CAVILAM

O Cavilam (Centre d’Approches VIvantes des LAngues et des Médias) é basicamente um centro de FLE – francês língua estrangeira. Na verdade, um bom centro. Posso dizer um ótimo centro, ou talvez até o melhor – em 2008, ele obteve a maior nota em todos os quesitos, numa avaliação que houve. Pra ser bem sincero, é bem caro. Mas como não sou eu que estou pagando, tanto faz (mas cerca de 264 EU por semana… eu ia ter que morar debaixo da ponte!)

Na verdade, o Cavilam é um renomado centro de formações bem inovador; toda semana, há teste de seleção para novos alunos; em geral, eles são colocados em turmas já existentes, do mesmo nível, ou podem abrir novas – principalmente no verão, quando o número de alunos frequentemente ultrapassa os 3500!!! Pois bem, segunda-feira de manhã há um grande encontro no auditório, onde é apresentado o que é  o Cavilam, onde são passadas as primeiras informações e onde é aplicado o teste de nível. São quatro provas, uma de uso da língua (gramática, expressões…), uma de compreensão textual, uma de escuta e uma redação. Nada de oral… mas também, fazer prova oral com cada pessoa num auditório lotado…

Depois, é apresentado o pessoal da animação – o Bureau nº 5, responsável por várias coisas, como o planejamento de atividades culturais – como o passeio em Vichy, visita a Clermont-Ferrand e a degustação de produtos locais. A saída do auditório é por nacionalidade, e todo mundo pega sua carteirinha na saída. Tem gente de todo o mundo aqui: toneladas de chineses, árabes, russos, noruegueses, mexicanos, chilenos, brasileiros…

Existem dois tipos de aula – pelo menos pra mim, pois eu faço o curso intensivo normal mais ateliers.Há as aulas propriamente ditas, onde a gente aprende a usar a língua de maneira geral, e os ateliers, onde as aulas são voltadas para uma área específica (poderíamos chamá-los de workshops). Em geral, as aulas são de 8h15 a 12h (com pausa de 15min) e o atelier, de 14h a 15h30. Exceto na segunda-feira, quando não há ateliers e a aula é de 14h30 a 16h.

Minha turma da manhã é B2 +3 Existe um sistema de avaliação do nível de línguas estrangeiras na Europa, que começa em A1 (iniciante), A2, B1, B2, C1, C2 (idêntico a um nativo). Ano passado eu fiz prova pro DELF A2 (DELF é o exame que comprova esse nível). Portanto, mas avançada do que eu pensava. Mas ainda assim, tenho conseguido acompanhar.Há bastante gente que quer ser professor, lá. Há três ou quatro norueguesas, uma ou duas americanas, uma japonesa, uma germano-americana, um alemão, uma estadunidense, duas suíças, e acho que já perdi a conta. É estranho ver uma pessoa do seu lado pegar um dicionário de alemão-francês ou norueguês-francês… dá aquela sensação que é pra olhar como se diz algo em alemão, não em francês! Meu professor se chama Christian; ele nasceu na Espanha, mas mora há muito tempo na França. Ele não é normal! Amo muito as aulas dele!

Minha turma de atelier é de preparação aos estudos universitários. Aprende-se um pouco da linguagem utilizada no ambiente acadêmico, tomada de notas, resumos… há duas garotas de Dubai (EAU, não sei qual é o adjetivo pátrio), um chinês, um japonês, um mexicano, um russo e quatro brasileiros (moi inclus).

As aulas são em mesinhas de madeira, formando um quadrado na sala (ou em círculo, como é comum ver chamar no Brasil – não me perguntem o que é um círculo quadrado), e há bastantes atividades em grupo – principalmente misturando falantes de línguas diferentes, para maximizar o uso do francês. É bom pra fugir do português e também das expressões que os lusófonos usamos, abre a novas possibilidades.

O RU também é bem agradável. A comida parece sem gosto – acho que falta refogar as coisas, mas eu é que não vou ensiná-los a fazer isso – aprendi há pouco tempo o significado dessa palavra! Tem uma bandeja e os talheres. Primeira coisa a pegar: pão. Os franceses sempre comem pão. Depois, tem a entrada – frequentemente um tipo de salada – um queijo ou iogurte e uma sobremesa, que pode ser uma fruta ou um doce. Depois tem o prato – de vez em quando tem arroz, mas não muito frequentemente. No RU, já comi uma vez. Enfim, tem uma carne com acompanhamento, que nunca são feijão com arroz. Hoje, por exemplo, teve um tipo de “purê” de brócolis e carne de coelho (ou o ‘purê’ foi ontem?). E o refrigerante, mas custa 0,80 EU.

Tem também a Médiathèque (Mediateca), mas eu nunca entrei lá – como eu trouxe notebook, e minha carteirinha de estudante me dá livre acesso ao Wi-fi, nunca precisei ir. Boa opção para quando não tiver o que fazer: explorar a Médiathèque! Também não vou em falar que o único banheiro masculino que eu conheço é no canto mais escondido possível… (subsolo).

Quem quiser ver mais coisas, tente as visitas virtuais no site do Cavilam: http://www.cavilam.com/fr/le-cavilam/notre-ecole-en-visite-virtuelle-360; a primeira é entre o hall e a mediateca, a segunda é um laboratório, a terceira é a mediateca, a quarta e a quinta não são no Cavilam, mas em Vichy.

Por ora, é isso. Vou dormir, agora.

Primeiro dia de aula – Cavilam

Bem, Vichy é uma cidade (um pouquinho) maior do que eu pensava, tem por volt de 25 mil habitantes. É maior que Roissy (2 mil e pouco). BEM maior. A casa onde eu estou, do Sr. e Sra. Piombini, é um pouco afastada do centro, mas não demora muito pra chegar lá de ônibus. M. Piombini é quem está pagando meu ônibus! Hoje, na volta do Cavilam, ele comprou uma espécie de cartão, como um vale tranporte, mas, até onde eu entendi, não é recarregável. Mas antes de voltar, é bom eu ir, certo?

Quase não consegui dormir esta noite. Fuso horário, acho. Acordei 6h35, café da manhã: pão (torrada), geleia e café com leite (eu gostava tanto do café de mamãe…), depois fomos para a parada. Os ônibus aqui são legais: são bastante pontual! Entra-se neles pela frente, não tem cobrador, só o motorista e um leitor de cartões. Quase ninguém paga em dinheiro,mas se pagar, é com o motorista.

Descemos no centro de Vichy, num lugar chamado Quatre Chemins (quatro caminhos), porque é o encontro de quatro grandes avenidas da cidade. Estava meio perdido, não conhecia muito bem Vichy; ele me apresentou o Quatre Chemins, passamos em frente à igreja de Saint Louis e depois a um quarteirão de Saint Blaise. O Cavilam não era muito longe.

A princípio, não tinha encontrado os brasileiros. Pouco depois das 8h, fomos ao auditório, onde nos acolheram, aplicaram o teste de nível (uma prova de “gramática” (uso da língua, talvez…), uma de compreensão textual e uma de escuta (juro como na última parte da escuta eu não entendi nada do que aquele velho/velha falava…) (não era um velho falando na frente da gente, era uma gravação!). O resultado sairia às 14h15 (sim, eles usam sempre o sistema 24h, mesmo na linguagem coloquial; é raro dizerem 2h30 da tarde…). Pois, bem, eu me sento num lugar aleatório e o que eu vejo à minha direita? Brasileiros!  Eles iam entregando as carteiras de estudante por país; cada país que eles chamavam, todos os que vinham daquele país saíam e iam pegar as carteirinhas. Fiquei ansioso pelo Brasil; foi o terceiro país (depois de Austrália e Áustria). A China veio logo depois – saímos depressa, que os chineses são MUITOS! Por onde passam, há multidão O.o E o nível de francês deles não é muito bom…

Há atividades culturais organizadas pelo Cavilam. Hoje, por exemplo, haveria um passeio por Vichy; havia uma lista para se inscrever. Não demorou muito para encher a primeira folha (e era bem grande, tipo A3, sei lá…). Mas sim, fomos comprar nossas fichas do RU, esperamos ele abrir e almoçamos. Para bolsistas, a ficha custa 3 EU, mais 0,80 EU por uma lata de refrigerante. Saudades do R$ 1,10 da UFC… o RU abriu. Entramos, os brasileiros. Havi pão (sempre!), três opções de entrada, três de sobremesa, depois o prato. Peguei algo que parecia um macarrão, mas na verdade era algum tipo de vegetal com bastante maionese temperada. Gostei! O bife estava mal passado, mas itnha bastante batata frita e vagem. A sobremesa parecia um pudim, só que com ameixa. Saudades do RU da UFC no more!

Depois do almoço, fomos andar em Vichy. Havia dois que estavam atrás de planos de telefonia para iPhone; passamos em duas, Orange e SFR. OK, se eu conseguir um celular a um preço bom, eu já comemoro… (sugestão do dia: esperar o lançamento do iPhone 5 pra comprar um iPhone 4 barato ^.^ )

Voltamos perto de 14h10, as turmas já haviam sido divididas. Não fiquei com nenhum brasileiro… De fato, na minha sala havia duas norueguesas, uma japonesa, uma americana, uma germano-americana, uma suíça, e outras pessoas cuja nacionalidade e não lembro, mas só tinha mais um homem na sala, além do professor e de mim. E o nível… ele entregou um papel que tinha escrito B2 +3! Pra ter uma ideia, na Europa, quem aprende uma língua tem6 níveis, numa escala: A1, A2, B1, B2, C1, C2; A é iniciante, B é intermediário e C é domínio da língua; ano passado, eu fiz prova e consegui DELF A2, ainda! O B2 seria uma turma avançada o suficiente para estar no meio do nível B2! Até eu fiquei surpreso!!! Teve uma atividade em dupla, umas frases com lacunas para clocar o verbo no tempo verbal correto. Pra mim, era um pouco autmático, porque os tempos verbais são um pouco parecidos em português e francês; mas eu fiquei com a germano-americana, e ela sempre tinha que buscara a justificativa para cada tempo verbal (expressa incerteza; é uma ação começada quando a outra acabou, etc.). Depois, acabou.

Terminando, M. Piombini iria me pegar, mas ele estava demorando. Então, saí. Fui visitar a igreja de Saint Blaise (São Brás, acho). Belíssima! São duas igrejas acopladas; a mais antiga, que existia desde a idade média, mas foi reconstruída no século XVII, era dedicada a Nossa Senhora dos Doentes. A nova, mandada construir por Napoleão III, era maior, e dedicada a São Brás. Tinha um altar também para São Francisco de Sales e São João Maria Vianney (este em reforma). No fundo da igreja, um panfleto mostrava as atividades da semana. Missa em Saint Louis às 17h! Ohlalá! Dei uma passadinha no Cavilam, pra ver se meu pai não havia chegado, depois fui à igreja de São Luís (não me pergunte qual Luís!). O padre falava mais rápido que o de Roissy, mas deu pra entender um bocado. Fiquei contente! Acho que vou comprar um livrinho pra seguir a Missa, vou olhar numa livraria de artigos religiosos que tem em frente à Saint Blaise.

Depois da Missa, voltei pro Cavilam. Cadê M. Piombini? Me sentei, liguei meu notebook, coloquei meu usuário e senha (que vêm escritos na carteira de estudante). Assim que consegui acessar, ele se sentou ao meu lado. Pegamos o ônibus de volta para casa. Tomei banho. Não jantei, que tinha o passeio por Vichy; desci, peguei o ônibus (como eu cheguei muito em cima da hora, acho que o ônibus de 19h08 já tinha passado, tive que esperar um de 19h28).

O passeio pelo Cavilam, eu conto depois; por ora, as fotos!

Este slideshow necessita de JavaScript.