Château d’If

Sábado, o ICM ia levar o pessoal aos calanques – uma espécie de praia com falésias de calcário, muito bonitas. Mas ia durar o dia inteiro, seria complicado. Fomos à Missa de 11h na igreja do Vieux Port (o velho porto); chegamos 11h04 e o padre já estava terminado o Evangelho! Mas foi bom pela Missa de quinta, a que não havia sido possível ir. Depois, compramos nossa passagens para o château d’If (o quiosque de vendas era logo em frente).

Para quem não sabe, o châteu d’If é a prisão (e a ilha) onde Edmond Dantès, o conde de Monte Cristo, personagem principal do romance homônimo de Alexandre Dumas, fora encarcerado sob acusação de napoleonismo. O livro foi o primeiro best-seller de nível mundial da história, e, depois de ler o livro, hordas de pessoas se dirigiam ao castelo na ilha d’If, para conhecer o lugar dessa emocionante história, pouco se importando se o lugar era uma área militar e uma prisão ainda em uso até o fim da 1ª Guerra Mundial.

A viagem era de barco, muito boa! Aquele vento bom, aquele sol fraco, no céu nublado, uma sensação de liberdade incrível… sim…

Chegamos à ilha. Descemos. Após uma não muito longa escadaria, a bilheteria – os nossos tíquetes valiam só pela viagem. Compramos. Pedimos um manual em espanhol e um em francês; infelizmente, o em espanhol era diferente, não tinha as explicações de cada cômodo do castelo. Confesso que eu ri com aquela carinha de “bem-feito” para quem quer que fosse espanhol e não falasse francês. Entramos na prisão.

Havia uma lojinha logo ao lado da entrada; pulamos. Chegamos ao pátio, que tinha um poço; a visita comentada estava terminando. Visitamos o castelo por conta própria. À direita, uma sala com uma exposição. Vimos o esboço rinoceronte que fora dado de presente ao rei de Portugal, o qual, por sua vez, oferecera de presente ao papa. Na viagem de barco, devido a alguns problemas, o rinoceronte fora deixado por algum tempo na ilha d’If. Até o rei de França fora ver o curioso animal de que tanto falavam. Na segunda parte da viagem, o navio naufragou perto da Itália. Mesmo assim, encontraram o corpo do animal, que foi empalhado e oferecido ao papa.

Perto dessa sala, em outra porta do pátio, uma outra porta dava para a cela de Edmond Dantès. Era grande e mal-iluminada; uma tevê mostrava repetitivamente cenas de Dantès na prisão, abrindo o buraco para a cela do abade Faria, planejando a fuga, etc. Claro que o túnel para a cela vizinha não poderia faltar! Dava pra ver claramente, e acho que dava até para passar uma pessoa de verdade.

Do lado, outra cela, que tinha uma porta para a cela do abade Faria. Não podíamos entrar, mas, do lugar onde tinha a fixa de proibição, dava para ver uma televisão onde nos víamos dentro da cela. Infelizmente, não dá pra tirar foto de TV que preste, então…

Subimos. Em cima, eram as celas pagas, as “pistoles”, devido ao nome de um tipo de moeda francesa. Muitas celas tinham lareiras, e janelas grandes, com grades (nas de baixo, as janelas pareciam janelinhas de banheiro). Numa delas, o homem da máscara e ferro teria ficado – e, diferentemente do Monte Cristo, esse foi encarcerado de verdade, lá dentro. Mas como este é mais famoso que aquele, nem se fala muito do Máscara de Ferro. Domage.

Ainda dava para subir mais. Era lindo, lá em cima; tinha uns mirantes, e dava para ver toda a costa marselhesa (ou não!), a Bonne Mère, as ilhas Frioule… uma das torres ainda dava para subir mais: lá em cima era engraçado, era meio côncavo, como uma cúpula suave. E ventava… sim, como ventava…

Descemos. Fomos à lojinha, compramos alguns cartões postais, e também um lápis flexível pra Iara (lilás, Iara, o que acha?). Quando passamos, a próxima visita guiada havia começado. Meu pai preferiu ficar lá fora, eu segui a visita. Foi legal, deu pra aprender coisas que não tinham no guia ou eu não prestara atenção, como o fato de que havia os nomes de vários condenados políticos escritos em placas meio apagadas nas paredes, ou o sistema de segurança da prisão, ou mesmo que o castelo já havia sido um forte, depois transformado em prisão (o que não era raro na França, ver château de Billy), ou que os últimos presos foram os alemães durante a Primeira Guerra.

A visita continuava na cela de Edmond Dantès. Falou um pouco e acabou ali; o resto seria por nós mesmos. Como eu já havia visitado tudo, saí.

Aproveitei para ligar para os Piombini, mas isso eu conto amanhã.

Voltamos. O barco passava pelas ilhas Frioule, antes de voltar. Deve ser legal, mas eu não sei o que fazer lá; o barco é só o transporte, o resto é por conta própria… bem, voltamos ao Vieux Port. Fomos até uma loja que nós víramos antes, passando pela feirinha de artesanato (cara, como todo artesanato) e demos uma olhada. Galérie Lafayette. Andamos um pouco por dentro, vimos umas boininhas francesas – se a Iara prometer tirar uma foto com ela, eu compro uma e mando pelo pai! – e chegamos ao supermercado. Compramos ovos, leite em pó, geleia, coisas que estavam em falta. E acabamos esquecendo o chocolate em pó… comemos um sanduíche e voltamos para casa.

Chegando ao meu querido 230 – será que se pode dar nome a um studio? Acho que vou batizar o meu… – começamos uma faxina. Limpei o armário – cheio daqueles dejetos de mosca, ou o que quer que sejam aqueles pontinhos pretos. Sem contar em cima, que estava um grude! Depois, o chão, o colchão inflável… ficou ótimo. Organizei os papeis, também, ficou muito bom. Se colocasse a cortina no armariozinho, eu diria que estava pronto! Mas o pau de cortina que a gente comprou era muito grande, vai ser preciso cortar. E onde comprar uma serra de metais, daquela…? Mas até a cortina já foi comprada. E o banheiro… bem, esse é um caso à parte. Tem uns quadrados de piso soltos no chão, e quando se pisa, sai uma água branca não muito cheirosa, de debaixo do piso… vou ver com a direção de residência, se alguém resolve isso. Mas o resto, beleza.

Bem, chegamos ao jantar, que foi a primeira coisa que eu citei no primeiro comentário de Marseille. Com os palitinhos chineses do Xù! (Ainda aprendo a dizer o nome disso em chinês…). Ainda convidaram para uma festa, mas eu não quis ir – nem podia. Domingo era dia de acordar cedo. Iríamos de volta a Vichy.

Château de La Palice

Como a maior parte dos brasileiros já foi a La Palice, pensei que nenhum iria dessa vez. Bem, um não fora, além de mim. Quando eu entro no ônibus, eu o vejo. Mas ele estava do outro lado do corredor, passei a viagem conversando com um chinês professor de francês. Sério, tem MUITO professr no Cavilam! Principalmente em turmas especiais, mas tem uns em turmas normais – como a minha. E tem MUITO chinês, tambem. E geralmente os chineses ficam muito com outros chineses, grupinhos meio fechados, então é difícil conhecer muitos. Mas da pra diferenciar dos japoneses, geralmente, assim como dá pra reconhecer um brasileiro aqui só de olhar. Nem todos, mas isso fica pro final.

O mais estranho era ver o castelo atrás de um grupo de casas… eu sempre imaginara castelos como lugares meio isolados, pelo menos com um jardim BEM grnde ao redor… o castelo de La Palice nem tanto; tinha um jardim grande que se estendia para a frente mas não para trás – por isso havia casas ao redor.

Passando a entrada, um cheiro de grama recém-cortada reinava no ar. À esquerda, um daqueles cortadores de grama estilo carrinho a aparava. A fachada do caselo era linda, com tijolos aparentes decores diferentes, fazendo um tipo de mosaico. Très joli! A parte mais antiga do castelo era a direita, o resto era mais recente. Os descendentes dos antigos donos ainda moram lá! Também quero morar num castelo… 😦  Antigamente, havia uma muralha que ligava a parte direita à capela, do lado esquerdo, mas fora destruída.

Entrando, a guia explicou que não podia tirar fotos, por opçãoda família, já que muitos bens do castelo estavam sendo roubados… aff… logo, as fotos do interior aqui são todas da internet.

Entramos primeiro num salão muito bonito, no primeiro andar. Num quadro, uma pintura dos primeiros habitantes do castelo, Jacques de Chabannes de La Palice (Chabannes é o sobrenome, La Palice é o nome do domínio), imenso! Poltronas e sofás antigos, tipo século XV (século de chegada da família). Muito lindo!

A seguir, uma sala também muito bonita, acho que era uma espécie de sala de leitura, com várias estantes, é um teto tipo com barras. Um espelho e uma lareira – acho que a chaminé devia ser por dentro, que não dá pra ver nem lá nem na outra sala. Retratos, claro, de pessoas que eu não lembro quem são.

Depois, passamos à outra sala, pela outra porta da primeira sala. O salão dourado. MUITO lindo!!! Sério, o teto era fantástico, sem palavras! Um estilo renascentista, único na Europa! E antes era ainda mais bonito, a um canto perto da porta haviam começado uma restauração, em azul com detalhes e com os encontros das traves folheados a outro! Infelizmente, a maior parte estava na madeira, mesmo, porque durante a Revolução Francesa, por medo dos saques, os habitantes do castelo colocaram um forro falso, para proteger o verdadeiro, e quando tiraram, a umidade havia deteriorado toda a pintura… (sinceramente, as piores coisas que já aconteceram à França foram a Revolução Francesa e a guerra de religiões!). Numa parede, uma grande tapeçaria; no outro, duas tapeçarias, misturando o rosto de um homem e uma mulher com algo estilo uma árvore no outono. Um armário tinha no centro uma porta pequena que abria em pinturas trabalhadas nas portas e um espelho, dentro, com outras portinhas que escondem gavetinhas… très joli! A um canto, um poema que celebra a “Verdade de La Palice”.

A “verdade”, que deu origem ao termo “lapalissade”, era um poema sobre o Marechal de La Palice (neto o primeiro senhor de La Palice) que dizia “Hélas! S’il n’était pas mort/ Il ferait encore envie” (Ai!, não estivesse ele morto, faria ainda inveja). Alguém meio míope confundiu o “f” com um “s” (que, na época, podia ser escrito ‘ ſ). Então, ficou “S’il n’était pas mort/ il serait encore en vie” – Não estivesse ele morto, estaria ainda em vida. Daí, surgiu o termo “lapalissade” – dizer uma coisa que é estupidamente óbvia a partir da frase anterior. E o poema que estava escrito a um canto terminava cada estrofe com uma lapalissada, tipo “quando ele escrevia versos/ não escrevia em prosa”, ou “pra vender a sua casa/ era preciso ter uma”, ou “O dia do seu falecimento/ foi o último de sua vida”. Esse é um dos principais motivos da fama do castelo.

Descemos, fomos ao subsolo, onde havia primeiro uma loja de souvenirs, e, depois dela, uma sala com uma coleção de bandeiras do mundo, que os proprietários haviam reunido em 1968, se bem me lembro. É tanto que havia ainda as bandeiras da URSS e da Alemanha Oriental, por exemplo. E, é claro, a do Brasil! ^.^

Depois da coleção de bandeiras, a guia ficou à disposição na lojinha. Comprei quatro cartões-postais e um ímã de geladeira. Depois, fomos visitar o térreo – que é acima do solo mais ou menos meio andar. O primeiro salão tinha, como sempre, algumas pinturas, vasos, bustos – havia uma mãe com seus dois filhos, mas eu juro que o segundo era uma menina! No quadro e no busto, era idêntico a uma menina! Mas acima do busto havia um retrato dele só, e dava para ver que era um menino. Havia também uma cômoda indiana, numa parede!

Passamos para a sala de jantar. Adorei o barquinho que havia acima de um armário! Havia dois móveis com paineis muito bem pintados, mas não me lembro mais como eram as cenas. Também não me lembro do século da mesa… havia na parede uma réplica do “Casamento da Virgem” – jurava que era o original! XD Atravessando de novo o salão anterior, chegamos num salão com uma grande lareira, muito bonita, que trazia sobre si o escudo da casa de La Palice e outro que eu acho que era o da região, não lembro bem…mais quadros, na paredes – acho que os mais bem emoldurados, até agora, em dourado, meio inclinados para fora… era uma espécie de salão para acolher os visitantes, uma mesinha de centro, cadeiras…

Passando daí, uma pequena sala, mais para um corredor, onde havia um quadro da Crucifixão – o orginial fora vendido para financiar obras de restauração – e um quadro redondo (é muito estranho dizer isso!) do Dia do Juízo – perfeito!!! Depois, uma porta – não podíamos entrar, porque era ali que começava a parte habitada da casa. Apesar disso, a visita não havia terminado ainda.

Fomos à capela. Não era bonita, metade dela estava com andaimes protegidos por uma cortina; os vitrais inexistiam: foram destruídos durante a guerra das religiões; havia um túmulo, se bem me lembro de Jacques I (o primeiro a chegar). Os outros, como o do Merechal Jacques II, do qual não restam senão os joelhos dele e o busto da sua mulher, foram destruídos durante a Revoluçã Francesa (sempre ela…), e os corpos, profanados – tiraram o que ainda restava e jogaram em campo aberto. Que triste!  Dentro da capela podia tirar foto – também, o que é que tinha para roubar aí?

Depois, ficamos livres nos jardins. De uma mureta, dava para ver um bocadinho da cidade. Quando eu escuto, um homem do meu lado conversando com o animateur: “Je suis d’une région appelée Minas Gerais, mais j’habite à São Paulo…”. Quando ele terminou, comecei a conversar com ele. É tão legal falar francês com um brasileiro!

Saindo do castelo, uma igreja très sympa! Entrei, aproveitar o tempo que me restava. Não demorou para o animateur vir chamar a gente – o povo é turista mesmo, não pode ver uma coisa antiga que quer ir, tirar foto… Mais voilá!

Ah, só pra esclarecer: o castelo se chama La Palice, mas a cidade é Lapalisse (muito estranho, mas…)

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Domaine de Randan

OK, quinta-feira eu esperava mais da degustação. E a última coisa que eu comi ainda me deixou um gosto ruim na boca, era uma carne seca, impossível de se cortar, imagine de se mastigar! Mais c’était pas grave. No mais, havia alguns pães, queijos, pão surpresa (até hoje não sei o que era o recheio…), saladas, uma espécie de empada de cenoura, um tipo de tortinha de batata, e suco de poli-fruit. Tinha três tipos de vinho, mas eu não quis beber…

Sexta foi a soirée dansante. Eu fui… na entrada, o pacote (forfait – essa palavra me persegue) do Cavilam, a gente tem direito a uma bebida de graça. Todo mundo pedindo álcool por cima de álcool… moi eu perguntei à moça se podia ser qualquer bebida. “Oui”. “Chocolat viennois!” Ela me olhou com uma cara tão estranha, quando ouviu isso, mas… OK. E tava bom… para quem nunca tomou: é uma espécie de chocolate quente com uma cobertura de chantilly – uma delícia quando faz frio! E fazia frio… nunca imaginei que o verão europeu era assim (uma espanhola me disse que onde ela mora, é direto 40°C. Era assim que eu imaginava encontrar a França…). A música lá na pista não estava muito boa… muita música eletrônica sem graça. Fora, a música era mais agradável. Fui pra lá. Apesar do frio. Encontrei uma japonesa (aquela que adora música brasileira), a Sayumi. Conversei com ela, depois chegou uma das suíças, elas me apresentaram um curdo (curdo-iraquiano), o Ali. Foi muito legal, o Ali, a Sayumi e eu conversamos um bocado – foi engraçado ela cantando em português, ela pronuncia até bem as palavras! Aprendi que em curdo, meu nome é Lucas é “nawem Lucasa” (se fala “naâm Lucassa”). Fui emb”ora 1h30 (hora em que terminou).

Acordei 12h30 no sábado! Parte boa: economizei o almoço, que eu acordei e Mme. Piombini foi esquentar o leite. “Ainda vou tomar o café  da manhã?” Sim.  À tarde, rendez-vous no Cavilam; jogamos baralho por bastante tempo – sueca, se bem me lembro, depois quiseram jogar buraco – compramos outro baralho e fomos a uma pizzaria. Infelizmente, o tempo não me permitia mais, porque faltavam quinze minuto para a Missa – até hoje, não aprendi a jogar buraco.

Mais tarde, por volta das 20h, depois do jantar, M. Piombini me convidou para ir conhecer a casa do filho dele, o Jerôme. Eles (ele, a esposa e os filhos) estão viajando, então é o pai dele (M. Pombini) que fica cuidando da cachorra e das galinhas. É numa vilazinha no campo, c’est sympa! E eu comi framboesas – tirando do pé e comendo!!! ^.^

Hoje, Missa das 11h15, depois almoçar com o pessoal do Brasil no Flunch (dessa ves, pedi galette sarrasin completo! Queijo, ovo e presunto!); conheci mais gente do Brasil, principalmente da UFRGS (eles pronunciam ‘urgs’, com ‘r’ inglês). Depois, Randan.

O domínio de Randan era uma grande propriedade; o castelo datava do século XII-XIII originalmete, mas foi reformado já várias vezes desde lá; pela metade do século XIX, a princesa Adelaïde d’Orléans, irmã do rei Louis-Philippe, o comprou. A reforma mais ampla do castelo ocorreu a mando dela, pelo mesmo arquiteto do Louvre e Tuileries (pelo menos, das reformas, acho). O castelo foi duplicado, tornando-se maior e simétrico. Maior parte do terreno era abeta ao público, para que pudessem passar de uma cidade a outra e admirar o castelo e seus jardins, exceto os jardins de trás do castelo, que eram particulares.

A princesa era fidelíssima a seu irmão, o rei. Tão fiel que não se casou: não deixou filho. Quando de sua morte, deixou a propriedade como legado a seu sobrinho, Louis-Philippe, conde de Paris. Sob comando dele, foi criada a nova cozinha, pois a antiga ficava abaixo dos quartos, o que enchia o lugar com os cheiros da cozinha – o que nem sempre é agradável. E que cozinha criaram – um grande corredor, com piso mais ou menos um metro abaixo do solo, com inúmeras portas de um lado, cada uma era uma ala da cozinha. Vimos duas dessas restauradas, a parte dos pães e a das carnes (boulangerie/pâtisserie e rôtisserie). Os engenhos ingleses eram incríveis: os fogões eram todos uma peça só no centro, e não tinha chaminé: a fumaça seguia um caminho subterrâneo! Também a “churasqueira” era um engenho fabuloso: o fogo gerava fumaça, que subia por uma espécie de chaminé; dentro desta, acionava uma “turbina” (calor gerando trabalho… – quero distância de termo!), que fazia rodar um eixo que se conectava a grelha, e a fazia girar. Pesos e contrapesos eram usados para controlar a velocidade a que a grelha rodava. E as janelas: uma mainvela interna poupava o trabalho de ter que sair e fachar os toldos, quando a insloação era muita.

Não havia telhado na cozinha; era plano como uma laje: na verdade, era uma passagem direta do primeiro andar do castelo até o primeiro andar da capela, reservado aos nobres. A capela era bonita, mas nem tanto. A parte de baixo, reservada aos servos, tinha as paredes em papel imitando mármore. ¬¬ Os genuflexórios eram da altura das cadeiras! Havia três estátuas, estilo câmara mortuária, mas sem mortos dentro. Também duas máscaras funerárias – alguns brasileiros disseram que parecia nosso animateur…

Fora, havia as estufas – as laranjeiras eram as árvores mais importantes para Adelaïde, e para a nobreza da época também, se bem me lembro. Elas ficavam na estufa maior, fria. Havia as estufas quentes, logo abaixo, que tinham três fontes de aquecimento – rezam as lendas que eles conseguiam cultivar morangos deliciosos mesmo no inverno!

Mas voltando aos nossos carneiros (retournons à nos moutons – voltando ao assunto…),com a morte de Louis-Philippe, a posse do castelo foi para a sua esposa, Isabelle, condessa de Paris. Ela fez chegar a modernidade ao castelo, com eletricidade (1909) e água encanada (1912), sendo que isso só chegaria a Randan (a vila) em 1935. Ela era estranha – tem foto dela com homens que a gente só sabe que são homens por causa do vestido – ela tem o rosto quadrado, usa chapéu alto, roupa preta… um verdadeiro gentleman!

Quando ela morreu, a propriedade passou para Ferdinand, seu sobrinho, duque de Montpensier, que adorava caçar. Ele só viveu três anos no castelo, mas encheu com seus troféus de caça.

Na verdade, essa foi a melhor parte! Mas não deu pra tirar fotos, c’est dômage… era proibido… é um museu de caça. Vários animais – 450, para ser mais exato – empalhados, muito bom.Mas o melhor não era isso: é que os animais eram empalhads da forma mais realista possível! Havia réplicas de árvores, palha, tudo para compor o ambiente; depois a posição e a expressão dos animais, muito bem trabalhadas! Havia dois linces brigando, e dava para ver o olhar de fúria, além das garras de um arranhando a pele de outro e começando a sair sangue; um leopardo atacando um veado e o filhote correndo com medo; um gato selvagem devorando um passarinho… sério, muito realistas!!! Pior que teve gente que preferiu ficar lá fora, sem fazer nada até dar a hora de ir embora… (depois da visita aos castelo & arredores, a visita ao museu de caça era opcional).

Pois era isso. Pena que não deu pra tirar fotos do museu, depois eu vejo se tem na internet. No mais, as fotos estão aí.

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*Prometo que amanhã eu legendo

Castelo de Billy

Como eu já havia dito, hoje houve uma visita ao castelo de Billy, próximo a Vichy (menos de 15min de ônibus). Faites attentiona: não se pronuncia “Billy” (como o Power Ranger azul), mas “bi-í”. Foi engraçado, porque nossa aula acabou um pouquinho tarde e eu ainda tive que procurar um endereço para colocar uma carta no correio (portanto, não foi lá pra casa, porque eu sei o CEP de lá de cor)(ou diríamos par cœur?) . Quem receber, saberá. De qualquer forma, deu tempo de colocar a carta no correio (tem uma agência ao lado – literalmente – do Cavilam!). E o melhor é que eu comprei  envelopes “port payé” – “já pagos”, “pré-pagos”, o que significa que não precisa de selo, basta colocar na caixa de correio.

Enfim, deu tempo de ir até o correio e ir até à Place de la Victoire (praça da Vitória),de onde o ônibus sairia. Não se haviam passado mais do que quinze minuto, quando o ônibus estacionou. O castelo, como era costume na Idade Média, é situado no topo de uma colina. É uma castelo forte, não uma residência real (château fort, em vez de château. Exemplo de château: Versailles, Louvre, que se traduziriam por ‘palácio’); não sei se lá tinha um quarto para o senhor; acredito que sim. Mas eles não moravam lá, os Bourbon. O capitão morava numa casa ao lado, que se comunicava com o castelo por uma ponte.

Pois bem, o castelo costumava ter um fosso, antigamente, e uma ponte levadiça – na foto, há uma parte da parede que dá a impressão que falta algo lá: é o arco da porta. Há também um espaço para a grade e dois buracos na parede, para os lanceiros atacarem os invasores que se aproximassem da porta. Passando pela porta, o espaço é vazio – aparentemente, essa era a organização dos castelos no fim do século XII e começo do XIII, período em que esse castelo foi construído. Não há salões e grandes corredores e quartos para os servos. De um lado, há um vazio na parede, como que em forma de chaminé. Sim, era uma chaminé. Diametralmente oposta à chaminé, localizava-se a estrebaria.

Começamos o tour pelo centro, depois a turma foi dividida; a minha foi primeiro por cima. Subimos na muralha; lá de cima, era possível ver muito bem a cidade, incluindo a casa do capitão, a igreja, o rio Allier… e um pedaço de uma das torres de guarda. Eram quatro, essas torres, duas com escadas, duas sem. Essa não tinha; logo, a subida teria de ser por uma das outras torres. Claro que havia lugares por onde atirar flechas nos invasores! Depois, as torres centrais. Esqueci pra que é que serviam… mas lá pareciam os “cômodos” do castelo. A maquete era numa dessas salas, também (a mesma sala em que a mulher ficava fiando). A muralha continuava, fomos até a quarta torre. Era a preferida, na hora da invasão, pois era de acesso mais difícil (o invasor teria que subir a escada da primeira torre e arrodear toda a muralha, ou atravessar todo pátio e subir na terceira torre, a central, para chegar à quarta, e isso os deixava vulneráveis). Passamos pelo sanitário, junto à terceira torre. Pela foto, vê-se que a situação era bem precária (e nem quero saber com quê eles se limpavam!).

Descemos.

Há várias salas, na parte de baixo. Há o armazém, onde eram guardadas as comidas, sobretudo o trigo. Há um grande poço, com uma grade, onde o trigo era colocado, e havia uma roldana para o tirar. Havia, do verbo não há mais. Havia outra, a parte de baixo da quarta torre, ao lado da lareira, que havia sido transformada em prisão. Era um lugar pequeno e escuro, devia ser absolutamente escuro, com a porta fechada. Não se sabe quantas pessoas ficavam presas a cada vez. A cela perdeu sua função com a Revolução Francesa.

Depois, visitamos a capela. Era bem pequena; a porta era enorme, mas foi substituída por uma menor, por volta do século XV, para diminuir o frio. Havia também dois vitrais, um dos quais foi tirado e preenchido, para formar uma parede, não me lembro com que finalidade. Havia um pouquinho de cor, numa pedra: a capela era a única parte decorada do castelo.

Por fim, resta dizer que uma grande porção da muralha do lado direito havia caído, devido a um ataque a canhão, por protestantes, na época das guerras religiosas. E o castelo de Billy, sendo do século XII, não havia sido projetado para resitir aos canhões.

Foi uma boa visita. A mim, superou minhas expectativas – que já não eram altas, desde que meu professor dissera “Château de Billy? Belas ruínas…”; de fato, eram ruínas. Não havia mais a ponte levadiça, nem as grades, nem os telhados, nem a ponte que levava à casa do capitão. Mais c’est bien. Ainda vão haver visitas a outros castelos, espero que estejam mais conservados.

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