Vichy à vélo

Nem acredito que minha última postagem foi Clermont… já fui a três excursões depuis cela, mas ainda não escrevi… vocês me perdoam se eu deixar pra falar depois? É que eu fiquei tão animado hoje!

Já que eu acordei 10h50, não tinha nem perigo de tomar o café e ir à Missa de 11h15 na Saint Blaise -apesar de minha intenção original ter sido ir à de 10h na capela das franciscans (rito de São Pio V)… e como hoje é domingo, o último ônibus passa na minha parada da volta às 18h56, o que não me deixaria ir à Missa de 18h e voltar de ônibus. Então, fiz uma coisa que há tempos eu queria: pedi ao M. Piombini a bicicleta dele (a outra, sem ser a que o Xù costuma usar) (já disse que Xù é o chinês que mora aqui?).

Saí umas 11h30, chovia de leve. Be mleve. Peguei minha jaqueta jeans, bastava. Aqui tem bastantes ciclovias, mas não em todas as ruas – então, eu tive que andar pela rua ou pela calçada, em algumas ruas. Mas foi muito legal: nem me lembrava que fazia pelo menos cinco anos que eu não sentia aquela sensação de pedalar, sentiro vento no rosto, sentir que o que eu fizer a bicicleta vai seguir (que nem o carro… ¬¬”); eu moro no extremo norte de Vichy, e o Cavilam é no extremo sul, o que faz 45 minutos a pé, mas nem 15 min de bicicleta! Acho que ainda faria menos se eu não tivesse descido da icicleta tantas vezes. Como na avenida Clémenceau, onde a calçada é de cerâmica e estava molhada e cheia de gente, e como a rua é estreita… (mas é uma das ruas mais importantes de Vichy, sem dúvida). Cheguei ao Cavilam, mas era meio que pra conhecer o tempo. Então, fui passear. Fui a Bellerive (uma cidade perto de Vichy), andei um pouquinho, depois voltei a Vichy, andei pelos parques feitos a mando de Napoleão III; fui até a gare (estação de trem), cheguei próximo do hospital (eu só havia passado por lá uma vez, perdido buscando a gare…),voltei, por algum motivo, voltei a Bellerive, e lá eu encontrei um chinês que faz atelier de teatro comigo, o Yisu. Ele estava indo a Vichy, comprar alguma coisa para comer. Fui acompanhá-lo.

Deixamos as bicicletas no Cavilam e fomos ao Monoprix (supermercado francês; aqui tem um na av. Clémenceau). No caminho, eu havia dito pra ele que eu estava pensando em variar, tinha até proposto ao meu irmão chinês de ir  um restaurante chinês, mas nunca dava certo (sei lá, depois de estar aqui, é estranho dizer “convidar” quando eu não tenho a mínima intenção de pagar por ele…). Bem, depois de olhar no supermercado sem aquela cara de “ah!, é isso que eu quero realmente almoçar”, ele preferiu ir a um restaurante chinês que tem na rue de Paris. Eu queria ir com um chinês justa,emte porque eu não tenho nem ideia do que pedir! Cfomemos um frango com castanha, legumes (cujo nome eu não sei), eu pedi uns camarões e – é claro! – arrroz.

Comemos com pauzinhos, foi tão legal!, nunca tinha comido outra coisa que não fosse sushi, com pauzinhos. É engraçado comer arroz, assim! E eu gostei muito – sei lá, não era alo de tão estrambólico, era até normal… até os legumes eram bons. Conversamos um pouco, mormente falando sobre nossoss próprios países – conversa típica do Cavilam. Mas é legal; a China parece mais com o Brasil do que parece. Tipo, ninguém dá a mínima pra faixa de pedestres, e, principalmente no interior, nem pras leis, como a do controle de natalidade. Bem, meu conceito de Brasil se aplica bem a Fortaleza, não sei o resto.

Depois, eu o acompanhei de volta à casa dele, em Bellerive. Ele me apresentou um pouco da casa, principalmente o jardim – tem até uma pequena fonte, estilo japonês, com algumas carpas. E uma piscina, e um lugar coberto quase à beira da piscina, onde eles comem quando faz tempo bom.Depois, fui-me – mas ele teve de me mostrar com chegar na rotatória perto da ponte, de novo. Eh bien, depois, fui passear mais ainda – afinal, ainda não eram nem duas horas, a a Missa era às 18h! Fui ao norte de Vichy (no caminho, quase caí na calçada molhaa de cerâmica da Clémeceau!), acho que cheguei a Cusset, quando passei por uma rua, lá; cheguei à segunda ponte (que não é longe da minha casa), atravessei, passei em frente ao lugar onde fizemos rafting. Depois fui tudo ao sul, passei pelo hipódromo, pelo campo de golfe, e, acreditem!, é bem grande, tudo. Cheguei até à primeira ponte, entre Bellerive e Vichy, do lado Bellerive. Parei um pouquinho assim que passei por baixo da ponte.

Nunca tinha sentido a água do Allier (o rio que passa por aqui, e que dá o nome ao departemento onde se localiza Vichy: Allier, na região do Auvergne). Não é mais quente nem mais fria que a de outros rios. Sim, apesar de ser a Frença, cada vez mais eu descubro que MUITAS coias não são tão diferentes assim do Brasil… (imagino que para maioria dos estrangeiros, dizer “não são tão” é quase um trava-língua). E tinha até um lugarzinho com algumas plantas aquáticas e algumas garrafas… não, a França não é perfeita, longe disso. Tant mieux.

Bem, voltei a Vichy (no caminho, vi um grupo jogando pétanque!) e andei por um trechinho que eu não conhecia e descobri a Source de l’Hôpital. Pena que tinha uma exposição, lá dentro, por 3€. Acho que eu passo… mas depois fui pro Hall des Sources, só pra provar pela 789¹²³ ª vez das águas das fontes. Só tomo cuidado para não provar todas de uma vez, mas eu sei que já provei de todas pelo menos uma vez (a minha¹…  nunca mais! Mesmo assim, devo ter bebido umas três vezes…). Depois, deixei a bicicleta ao lado da igreja de Saint Louis e comprei um tiramisu (não, não é francês, mas vendia numa viennoiserie que tinha por ali, então, por que não…? – ele dizem muito “pourquoi pas?”, aqui). E comi, é claro.

Fui rezar, depois foi a Missa – véspera da Assunção, já. Sem ter combinado nada, sentei num banco que tinha brasileiros na outra ponta! Foi tão legal a sensação de desejar “Paz de Cristo” em português! E não tem nada como receber Jesus… ah!, pobres os que não acreditam, não sabem o bem que perdem… sim, muito pobres mesmo…

Saindo da igreja, deu para perceber que chovera – tudo estava mais molhado e a sela também. Coloquei a jaqueta e parti. Na metade do caminh, começou a chover, e foi ficando forte! Eu tava correndo rápido, para ver se pegava menos tempo de chuva, e – assim que eu saí da avenue Thermale, a chuva passou. Estranho…

Entrei, comecei a escrever este post, jantei, assisti a um filme de comédia de Coluche (“Inspecteur la bravure”). Gostei, mas eles podiam falar um pouquinho menos rápido…

E foi isso. Só lamento não ter podido tirar nenhuma foto…

¹ Pra quem não viu, minha sourrce = source de Lucas, que tem gosto muito forte, gosto de enxofre…