Blaise Pascal (físico, matemátco e filósofo do século XVII, que era da cidade), e o papa Urbano IV (que era de região também e que organizou a primeira Cruzada partindo de Clermont!).

A visita guiada estava acabada; havia ainda uma hora para retornar: uma hora livre. Voltei à catedral,  voltei à fonte, da fonte eu vi uma torre bonita; desci num elevador (porque a fonte era num nível elevado em relação à rua, embora fosse no nível da  rua do outro lado), cheguei a sair do mapa do centro da cidade que nos haviam dado, mas cheguei numa igreja. Fehada. Mas era bonita, de qualquer forma. Voltei à praça onde seria o reecontro e ainda fui numaloja Monoprix, só pra passar o tempo. Quando todo mundo já tinha voltado, esperamos bastante, depois tivemos que andar um bocado para chegar ao ônibus. Subimos.

Voltei no caminho escrevendo sobre a Eurodisney – só por isso foi que eu consegui publicá-lo na quarta, senão… mesma coisa: escrevi este post no caminho da volta de Puy-en-Velay.  E ainda tem o château de  Busset…

Fotos: nenhuma minha.

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Subterrâneos de Cusset

Quarta-feira fomos aos subterrâneos de Cusset. Cusset é uma cidade vizinha de Vichy, com 13 mil e poucos habitantes. Alguns estudantes do Cavilam, inclusive, moram lá.

Apesar de a cidade ser próxima, e ra meio longe da entrada da cidade, o lugar aonde íamos. Chegando lá, nos deparamos com uma cena de museu, com uma maquete de alguma construção e uma maquete da cidade, alguns cartazes, etc. A guia era bem engraçadinha! E sim – aquilo era um museu. Na verdade, era a antiga torre da prisão, e a maquete era de Cusset no século XV. Havia uma muralha ao redor da cidade, com quatro grandes portas e outras construções – entre elas a prisão. A maquete de construção era uma dessas portas. Mas deixa eu começar pela história.

Cusset não era governado por um político. Pelo século XIII, mais ou menos, o líder de Vichy era a madre abadessa da abadia que havia na cidade. Não havia uma organização militar, logo, se houvesse uma guerra, Cusset não tinha com o quê se defender. Assim, a madre recorreu ao rei Filipe, o Belo (Phillipe IV) e conseguiu dele a construção da muralha ao redor da cidade. Durante a Guerra dos Cem Anos, a cidade não foi diretamente atacada pelas tropas inglesas, mas foi saqueada por mercenários, que destruíram parcialmente a muralha. No século XV, a muralha foi reconstruída, a mando de Luís XI. A nova muralha era uma construção moderna, capaz de suportar tiros de canhão e tudo mais; até o fim do século XIX, ela teria sido capaz de resistir a qualquer guerra – se tivese passado por uma: naquela época, Cusset era uma cidade perto da fronteira, e o Auvergne se preparava para uma guerra contra a Bourgogne, foi o que eu entendi. Com a morte do duque de Bourgogne, o conflito cessou (essa foi a parte que eu não entendi muito bem).

A outra maquete era uma das portas, a porta de Doyat. Ela tinha forma de um “A” quadrado, ou de um 8 de calculadora sem o traço inferior. A parte das “perninhas do A” era a passagem para a entrada (cour anglaise), enquando o resto era o “quartel” (cour des soldats). Para passar pela passagem, era preciso que duas portas levadiças fossem abaixada, uma por fora, uma por dentr, porque a cours des anglais não tinha piso, logo, se as duas não estivesem abaixadas, alguém que tntasse passar cairia no fosso. Também era imposível entrar pelo fosso, pois havia guardas nas laterais, inclusive com canhões, para impedir essas entradas. Era impossível também entrar cavando um túnel – as chamadas “minas” – pois a porta contava com contraminas para combatê-las. Tudo isso se localizava no térreo. Ora, alguns séculos mais tarde, no XVII º, o fosso foi aterrado e maior parte da muralha destruída. Restaram intacta a torre da prisão (que hoje abriga o museu), porque era ainda utilizada, e alguns subterrâneos – que eram o térreo, mas foram encobertos com o aterramento do fosso.

Depois das explicações, fomos aos subterrâneos. Andamos um pouquinho pelas ruas de Cusset e descemos as escadas. No caminho, passamos pelo Hôtel Dieu, uma antiga constução termal que sofrera um incêndio, e hoje não resta mais que a entrada. Ao lado, uma igreja – e não tinha como não pensar num trocadilho estilo “Il y a un autel de Dieu à coté de l’Hôtel Dieu” (autel = altar, mesma pronúncia de “hôtel”).

Dentro dos subterrâneos, era escuro e úmido – Cusset é cheia de fontes irregulares, e uma delas havia brotado do nada embaixo do Hôtel Dieu. É tanto que uma parte dos subterrâneos é cheia de água que cai do teto. A constução é bem simétrica, e há meutriers (lugar para os arqueiros ficarem e atiraram por janelas estreita) nas paredes em direção ao centro e cannoneries (para os canhões) pra fora. É escuro, lá. Havia um lugar da contramina, onde ficava um guarda junto a uma bacia d’água; se a água começasse a tremer, era sinal de que estavam cavano uma mina, e ele corria para avisar os outros. Bem engenhoso! Havia também os buracos de ventilação no teto, saída de emergência e uma estratégia suicida: se nada desse certo e os inimigos entrassem na porta, havia um espaço onde provavelmente ficava um canhão, mas era orientado para dentro; acredita-se que numa emergência, os guardas atirariam uma bala de canhão na própria parede, de modoa implodir o prédio, e, com ele, os inimigos.

Depois dos subtrrâneos, o museu. De volta à torre de prisão. São três andares de muse  com itens dos mais diversos tipos  – pedras pre-históricas, armas e armaduras de cavaleiros, utensílios domésticos, pinturas, canhões, livros, estátuas e até as mãos de uma imagem da Virgem Maria do século X, se não me engano. Muito bonito!

Voltamos para Vichy antes de 18h30. Conseguiram convencer a motorista a parar na Gare (estação de trem); eu desci lá, também: meu ônibus também passava lá, e ainda que não passasse, era bem mais perto da minha parada. Consegui pegar o penúltimo ônibus. Quando chegou em casa, o Xù (meu chinês) perguntou se eu não tinha ido para a visita, já que eu tinha chegado antes dele.

Como de costume, voilá as fotos:

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Passeio em Vichy

Estava marcado para 19h. Voltei à casa dos Piombini só para tomar banho – as caminhadas me haviam deixado bastante suado. Tempo de tomar banho, trocar de roupa e partir. Dezenove e oito. E nove. E dez. E quinze. E vinte.”É, acho que eu perdi o ônibus de 19h08″). Dezenove e vinte e oito. Acho que não acertei exatamente a parada onde a gente havia descido de manhã – desci praticamente em frente a St Louis, e acho que havíamos andado, de manhã, antes de lá chegar. Andei até o Cavilam. Dezenove e quarenta. Estavam saindo, primeiras palavras, em frente à Mediateca (la Médiathèque). Um primeiro grupo havia saído antes, disse um outro brasileiro.

Fomos primeiro a uma fonte, source des Celestins. Água… tônica? Bem, bom ou ruim, Vichy é uma cidade termal, tem várias fontes, e muitas pessoas buscam vão lá se tratar de doenças. Entre elas, a marquesa de Savigné, que, curada de uma paralisia na mão, ajudou a popularizar bastante as águas de Vichy. Ela mandou abrir algumas ruas que eu não me lembro mais.

Napoleão III, que foi imperador da França entre 1852 a 1870, pouco depois da derrota de Napoleão I (o mais famoso), também veio a Vichy em busca de tratamento. Segundo a Wikipedia, ele sofria do coração, inclusive urinava sangue, reumatismo, hemorróidas, problemas digestivos e gota (juro como eu não entendi tudo isso do guia); para ser acolhido à altura em suas visitas frequentes à cidade, mandou construir chalés para si e para sua corte, além de um grande parque à margem do rio Allier (e põe grande nisso! Fizemos três paradas, no mínimo, até a ponte, mais três depois dela) (não atravessamos a ponte, simplesmente passamos por ela, foi o que eu disse). Vimos o chalé de Napoleão III e demos uma passada por algumas ruas da Vieux Vichy (vieux = velha); várias casas em diversos estilos arquitetônicos, neo-ingleses, neo-venezianos (chamado neogótico florido), e coisas do gênero. E a casa de Strauss entre 1861-62, também! Ele tinha vindo a Vichy com a corte de Napoleão III, e essa casa era temporária, esperando a construção de seu chalé (hoje, é chamada Villa Strauss).

Durante a segunda guerra mundial, o governo francês se mudou para Vichy, dirigido pelo marechal Pétain, a fim de ficar mais longe dos alemães, para os quais Paris era um alvo mais fácil e de fuga mais difícil. Nessa época, o termo República da França foi substituído por Estado Francês. Pois bem, nós passamos pelo apartamento dele (do marechal, que assumia o posto de chefe de Estado).

Passamos, ainda, pela ópera de Vichy; eram prédios anexos, o Grand Casino (inaugurado em 1901) e l’Opéra de Vichy (1902). Durante o Governo de Vichy, o conjunto foi usado como sede do governo. Atualmente, o município de Vichy batizou (após reformas que se seguiram a um incêndio) de Palais des Congrès-Opéra.

Por fim, visitamos o centro termal de Vichy, o hall des sources e o centro termal propriamente dito, com hotel, lojas, etc. Os guias não explicaram muito – acho que estavam ansiosos para ir ao bar (“atividade cultural” seguinte)…

M. Piombini me havia emprestado seu celular. Telefonei para sua casa assim que a gente começou o caminho devolta, quando cheguei ao Cavilam, ele já estava lá vinte e uma horas e jantar e Skype e blog e cama e duas e cadê o sono.

Bom, como eu dormi tarde, hoje vou tentar dormir menos tarde. Tomara que chova, hoje à noite!

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