De volta a Vichy

Como eu já estou com uma semana de atraso, vou tentar ser bem breve. Eu e meu pai saímos umas 8 e pouco da gare Saint Charles; tomamos um TGV para Lyon Part-Dieu, onde pegaríamos uma correspondência para Vichy. A viagem correu tranquila – não me esqueci da carte 12-25, dessa vez! Oram chegamos na gare com cinco minutos de atraso, tínhamos talvez dez para chegar ao trem certo. Chegando no saguão, corre, a tela mostra… annulé… mas…

Fomos ao accueil, a mulher nos deu a opção de ir num outro trem ou ir para uma outra cidade de trem e pegar um ônibus… preferimos o trem; era mais tarde, mas era mais certo. Comemos lá, no chão da gare, e esperamos o horário do trem. Sentamos num dos últimos vagões (os lugares não eram marcados), e uma senhora começou a conversar comigo. Super sympa, ela e a do lado dela, e essa segunda era de Vichy, ainda mais!

Chegando na gare de Vichy, o M. Piombini nos aguardava. Fizemos um pequeno tour em Vichy, depois voltamos para a gare, resolver umas coisinhas, depois fomos ao hotel onde iríamos ficar. Como fosse caro – ele tinha dito um preço ao M. Piombini por telefone e outro quando chegamos – os Piombini nos oferenceram sua casa. Eles nos deixaram no Quatre Chemins (o ‘shopping) para andarmos um pouuinho a pé. Entramos no Quare Chemins, meu pai aproveitou para comprar duas camisas, depois fomos ao Hall des Sources, para a Missa na igreja de Saint Louis e ao Palais des Congrès-Opéra. Depois, chez le Piombini. Foi tão legal rever o Xù!

O jantar foi ótimo. Não lembro bem o prato, mas a entrada foi a salada com tempero de alho que eu AMO! É a única salada que eu como por prazer! Conversamos muito, depois fomos dormir.

Acordamos cedo, no dia seguinte. Íamos a Clermont-Ferrand, que era o objetivo dessa viagem: tentar fazer a consulta médica do Ofício de Imigração. Pegamos o trem, fomos. Fomos ao lugar que tinha na carta que eu recebera, era lá mesmo, mas não ia dar para fazer a consulta médica e a radiografia naquele dia – se eu fosse passar uma semana, ainda, tud bem…

Me mandaram para o OFII (Office Français de l’Immigration et de l’Intégration), onde disseram que eu tinha que resolver isso em Marseille. Bem…

Para não perder a viagem, fizemos turismo em Clarmont-Ferrand. Visitamos a Place de Jaude, a estátua de Vercingetorix, a mesma fonte da outra vez – e a catedral, tivemos muito mis tempo para visitá-la, compramos postais e guias de visita, e eu ainda subi na torre – não eram as torres de frente, infelizmente, mas uma no meio, bem alta! Dava para ver a cidade toda, dali, e arredores – só não dava para ver o pai, que estava tomando um café num café perto da catedral, e a própria cateral se impedia de vê-lo. Vimos também a Basílica de Notre Dame du Port – é tão bom fazer turismo por conta própria! Mas se eu nãotivesse feito a visita antes, não teria sido a mesma coisa…

Comemos truffade – é uma especialidade do Auvergne, uma espécie de purê de batatas com queijo, acompanhando salada e charcuterie, como presunto e salame. Muito bom!

Andamos só mais um pouco, depois fomos para a gare. Continuei o que eu já viera fazendo em todos os trechos de trem: escrever no blog (foi por isso que eu consegui postar os quatro últimos posts tão rápido!).

O trem chegou, subimos, tudo ia normal até uma parada estranha. Pelo que eu entendi, era um problema com a rede elétrica. Quando voltamos ao movimento, passamo tanto tempo andando tão lentamente que eu pensei “vamos prder a conexão”. Dito e feito: o trem chegou com 25 min de atraso. As passagens estavam sendo trocada, para quem ia fazer conexão; para Marseille, tinha um trem bempouco depois da hora em que chegáramos. Era tõ legal ver um bilhete de trem 0 €, e ainda primeira classe! Para mim, a maior diferença era que as poltronas eram meis largas, e acho que o espaço para as pernas também.

Quando chegamos, não tinha mais ônibus do metrô para casa: andamos. A noite ainda estava caindo, o que foi bom, porque pudemos vir com menos medo.

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JMJ (Parte 2)

No dia seguinte, acordamos com alguns avisos de que gente perdida deveria ir ao alguma coisa número três e avisos de que a tempestade (alguém tem alguma tradução melhor para “orage”?) tinha derrubado algumas capelas, e, por respeito a Jesus Sacramentado, removeram os sacrários, então não haveria comunhão para todo mundo, durante a Missa. Domage…

O café da manhã tirado da sacola de piquenique foi bom. Uma comunidade religiosa cantava as laudes. Esperamos um pouco, e o papa não demorou muito a chegar. Ele ia passar. Sim, haviam desocupado as vias. Só que…

Bem, ele só passou no corredor central, acho. Perto da gente, não. Que pena: nem vi o papa de perto… ah!, mas não tem problema. Meu objetivo não era ver o papa, mas fincar raízes em Cristo, firmar-me na fé. Mas claro que se desse pra ver o papa de perto, eu não iria reclamar…

A Missa começou. Pena que eu havia deixado o livro do peregrino, nem deu pra acompanhar direito. Mas como era o mesmo rito latino, só que em latim, deu pra acompanhar. As músicas – Céus, o que era aquilo! Muito lindo, levava a gente até o céu mesmo sem entender tudo! Dava pra entender algumas coisas, mas mais porque eu já conheço a Missa.

A primeira leitura – fiquei tão contente, foi em português! E português do Brasil – acho que o cara devia ser paulista. Fiquei até emocionado! Depois, o salmo em espanhol. Segunda leitura em francês. Aclamação belíssima, evangelho em espanhol, não tenho mais tanta certeza. E a homilia, também não lembro bem, acho que foi em espanhol. Sei que o que eu prestei atenção, eu entendi.O credo, eu rezei em português, embora tenha sido cantado em latim. Preces em várias línguas – espanhol, francês, inglês, alemão, polonês, chinês (eu acho, teve língua que eu não tenho nem ideia!).

Oração eucarística, Jesus todo Glorioso nas mãos do Seu vigário; Corpus Christi. Pater.

Comunhão. Espiritual.

Ao fim, uma mensagem do papa aos jovens, cada um em sua língua. Depois, ele anunciou que a próxima JMJ vai ser… no RIO!!!! Mas que festa, do brasileiros! Muitas bandeiras balnçamdo, muito verde-e-amarelo, muita alegria, cornetas, gritos, emoção, comoção, palmas, torcida organizada! 2013. Uma equipe de jovens brasileiros foi receber a cruz dos jovens. Sim, que alegria!

Nisso, só deu pra ver o papa um pouquinho, de longe, nem sei se era ele mesmo, prefiro pensar que sim. Enfim, no fim das contas, encontrei uma boa galera do Shalom – eu vi o Vitinho! Que saudades, ainda não o havia visto com o tau de discípulo! Ele me pareceu realmente feliz. Peguei o e-mail dele, coisas assim; muito contente, ele disse que ia me passar seu endereço por e-mail, até já escrevi um postal!

Depois disso, me perdi do meu grupo. Esperei um pouco, tentei ir até o lugar das pessoas perdidas, mas nem encontrei esse lugar! Resolvi esperar mais um pouco, e andei, andei, andei… saí do aeródromo, andei andei andei, onde era que eles estavam? Fui seguindo a multidão até o metrô – não tinha mais o ônibus que nos levava para lá… além do que, aquele estação onde descêramos não estaria funcionando nesse dia.

No meio do caminho, encontrei o povo! Deus seja louvado! Andamos, andamos, andamos, tomamos um pouco de banho, na água que alguns moradores jogavam nos peregrinos, eu sem banho desde quinta, a estação de metrô entupida de gente. Pensamos em pegar um táxi, tudo lotado. Paramos numa calçada, comemos alguma coisa, esperamos – era bem em frente a um condomínio com piscina. Inveja.

Aonde vamos, agora? Fomos à próxima estação. Era mais adiante; no caminho, vimos um táxi estacionado na frente de uma lanchonete, mas o motorista não queria dirigir naquela multidão. Descemos, metrô lotado! Pegamos no sentido inverso, chegamos na estação entupida, muita gente, mas veio um metrô vago. Paramos numa estação e pegamos um táxi. Chegamos na nossa paróquia.

Arranjei um lugar num quarto, fui pegar minha mala – ainda bem que os espanhóis entendem português, senão… enfim,

Tomei banho.

Descansei um bocadinho, dei uma organizada nas minhas coisas, enchi o colchão, vasculhei minhas coisas pra saber o que tinha vindo. O Youcat em português é muito massa – mas é em português de Portugal.

Pouco depois de 17h, fomos para a festa brasileira. Teve banda Dominus, na hora da banda Cirus, eu voltei para o alojamento – alguns brasileiros estavam vendendo chinelos da JMJ Shalom,e haviam acabado, fomos buscar mais. Eu e mais um cujo nome eu esqueci – brasileiro, claro. OK, erramos de metrô, ninguém viu, voltamos e acertamos e voltamos. Quando chegamos na praça de volta,

A Lívia!

Eu vi a Lívia, que não via desde que ela ingressara na Comunidade de Vida. Tudo bem que isso fora em abril, ainda, mas a surpresa foi tão grande quanto ver alguém que não via há anos. Era bem na hora do show do Missionário Shalom… mas fomos jantar, apesar disso. Um dia deve ter show deles em Toulon ou Avignon, então… fomos para a estación e comemos num restaurante de alguns chineses, lá. A maior alegria era poder comer arroz… *_* E não só ela: depois, o grupo com o qual eu estava foi comer lá, e eu recomendei porque eles queriam URGENTE comer arroz!

Disseram que a chuva com vento derrubara uma parte do palco. Pararam o show, mas como só brasileiro é brasileiro, desceram e começaram a fazer uma espécie de “lual”! Mas não ficamos para ver como ia continuar. Do jantar, todo mundo foi para “casa”.

Todo mundo entre aspas, também. Eu e mais duas italianas passamos na paróquia, pegar uma mala, depois fomos à casa onde elas estavam dormindo, a convite de uma mulher.

Essa senhora, cujo nome eu esqueci, mas era Maria alguma coisa, casada com um senhor chamado Jesus, era de algum país americano, que eu não lembro bem, e muito simpática. Conversamos um pouco, e ela nos ofereceu uma sangría. Todo mundo achou ótimo; eu, que nunca apreciei álcool, fiquei meio sem saber o que fazer… não era ruim, fato, mas era vinho com frutas, de qualquer forma… bem, quando me perguntaram eu disse que eu não gostava muito de vinho, mas aquilo era bom. Ah, e eu ganhei uma faca de bolo, também! As moças iam dormis lá; eu voltei para a paróquia.

No dia seguinte, acordei antes do despertador, com o povo se preparando para ir embora. Iam cedo. Eu também, não podia chegar tarde. Ou eu achava que não. Despedi-me dos italianos, iam colocando minha mala por engano no ônibus que ia para Itália!, colocaram meu café da manhã no ônibus (ainda bem que eu já tinha comido alguma coisa) (mas tinha três chocolates, ainda T.T). Peguei o metrô.

Ainda lembro que eu peguei o metrô na estação de Argüelles, fui até o Mar de Cristal, onde peguei outro para a parada do aeroporto Madrid Barajas terminais 1, 2 e 3. O meu era no terminal 1 – o mais difícil foi encontrar o terminal 1, já que eu não sabia que seta para baixo, na Europa, que dizer em frente…

Cheguei no balcão da Ryanair, pedi para pagar para enviar a mala, ela disse para primeiro passar no balcão do passaporte, passei, voltei, ela perguntou o peso da mala, fui num dos chek-ins vazios, pesei, 9,90 kg, voltei, paguei 40 €. Quiseram falar inglês, nisso tudo, mas com sotaque espanhol… sinto muito, mas não dá mesmo. Só pedi para falarem mais devagar. Deu certo.

No embarque, fui logo para o portão. Pouco tempo depois, começou a se formar uma fila. Tomei lugar. À minha frente, dois homens conversavam em francês, um deles tendo em mãos o Youcat francês. Depoisde muito tempo parado, puxei conversa – começando pelo Youcat. Conversamos um pouco, eles sabiam um pouquinho de português, bem que eu achei o sobrenome que eu vira no cartão bem português! Depois de algum tempo, a fila andando, eles me falando que conheciam mais ou menos o Shalom, os espetáculos teatrais, eles conheciam o Wilde Fábio! E sempre me perguntando coisas sobre Portugal, se eu conhecia a comunidade lá… e eu sem entender, quando vi, aquela fila era para Porto! A minha era no mesmo portão, mas uns quarenta minutos depois.

Bem, esperei. Quando por cima do portão apareceu “Paris Beauvais”, aí sim eu me mudei. À minha frente, um grupo de francesas falava. Tentei entender, mas era difícil, elas falavam rápido.

O avião mudara de portão. A moça avisou no alto-falante do portão (porque o do aeroporto não avisa esse tipo de coisa) e todo mundo correu! Afinal, quem não quer pegar um bom lugar no avião? Na minha frente, outro grupo de francesas! Se bem que eu acho que maior parte do avião era francesa… de qualquer forma, quando elas me ofereceram um brioche, eu aceitei. Ficamos falando eu, uma das francesas, e umas argentinas que estavam atrás de mim.

Entramos no avião 11h45, se bem me lembro. O voo estava marcado para 10h30… ainda bem que eu havia comprado meu bilhete de trem para bem tarde, temendo esse tipo de coisa!

E temendo a imigração… se tivesse, eu talvez não passasse, porque não tinha o titre de séjour. Mesmo assim, consegui dormir no avião. Acordei com a dor nos ouvidos do pouso.

O aeroporto de Beauvais é tão pequeno que não deve ter nem imigração! Sério, é estranho… comi um sanduíche no aeroporto e fui esperar o ônibus. Ônibus da cidade, mesmo, porque eu ia para a gare de Beauvais – não sabia bem onde o ônibus para Paris deixava, então, preferi não arriscar. Esperei impacientemente o trem… começou a chover, corri para o outro lado da rua para me abrigar – o motorista chega. Bem… fazer o quê?

Parei na parada mais próxima da gare, fui na chuva, mesmo, ainda bem que não estava tão forte; cheguei poucos minutos antes do trem. Entrei. O trajeto do trem ocorreu normalmente, cheguei à gare du Nord, m Paris. Eu tinha três quartos de hora para chegar à gare de Lyon. Não sabia nem que RER tomar (lembrava do site que dizia que era RER, mas qual…). Um senhor me ajudou a fazer isso, só que era 6€ e alguma coisa; eu tinha uns 4,50€ em espécie, ia pagar com cartão, mas ele pagou por mim. Bem, ele teve que se contentar com os 4,50, né? Désolé.

Chegando à gare… cadê que se encontra o lugar de pegar os trens? Era difícil, pedia ajuda a uma senhora, e ela me levou até lá – mas precisava do tíquete do RER/metrô, para passar, e cadê que eu encontrava? Tive que entrar junto a um senhor que entrou por uma porta mais larga. Vi no telão minha plataforma, corri para ela, subi pelo lugar errado, desci de novo, subi pelo certo, achei a plataforma, subi no trem um minuto antes de ele sair. Ufa!

Cheguei a Vichy 21h50. Fizera calor, no final de semana, era até meio estranho: quando eu cheguei, o ventilador estava ventilando a sala de jantar! E havia também a sobrinha do M. Piombini, de Marseille, com seu marido. O Xù também estava lá, tudo em paz.

Sim, a Jornada Mundial da Juventude fora excelente, mas não deixa de ser um grande alívio chegar em casa após uma jornada tão cansativa de viagem…

Château d’If

Sábado, o ICM ia levar o pessoal aos calanques – uma espécie de praia com falésias de calcário, muito bonitas. Mas ia durar o dia inteiro, seria complicado. Fomos à Missa de 11h na igreja do Vieux Port (o velho porto); chegamos 11h04 e o padre já estava terminado o Evangelho! Mas foi bom pela Missa de quinta, a que não havia sido possível ir. Depois, compramos nossa passagens para o château d’If (o quiosque de vendas era logo em frente).

Para quem não sabe, o châteu d’If é a prisão (e a ilha) onde Edmond Dantès, o conde de Monte Cristo, personagem principal do romance homônimo de Alexandre Dumas, fora encarcerado sob acusação de napoleonismo. O livro foi o primeiro best-seller de nível mundial da história, e, depois de ler o livro, hordas de pessoas se dirigiam ao castelo na ilha d’If, para conhecer o lugar dessa emocionante história, pouco se importando se o lugar era uma área militar e uma prisão ainda em uso até o fim da 1ª Guerra Mundial.

A viagem era de barco, muito boa! Aquele vento bom, aquele sol fraco, no céu nublado, uma sensação de liberdade incrível… sim…

Chegamos à ilha. Descemos. Após uma não muito longa escadaria, a bilheteria – os nossos tíquetes valiam só pela viagem. Compramos. Pedimos um manual em espanhol e um em francês; infelizmente, o em espanhol era diferente, não tinha as explicações de cada cômodo do castelo. Confesso que eu ri com aquela carinha de “bem-feito” para quem quer que fosse espanhol e não falasse francês. Entramos na prisão.

Havia uma lojinha logo ao lado da entrada; pulamos. Chegamos ao pátio, que tinha um poço; a visita comentada estava terminando. Visitamos o castelo por conta própria. À direita, uma sala com uma exposição. Vimos o esboço rinoceronte que fora dado de presente ao rei de Portugal, o qual, por sua vez, oferecera de presente ao papa. Na viagem de barco, devido a alguns problemas, o rinoceronte fora deixado por algum tempo na ilha d’If. Até o rei de França fora ver o curioso animal de que tanto falavam. Na segunda parte da viagem, o navio naufragou perto da Itália. Mesmo assim, encontraram o corpo do animal, que foi empalhado e oferecido ao papa.

Perto dessa sala, em outra porta do pátio, uma outra porta dava para a cela de Edmond Dantès. Era grande e mal-iluminada; uma tevê mostrava repetitivamente cenas de Dantès na prisão, abrindo o buraco para a cela do abade Faria, planejando a fuga, etc. Claro que o túnel para a cela vizinha não poderia faltar! Dava pra ver claramente, e acho que dava até para passar uma pessoa de verdade.

Do lado, outra cela, que tinha uma porta para a cela do abade Faria. Não podíamos entrar, mas, do lugar onde tinha a fixa de proibição, dava para ver uma televisão onde nos víamos dentro da cela. Infelizmente, não dá pra tirar foto de TV que preste, então…

Subimos. Em cima, eram as celas pagas, as “pistoles”, devido ao nome de um tipo de moeda francesa. Muitas celas tinham lareiras, e janelas grandes, com grades (nas de baixo, as janelas pareciam janelinhas de banheiro). Numa delas, o homem da máscara e ferro teria ficado – e, diferentemente do Monte Cristo, esse foi encarcerado de verdade, lá dentro. Mas como este é mais famoso que aquele, nem se fala muito do Máscara de Ferro. Domage.

Ainda dava para subir mais. Era lindo, lá em cima; tinha uns mirantes, e dava para ver toda a costa marselhesa (ou não!), a Bonne Mère, as ilhas Frioule… uma das torres ainda dava para subir mais: lá em cima era engraçado, era meio côncavo, como uma cúpula suave. E ventava… sim, como ventava…

Descemos. Fomos à lojinha, compramos alguns cartões postais, e também um lápis flexível pra Iara (lilás, Iara, o que acha?). Quando passamos, a próxima visita guiada havia começado. Meu pai preferiu ficar lá fora, eu segui a visita. Foi legal, deu pra aprender coisas que não tinham no guia ou eu não prestara atenção, como o fato de que havia os nomes de vários condenados políticos escritos em placas meio apagadas nas paredes, ou o sistema de segurança da prisão, ou mesmo que o castelo já havia sido um forte, depois transformado em prisão (o que não era raro na França, ver château de Billy), ou que os últimos presos foram os alemães durante a Primeira Guerra.

A visita continuava na cela de Edmond Dantès. Falou um pouco e acabou ali; o resto seria por nós mesmos. Como eu já havia visitado tudo, saí.

Aproveitei para ligar para os Piombini, mas isso eu conto amanhã.

Voltamos. O barco passava pelas ilhas Frioule, antes de voltar. Deve ser legal, mas eu não sei o que fazer lá; o barco é só o transporte, o resto é por conta própria… bem, voltamos ao Vieux Port. Fomos até uma loja que nós víramos antes, passando pela feirinha de artesanato (cara, como todo artesanato) e demos uma olhada. Galérie Lafayette. Andamos um pouco por dentro, vimos umas boininhas francesas – se a Iara prometer tirar uma foto com ela, eu compro uma e mando pelo pai! – e chegamos ao supermercado. Compramos ovos, leite em pó, geleia, coisas que estavam em falta. E acabamos esquecendo o chocolate em pó… comemos um sanduíche e voltamos para casa.

Chegando ao meu querido 230 – será que se pode dar nome a um studio? Acho que vou batizar o meu… – começamos uma faxina. Limpei o armário – cheio daqueles dejetos de mosca, ou o que quer que sejam aqueles pontinhos pretos. Sem contar em cima, que estava um grude! Depois, o chão, o colchão inflável… ficou ótimo. Organizei os papeis, também, ficou muito bom. Se colocasse a cortina no armariozinho, eu diria que estava pronto! Mas o pau de cortina que a gente comprou era muito grande, vai ser preciso cortar. E onde comprar uma serra de metais, daquela…? Mas até a cortina já foi comprada. E o banheiro… bem, esse é um caso à parte. Tem uns quadrados de piso soltos no chão, e quando se pisa, sai uma água branca não muito cheirosa, de debaixo do piso… vou ver com a direção de residência, se alguém resolve isso. Mas o resto, beleza.

Bem, chegamos ao jantar, que foi a primeira coisa que eu citei no primeiro comentário de Marseille. Com os palitinhos chineses do Xù! (Ainda aprendo a dizer o nome disso em chinês…). Ainda convidaram para uma festa, mas eu não quis ir – nem podia. Domingo era dia de acordar cedo. Iríamos de volta a Vichy.

Chegada a Marseille (2)

Quarta-feira, tomamos café na padaria ao lado do Dia; logo em seguida, fomos ao hotel, buscar as coisas dele, porque ele iria morar comigo. Até hoje, não sei se é permitido, na residência, mas ninguém da direção ainda viu, então…

Cheguei atrasado na aula. Pas grave. Comi no RU pela primeira vez – no andar de baixo, que o de cima (o lugar onde se come, normalmente) estava fechado. Havia pizza e bife com queijo e fritas. Escolhi o bife e acabou. Como a fila demorasse, mudei para pizza. É claro que o bife chegou assim que eu mudei de ideia. À tarde, fomos a uma visita de Marseille: visitamos a basílica de Notre Dame de la Garde (Nossa Senhora da Guarda), a “Bonne Mère” (a Boa Mãe), mãe de todos os marselheses e de sua cidade; uma igreja construída na colina mais alta de Marseille, encimada por uma estátua da Mãe Maria com o Jesusinho nos braços, que pode ser vista de quase todo lugar – e, por conseguinte, pode ver praticamente tudo. Era isso que o pai dissera ter visto de bonito da gare Saint-Charles (a estação de trem).

E, de fato, é muito bonita.

Por fora, muito bonita! Branca e marrom; por dentro, muitos ex-votos sob formas de placas (mas esses são habituais), quadros e barquinhos pendurados no teto! Isso é bem característico dessa igreja, as outras têm só as placas de agradecimento.

Sim, sim, très jolie la Bonne Mère… de fora, tem até algumas lunetas que permitem olhar a cidade inteira… dava para ver o Château d’If, lugar onde teria sido preso Edmond Dantès, o conde de Monte Cristo, mas isso eu explico depois. Depois, descer até o Palais du Pharo a pé; no caminho, um quiz para responder, endo que perguntar aos marselheses, as respostas. Não foi difícil.

O palácio também é bonito, mas ainda não sei bem o que é. Quando eu olhar na internet, eu descubro. Fizemos um piquenique, lá, muito bom! Depois, tínhamos, cada um, que apresentar seu país, sua cidade. Fazer um desenho do Brasil – depois que o Eduardo estragou o primeiro desenho (uma gota, ou um cocô de desenho animado invertido), sobrou para mim. Mas até que ficou direitinho! Desenhamos algumas árvores na Amazônia,  o Cristo Redentor, o Congresso Nacional, uma jangada, alguns prédios em São Paulo, uma rede com coqueiros, vacas e campos… e uma interrogação no Acre, claro.

No fim, quando íamos saindo, uma roda de capoeira. Como assim, capoeira em plena França? Mas se o centro é o Maghreb e a residência é o extremo-oriente, por que o Pharo não pode ser o Brasil?

Voltamos para casa, e já tinha o que comer: pão com queijo em fatias (parecia Polenguinho, tão bom!); meu ai havia comprado quiche, deu pra estrear o micro-ondas (que já havia vindo como quarto).

Quinta… tinha aula das 10 às 18h. Café da manhã com a coordenação, antes. Meu pai iria passar em outro supermercado (o a que ele fora na véspera, o Dia, era bem ruinzinho), o Intermarché. Esse ele achou bom! Comprou mais comida, rodo, vassoura, pá, etc. Muito bom. À tarde, eu faltei aula para ir de volta chez IKEA, comprar a cômoda e outras coisinhas. Jogo americano (aquelas coisas que se coloca sobre a mesa, debaixo dos pratos), pratos pequenos, organizador de papeis, e outras coisas; não ainda para levar o travesseiro do pai nem o outro cesto de lixo, porque iria ocupar muito espaço, e a cômoda…

A cômoda vinha numa caixa não muito grande, mas o peso era imenso – acrdito que passasse de 50 kg! E levamos de ônibus, eu e o pai. Foi difícil, chegamos em casa com os braços doendo (e olha que deu para pegar os ônibus direitinho!). Começamos a montar. Paramos para r à Missa – afinal, era aniversário dele!

Chegamos no metrô, esperamos um pouco, o metrô demorava a partir; não sei por quê, estava fazendo a última parada na Gare de Saint-Charles; um guarda lá recomendou pegar a linha 2 e parar na próxima parada; quando vimos no mapa, era muito longe, e já estávamos atrasados. Bem, já que estávamos ali… pegamos o tram (uma espécie de bonde moderno, com cara de trem mas com a fiação em cima e menor) até uma parada onde tinha como pegar direto o metrô 1. Atrás da parada, havia um supermercado. Entramos, procurando um martelo. Nada. Recomendaram seguir numa direção lá, seguimos. A loja de construção e jardinagem estava fechada.

Voltamos. Comemos. Arroz de sachê, salame e presunto. Muito bom! Logo depois, continuamos a montar a cômoda. Os pregos, deixamos para o final. Gaveta após gaveta, montamos as quatro. Só precisava pregar o fundo. Com os pequenos alicates e a chave de fenda, conseguimos martelas todos os pregos. Colocamos no lugar, colocamos as gavetas e – voilá! Uma cômoda novinha em folha! Aproveitei e já coloquei minhas roupas lá.

Sexta, aula. Tinha que entregar a documentação da École (eu tinha conseguido fazer a assurance na véspera). Depois fomos à praia. Era uma praia estranha, com pedrinhas em vez de areia. Engraçado… fizemos um piquenique. Eu e mais alguns brasileiros passeamos um pouco, o Eduardo quis tirar fotos das mulheres de topless. Parecia um meninozinho de 8 anos, coitado…

Depois de comer, um passeiozinho para o outro lado, com três outros brasileiros e uma mexicana. Um brasileiro e a mexicana estavam sem sandálias… era difícil andar sobre as pedras descalço. Desafio. Bem, voltamos, eu quis logo ir embora com meu pai. Melhor assim. Não queria acordar muito tarde.

O sábado foi especial, merece um capítulo à parte! Enquanto isso, dá pra cutir um pouquinho as fotos da visita de Marseille. À bientôt!

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Chegada em Marseille (1)

Meu pai bem está de prova: nessa semana eu não tive o menor tempo. De fato, só agora, dia 3 de agosto, à noite, é que eu estou tendo tempo. Acabamos de comer um jantar especial: ovo frito, salsicha e arroz de saquinho (daqueles que basta colocar na água, mais dez minutos e tá pronto) temperado com sal, alho (comprado no supermercado, já picado), um tempero à base de páprica, pimenta, coentro e sal; e mais umvegetal que a gente comprou por coentro, mas que tinha um cheiro que a gente não reconheceu bem (deve ser porque a gente só compra coentro junto da cebolinha, o famoso ‘cheiro-verde’, então não sei o cheiro dele sozinho). E eu ainda coloquei um pouco de gorgonzola quando coloquei o arroz no prato, enquanto ainda estava quente. Estava bom! E eu ainda comi com os palitinhos chineses que o Xù me dera lorsque de minha partida.

Com efeito, minha despedida não foi um dia, mas um processo longo. Foi preciso que eu me entristecesse, e passeasse ainda por toda a cidade (aproveitando que o Xù não estava em casa, no fim-de-semana). Na sexta havia tido uma festa, a primeira até agor que não fora no Sporting ou na Galerie, mas no Les Fous du Roy. Foi agradável. O lugar de dança estava muito lotado – como se fizesse muita diferença pra mim, que adoro dançar “tuts-tuts¹”.  Maior parte de festa eu fiquei com orientais: alguns chineses, alguns japoneses, um coreano que eu conheci lá (mas que se ele não me tivesse dito, eu teria ido embora pensando que ele era japonês! Sério, ele tinha muita cara de japonês!), mas a maior parte do tempo, passei conversando com a Sayumi. Sim, ela foi a melhor amiga que eu fiz em Vichy, acredito. Ela me deu o endereço, e no mesmo papel, começou a aula de japonês-português; foi estranho,mas deu certo. Eu aprendi a escrever Sayumi em japonês e outrs coisinhas, ela escreveu a primeira estrofe da “Garota de Ipanema” em português. E mais algumas coisas. E tudo isso falando em francês! E sem falar quando eu a obriguei tirei para dançar, e eu não vi o batente, acabamos todos os dois no chão! Já escrevi até uma carta para ela – seu aniversário foi terça-feira, imediatamente antes do do pai. Justo.

Sábado eu passeei por Vichy, até me cansar. Sentado, num banco do Parc des Sources, foi que eu escrevi a primeira parte da JMJ. O Xù estava em Saint-Éthienne, visitando um amigo

então eu me aproveitei para dar pegar a bicicleta – a outra, que eu tinha usado, eu havia conseguido quebrar-lhe a sela durante a semana. Domingo eu também passeei – e fui a uma Missa no rito de São Pio IX ou algo do gênero, toda em latim! Gostei! E antes da Missa, uma confissão daquelas no confessionário, de joelhos e tudo mais. Muito bom mesmo! À noite…

À noite, eu paguei os últimos 15 dias de acolhida, dei-lhes um imãzinho de geladeira e eles me deram o caderno de mensagens para eu assinar. Eu ficaria com o caderno até o dia seguinte, deixaria no quarto, e, quando eu já tivesse partido, eles veriam o que eu teria escrito. Dei também uma pulseirinha ao Xù, que me deu um par de pauzinhos chineses. Gostei muito! Até já comi com eles, como eu disse.

O dia seguinte foi… foi o último. Mme. Piombini não foi me deixar, fui com o M. Piombini e com o Xù. E não tinha mais espaço no lado do ônibus reservado a Marseille, tive que colocar minhas malas dentro do ônibus. Não ia cheio. Tchau, Vichy; não era adeus, mas até logo. Partimos, e eu como que sem futuro, como se tudo o que viria a ser fosse se desvelando na medida em que se ia vivendo, como se só houvesse um passado e um presente, mas um abismo misterioso, obscuro à minha frente.

Ainda assisti dois episódios de Sakura Cardcaptor no notebook da Ingrid (uma gaúcha). Na gare de Lyon Part Dieu, descemos. Minha mala, que já tinha a alça superior quebrada, perdeu também o puxador (não sei como se chama); tive que levá-la pela alça lateral. Ainda bem que o Pepe, um mexicano, se ofereceu para carregá-la em cima da dela, como num carrinho de bagagens. Comemos as coisas que as famílias d’accueil haviam mandado(ou não!) e esperamos o horário. Assim que saiu na tela a plataforma em que o trem iria parar, fomos para lá. Nosso carro iria parar na parte Y da plataforma J; para nossa infelicidade, o trem chegou exatamente invertido, e tivemos que atravessar a plataforma inteira (o vagão era um dos extremos) para chegar a tempo, e, na pressa, quase que não se conseguia entrar, tal era a quantidade e a desordem das malas no lugar.

Mas deu certo. O TGV não me pareceu nem um pouquinho diferente dos outros trens. Feinho por fora, normal por dentro, até a velocidade não me pareceu maior que os trens que eu pegara na viagem a Madri, por exemplo. Isso dessa vez; neste momento, estou na gare de Lyon Part-Dieu, acabamos de descer de um TGV muito melhor, muito mais bonito, confortável (tinha dois andares, inclusive!), e me pareceu bem mais rápido que o anterior.

“J’crois que les histoires d’amour c’est comme les voyages en train,
Et quand je vois tous ces voyageurs, parfois j’aimerais en être un,”

Chegamos a Marseille.

Quem havia apostado no trem que não haveria ninguém nem da Égide nem do ICM (Internacinal Centrale Marseille) acertara. Depois de algum tempo de espera, sem saber o que fazer, apareceu alguém do ICM. E logo outros alguéns. Estávamos salvos. Nesse meio-termo, alguém conseguiu ligar para a Égide e disseram que o táxi estava atrasado, mas que iria chegar. Colocaram algumas malas no minibus que haviam trazido e iam de metrô; a minha mala grande, que um jovem do ICM estava carregando (e que teve de carregar nos braços, porque a alça lateral também quebrou assim que ele pegou) foi com as outras, enquanto a pequena foi comigo.

Quatro foram no primeiro táxi, seis no segundo, éramos dez Eiffel. Chegamos à residência. Esperar que ela chamasse nossos nomes. Eu e a Ingrid seríamos vizinhos: fomos chamados juntos, ela deu as coisas dela, depois as minhas: eles que fizeram a avaliação do lugar (état de lieu), e deram mais um documento pra CAF (depois eu explico) e tinha que pagar 618 € de caução. Facada. Cheguei chez moi. (tradução: em casa).

Com o Davi, veterano, da engenharia química na UFC, também; verificamos o lugar, para conferir a avaliação que haviam feito. Depois, lar doce lar.

Não tão doce assim, é verdade.  Mas depois, ele se tornaria mais habitável.Por ora, restava dizer que haveria uma pequena convivência num barzinho na École. Fomos.

Já passava da hora de o meu pai chegar. E nada de eu ter notícias dele… as comidas no “jantar” foram batatas chips, amendoins, coca, suco de laranja, água e um macarrão com legumes. No fim, uma apresentação do ICM e o programa da semana. E nada do meu pai.

Consegui conectar a internet (graças ao Vítor, o outro rapaz da UFC no 1º ano em Marseille) e mandei meu número de celular por Facebook para o pai, na esperança que ele visse logo.

No dia seguinte, aula de francês. Das 8h às 10h. Normal, dividiram os alunos em duas turmas, B1 e B2, segundo o nível; no meio da aula, meu pai liga. Ele havia conseguido chegar numa lan house e havia pedido para me telefonar. Come ele conseguiu fazer tudo isso sem francês, é uma boa pergunta. Ele disse que ia tentar comprar um chip Orange, para falar comigo. Mais tarde, estava num momento entre 10 e 12h para explicarem a documentação necessária para a efetivação da matrícula quando ele me ligou novamente. Combinei de ir almoçar com ele, depois que eu terminasse. Rumei para a estação La Rose, pegar a linha 1 de metrô (linha azul, metrô totalmente laranja, exceto pelos bancos, marrons; isso dá um ar de velho, sei lá…). O primeiro desafio, na verdade, foi chegar à estação, a pé. Mas eu lembrava do Google Earth, ainda, então deu certo.

Ele estava me esperando na gare. Não era longe do hotel dele. Que era horrível.

Comemos num restaurante em um shopping (muito bom!!!) e fomos para o hotel. Pegamos as coisas que minha mãe mandara (roupas de frio, talheres, copos, prato, nécessaire, etc.), colocamos nas mochilas que ele havia trazido e fomos de volta para a residência. Deixamos as coisas lá, voltamos para o metrô e pegamos o ônibus 4, que ia para o IKEA.

O ICM havia levado os novatos para o IKEA, para comprar as coisas necessárias para a casa. Como eu tinha saído com meu pai, não pude ir com eles, mas fui mesmo assim. Acertamos a parada, chegamos lá na hora em que estavam já todos depois dos caixas, esperando para pôr as coisas no minibus.

Entramos na loja. O andar de cima era mais para móveis; mesmo assim, andamos, só para passear. Achamos uma cômoda excelente, mas deixamos para comprar depois – combinava até com os móveis que já vieram do quarto! Descemos, e andamos até cansar nessa loja! Era MUITO grande, Céus! Não ia dar certo era para a minha mãe, ela ia ficar de 10h a 21h lá dentro – isso porque são os horários de abertura e fechamento, respectivamente. Compramos talheres, panelas, tapetes, panos, tomadas, copos, xícaras, pratos, travesseiros (se bem que pegamos um de exposição, por engano, e não pudemos levar), porta-sabonete-xampu-e-tudo-o-mais-de-boxe, bandejinha, cesto de lixo, toalha de mão, enfim, tanta coisa que não dá para enumerar. Por menos de 200€, não foi tão caro. Mas tivemos que trazer tudo de ônibus…

Pois não é que, no ônibus, uma francesa vem falar comigo por causa da cruz da JMJ, que eu trazia no pescoço? Fomos conversando a viagem inteira em francês, foi super! Depois, tentamos ainda encontrar um supermercado aberto, mas 7h40 já é difícil encontrar qualquer coisa aberta. Na manhã seguinte, iríamos tomar café da manhã na padaria ao lado do Dia (um supermercado do lado da estação).

Como já está muito grande, amanhã eu continuo.

 

¹ Tuts-tuts: barulho que se dança que não tem música, pratocamente é só batia e mixagem.

JMJ (Parte 1)

A última questão e a hora. Era a hora exata, a última questão, e quem conseguiria se concentrar?, nem que eu quisesse, o texto passava diante dos meus olhos e o cérebro nada absorvia. Nada de voltar e reconferir, a corrida ia começar, pegar a mala na recepção, junto com a Carol, correr pra estação, comer alguma coisa, não tinha banheiro, digo, tinha, mas era pago; validar o bilhete, não demorou o trem chegou e – corre!, entrar depressa, encontrar o lugar.

A sexta-feira tinha sido corrida. Tirar a barba de manhã, que era pra não ter que viajar assim. Levar a mala e mochila no ônibus – sem esquecer de colocar a nécessaire com escova, pasta, e o resto. Com quem eu ia deixar a mochila? Tanto fazia, depois eu pensava. A aula da manhã transcorreu normal. Almocei com as suíças – mas cheguei atrasado, porque eu fui na mediateca fazer o check-in da volta e imprimir o mapa do metrô até a paróquia. Dificilmente verei a Esther e a Vera de novo… talvez em dezembro, se o der tudo certo pra eu ir com o Ives pra Suíça… À tarde, tínhamos uma improvisação de um programa televisivo, o meu era um jogo de perguntas e respostas sobre a França. Era sorteado, mas eu pedi para sair antes, por causa do teste.

No trem, a moça nos interrompeu. Estava checando os bilhetes de trem. Mostrei o meu. E cadê que eu tinha levado a carte 12-25? (É um cartão de desconto para jovens entre 12 e 25 anos de idade). Tive que pagar a diferença, uns 35€. Ainda bem que o cartão eu não tinha esquecido! Pelo menos ela disse que se eu fosse na gare com o bilhete, a carte e o recibozinho que ela me dera, eu podia ser reembolsado – provavelmente não tudo, mas melhor que nada.

Continuando: o teste, o bendito teste… minha viagem estava marcada para 6h da manhã od dia 19, sexta, mas, somente por causa desse teste, eu tive que adiar para 18h – e era a única possibilidade, e já era uma exceção: como havia muitos estudantes brasileiros que haviam marcado uma viagem antes mesmo de o teste ser anunciado, deixaram que a gente fizesse no dia 19, porque o dia programado era dia 22 pela manhã. Como não havia a mínima chance de chegar segunda de manhã, foi o jeito fazer sexta, mesmo, e chegar sair mais tarde. Ora, uma menina brasileira ia comigo, e, também ela tendo dúvidas sobre o que fazer, mostrei para ela o meu plano e ela quis ir comigo. Sairíamos um pouco mais cedo do teste e partiríamos.

O teste não foi difícil,mas se tivesse um pouquinho mais de tempo… e eu não conseguia fazer a escuta, não conseguia prestar atenção no computador falando… e não conseguia ler o texto… mas terminei bem na hora programada, 17h30.

Não que tenhamos conversado muito no trem, mas conseguimos nos sentar um ao lado do outro. A mãe d’accueil dela lhe havia presenteado com um exemplar de Le Petit Prince, que eu comecei a ler em voz alta. Sim, ler em voz alta em francês é muito melhor, mais emocionante. Paramos um momento. A viagem não foi muito longa – pudera, era o menor trecho!

Chegamos à gare de Lyon. Eu sabia que a gare de Austerlitz era próxima, fomos a pé (não valia nem a pena pagar metrô!). Só pra confirmar, perguntamos para uma moça que passava; para nossa surpresa, ela disse que era um pouco longe e recomendou a gente pegar um ônibus. Como assim? Mas o melhor foi ela se oferecendo para falar inglês com a gente! O.o Uma francesa começando a falar inglês sem nem a gente pedir? Peraí, aqui é a França mesmo? Mas a essa altura do campeonato, inglês é mais fácil de entender.

De teimoso que eu sou, convenci a Carol a ir a pé, mesmo. Eu sabia que era do outro lado da ponte! Atravessamos a ponte e perguntamos para um casal que passava. Pois não é que eles iam exatamente para lá?

No gare, pedimos mais algumas informações, o cara também se ofereceu para falar inglês, mas, enfim, era um balcão de informações. Comemos alguma coisa e entramos no trem. Não to bom. O pessoal que confere os bilhetes passou e logo depois eu dormi.

Acordei só de manhã. Não lembro exatamente o que eu fiz assim que acordei… sei que não demorou muito, chegamos na fronteira, e um pessoal foi checar nossos passaportes. Não sei se era algo oficial ou era do trem, mesmo, se alguém aí souber, pode me dizer. Uns vinte minutos depois, chegamos em Irun.

Irun é uma cidade fronteiriça, no lado espanhol. Como Não havia trem direto para Madrid, àquela hora, comprei uma conexão em Irun. Bem, esperamos uns quarenta minutos na gare (aliás, estación), deu tempo de ir no banheiro lavar pelo menos o rosto (meu último banho havia sido quinta-feira à noite), mas não de tomar café da manhã. Isso foi no trem; meu pedi um café, um suco e um sanduíche básico – mas o café era tão ruim que nem muito açúcar dava jeito! Li o resto do Petit Prince, assisti a um filme espanhol (com legendas, gracias!), fui conversar com a Carol (nesse trem, a gente não tinha conseguido comprar poltronas próximas, ela estava em outro carro)… era engraçado, tinha um cara lendo um jornal em basco, quase na frente dela! Muito estranho, isso (o basco)! Quase do meu lado, do outro lado do coredor da minha poltrona, tinha um casal de russos, ou qualquer outra língua que utilize o alfabeto cirílico; sei que teve uma hora em que eles se abraçaram de lado, e ela começoua pega na virilha dele O.o Depois ele cobriu com o tablet que ele tava lendo, e ela continuou com a mão lá – corri pra poltrona da Carol! Sabe-se lá o que é que eles iam fazer!

Quando chegamos a Madrid… bem, éramos nada. Ainda bem que ela falava espanhol, senão teria sido meio difícil – se bem que eu estava já mais localizado d que ela. Ele precisava ligar para o seu irmão. Tinha que ir para uma parada de metrô não muito depois da minha, na mesma linha. Fomos. Conseguimos comprar os tíquetes, sem problema; linha 1, algumas paradas, Bilbao. Nos despedimos, desci. Linha 4, até o fim: Argüelles. Peguei o mapa que eu tivera o cuidado de imprimir. Não era difícil, mas perguntei só pra confirmar o nome da rua. Segui o caminho indicado, cheguei numa igreja, paróquia do Santíssimo Salvador.

O que aconteceu eu não posso chamar de sorte. Nunquinha! Providência de Deus agindo 100%! Acontece que qase todo mundo já tinha saído. Tinham ido a Cuatro Vientos desdede manhã. Chego ao portão – mesmo aberto, toquei a campainha. Um senhor veio lá de dentro, enquanto isso, na frente da casa (posso chamar de jardim sem dar a entender grama e flores?), alguns jovens descansavam e eu vejo a Geórgia.

Inacreditável, isso: eu havia estudado com ela no 2º semestre da Casa de Cultura; ela era do Shalom, já tinha ido em missão para a França, depois foi fazer um curso de francês na Cultura (quando a conheci), e tinha acabado de sair de uma missão em Israel e estava na Itália, por equanto. Pois bem, pense na surpresa! Que mundo pequeno!

E ela me perguntando como eu tinha chegado,onde estavam minha mochila, meu crachá, minhas coisas, e eu queria exatamente saber ONDE era que eu pegava, e, quando vejo, o senor, lá de dentro, traz a minha mochila! Bendito seja Deus!

A casaparoquial estava fechada, mas eles tiveram a amabilidade de abrí-la para que eu colocasse as minhas coisas lá dentro. Tirei o que eu ia precisar, da mala, tirei o que não ia precisar, da mochila, guardei os tíquetes de refeição e o de passagem na pochete e fomos comer.

No pequeno restaurante, eu não tinha nem ideia do que pedir, pedi uma sopa de tomate (fria, porque era verão) e salsicha com fritas. Disseram que, pelo fim da semana, não aguentavam mais comer coisas desse gênero.  Geórgia, Maria (outra brasileira que vive na Itália, da CV) e eu. E a sopa não era a última Coca-Cola gelada do deserto… na TV, passavam algumas imagens do aeródromo de Cuatro Vientos, e a multidão, o sol, a poeira subindo, os bombeiros jogando água para refrescar… “Tomara que minha mãe não esteja vendo isso!”. Pagamos com meus tíquetes de refeição – ninguém nem olhava as datas, e eu tinha pela semana inteira, ainda! Sério, saí “pagando” refeição a torto e a direito, nesse fim de semana!

Tinha ar-condicionado, no restaurante. Pois bem, assim que abrimos a porta… aquele bafo quente invadiu o lugar, e cadê a coragem de sair? Mas era o jeito… fomos a um mercadinho chinês, comprar cabos de vassoura para as bandeiras (lógico que eu levara a minha!). Mas não tinha máscara de proteção, para proteger da poeira, nem guarda-chuva decente. Pas grave. Voltamos ao jardim da casa paroquial, onde cochilavam, ainda. Quase todos italianos. Ora, eu pedira para ficar com o Shalom da Itália (na verdade, fora um teste, eu não esperava que fosse dar tão certo; mais pro fim de junho, eu consegui pedir a “relação de confiança” com o Shalom do Brasil, mas acho que já estava muito em cima) (além do mais, o Shalom da Itália estava numa paróquia até bem localizada, enquanto o pessoal do Brasil foi pra Guadalajara! Uma hora de trem de Madri!). Ainda bem que havia outros brasileiros, mas todos eles falavam italiano (a Geórgia, mais ou menos, mas ela falava tão sem inibição que eu jurava que ela falava direitinho!). De vez em quando, eu tinha que parar e perguntar o que as coisas significavam.

Antes de ir, passamos ainda num supermercado – aproveitei que eu havia esquecido a toalha e comprei uma, bem como uma bebida gelada (uma das poucas do mercantil) e um Kinder Joy (era muito barato!)

Bem, fomos a Cuatro Vientos. Partimos de metrô, trocamos de estação, fomos até a parada que devíamos, subimos, pegamos um ônibus que dava para perto do aeródromo, e começamos a andar. E pense num andar! Bem, no meio do caminho, alguns brasileiros disseram que por aquele lado não se entrava mais. Bem… ficamos na dúvida, mas a teimosia venceu – porque italiano, além de falar cantando, comer macarrão e falar com as mãos, É teimoso! Pois bem, fomos adiante.Outras pessoas disseram a mesma coisa. Andamos e andamos e andamos e andamos e nunca ia chegar, e eu ia perto dos brasileiros para poder falar português e andamos e andamos e chegamos e não podia mesmo entrar, tentaram falar com os voluntários que estavam à grade, não podia, não sei nem por quê, parece que muita gente que não tava inscrita tinha ido já sexta-feira, dormir lá, enquanto não tinha controle de quem entrava, e tinha muito mais gente que o esperado, lá. Bem, ficamos de fora. Havia ainda um telão, lá fora – foi assim que vimos o que se passava. Acomodamo-nos num lugar nada mal – c’était pas le Bizance, mas dava pra ver.

Fiquei tão contente que o espanhol falado nos alto-falantes era bastante lento! Porque os espanhóis falam DESESPERADAMENTE rápido! Bem, dava pra entender – e o que não dava, tinha a tradução em inglês, depois. Escutar foi até fácil, mas falar espanhol… é uma musculação para a língua, certeza! Dói. E é uma língua feia, também. Está próximo do fim da minha lista de prioridades de língua a aprender, perto da língua dos inuits, do pirarrã e do idioma extinto de Betelgeuse III (porque eu não tenho línguas suficientes para pronunciá-lo). Até o catalão goza de mais respeito que o espanhol, no meu conceito, pelo menos é uma cópia um pouco mais bem-feita do português.

Pois bem, o papa chegou. É óbvio que a única forma de vê-lo era no telão. A primeira coisa que ele fez foram responder às perguntas de cinco jovens adultos – [escrever as nacionalidades e as línguas]. Depois de algumas palavras do Santo Padre, começou a chover. Um vento muito forte, uma chuva vinda do nada – mas já era de se esperar, havia já uns vinte minutos que havia começado a surgir relâmpagos muito fortes, ao longe! Mas quem iria desistir por causa de uma chuvinha?! Eu e o Marcelo, outro brasileiro, nos abrigamos debaixo de um guarda-chuva, e eu coloquei meu colchão de um lado, já que ele era de borracha (não, mãe, eu não coloquei o lado de dormir para fora), começamos a rezar para que aquela chuva não interrompesse aquele evento, aquele momento. Rezamos um mistério. A chuva deu uma diminuída, os apresentadores falaram que o Bento tinha pedido orações – mais um mistério. Pouco depois, a chuva parou. Engraçado é que tinha uns brasileiros do nosso lado (não do nosso grupo) que ficaram cantando e dançando na chuva. Sim, sim, e não éramos todos loucos, por acaso, de estar ali? Não era também eu um dos piores loucos, da minha arriscada empreitada?

As coisas se acalmaram. Um tempo em nada. Até bastante tempo. Alguns se prontificaram a ir pegar a comida. Pois foram bem na hora da adoração. Quando eu vi o ostensório imenso, aquela custódia magnífica, e o vigário de Sua Majestade que O colocava em Seu Trono de Glória… tinha como não pensar na beleza do Rei dos reis? Tinha como não pensar no Senhor do universo, em toda a Sua Glória, observando amorosamente todo a cada um de seus filhos queridos, os jovens, as virgens prudentes do Evangelho? No Esposo que chega na liteira de Salomão e convida sua amada para ir com Ele? No Amor com que Deus ama o mundo? E, apesar disso, ou talvez mesmo por isso, no cuidado pessoal que Ele tem para com todos? Sim, Ele que me ama apesar de mim mesmo, que não me tira nada, mas que me dá tudo… queria muito tentar descrever a adoração, mas me é tão impossível quanto tentar descrever o próprio Deus: conheço-o, mas não é possível descrevê-lo, dado que Ele me ultrapassa em todos os sentidos, em toda a minha capacidade de dizer qualquer palavra – e isso é escrevendo, porque falando…  nem pro começo!

Finda a adoração, chegaram os jantares. O Bento disse ainda algumas palavras. E até amanhã! Bem, antes de sair, um pedido: desimpedir as vias, que estavam cheias de gente, para que o papa pudesse passar. OK.

Como bastante gente ia sair – principalmente os madrilenhos – tentamos entrar. Pelo portão que a gente tinha entrado antes, não podia. Tentaram se aproveitar de brechas no portão. Os guardas nos impediram de prosseguir, mas ainda insistiam. Muita má-fé, pro me gosto… depois de um pouquinho de polêmica, fizemos uma votação: iríamos arrodear o aeródromo para tentar entrar ou ficaríamos lá mesmo? Ganhou o tentar entrar. Andamos todo o caminho que percorrêramos à tarde, viramos à esquerda e chegamos ao portão 2 e – nous voilá!

No meu crachá, assim como na maior parte do nosso grupo, estava escrito E5, mas quase toda a galera do Shalom estava no F6. Bem, fomos procurar um lugar no F6, pra dormir. Foi difícil, mas deu. Antes de dormir, banheiro, escovar os dentes, e pegar as sacolas de piquenique. Ainda bem que tinha água, dentro! Depois de algum tempo, adormeci. Acordei várias vezes durante a noite, de desconforto – peguei minha mochila e coloquei na cabeça – de frio – peguei a toalha que eu tinha comprado e me cobri com ela – etc. Não acordei com formigas – gracias!

[continua…]

Vichy à vélo

Nem acredito que minha última postagem foi Clermont… já fui a três excursões depuis cela, mas ainda não escrevi… vocês me perdoam se eu deixar pra falar depois? É que eu fiquei tão animado hoje!

Já que eu acordei 10h50, não tinha nem perigo de tomar o café e ir à Missa de 11h15 na Saint Blaise -apesar de minha intenção original ter sido ir à de 10h na capela das franciscans (rito de São Pio V)… e como hoje é domingo, o último ônibus passa na minha parada da volta às 18h56, o que não me deixaria ir à Missa de 18h e voltar de ônibus. Então, fiz uma coisa que há tempos eu queria: pedi ao M. Piombini a bicicleta dele (a outra, sem ser a que o Xù costuma usar) (já disse que Xù é o chinês que mora aqui?).

Saí umas 11h30, chovia de leve. Be mleve. Peguei minha jaqueta jeans, bastava. Aqui tem bastantes ciclovias, mas não em todas as ruas – então, eu tive que andar pela rua ou pela calçada, em algumas ruas. Mas foi muito legal: nem me lembrava que fazia pelo menos cinco anos que eu não sentia aquela sensação de pedalar, sentiro vento no rosto, sentir que o que eu fizer a bicicleta vai seguir (que nem o carro… ¬¬”); eu moro no extremo norte de Vichy, e o Cavilam é no extremo sul, o que faz 45 minutos a pé, mas nem 15 min de bicicleta! Acho que ainda faria menos se eu não tivesse descido da icicleta tantas vezes. Como na avenida Clémenceau, onde a calçada é de cerâmica e estava molhada e cheia de gente, e como a rua é estreita… (mas é uma das ruas mais importantes de Vichy, sem dúvida). Cheguei ao Cavilam, mas era meio que pra conhecer o tempo. Então, fui passear. Fui a Bellerive (uma cidade perto de Vichy), andei um pouquinho, depois voltei a Vichy, andei pelos parques feitos a mando de Napoleão III; fui até a gare (estação de trem), cheguei próximo do hospital (eu só havia passado por lá uma vez, perdido buscando a gare…),voltei, por algum motivo, voltei a Bellerive, e lá eu encontrei um chinês que faz atelier de teatro comigo, o Yisu. Ele estava indo a Vichy, comprar alguma coisa para comer. Fui acompanhá-lo.

Deixamos as bicicletas no Cavilam e fomos ao Monoprix (supermercado francês; aqui tem um na av. Clémenceau). No caminho, eu havia dito pra ele que eu estava pensando em variar, tinha até proposto ao meu irmão chinês de ir  um restaurante chinês, mas nunca dava certo (sei lá, depois de estar aqui, é estranho dizer “convidar” quando eu não tenho a mínima intenção de pagar por ele…). Bem, depois de olhar no supermercado sem aquela cara de “ah!, é isso que eu quero realmente almoçar”, ele preferiu ir a um restaurante chinês que tem na rue de Paris. Eu queria ir com um chinês justa,emte porque eu não tenho nem ideia do que pedir! Cfomemos um frango com castanha, legumes (cujo nome eu não sei), eu pedi uns camarões e – é claro! – arrroz.

Comemos com pauzinhos, foi tão legal!, nunca tinha comido outra coisa que não fosse sushi, com pauzinhos. É engraçado comer arroz, assim! E eu gostei muito – sei lá, não era alo de tão estrambólico, era até normal… até os legumes eram bons. Conversamos um pouco, mormente falando sobre nossoss próprios países – conversa típica do Cavilam. Mas é legal; a China parece mais com o Brasil do que parece. Tipo, ninguém dá a mínima pra faixa de pedestres, e, principalmente no interior, nem pras leis, como a do controle de natalidade. Bem, meu conceito de Brasil se aplica bem a Fortaleza, não sei o resto.

Depois, eu o acompanhei de volta à casa dele, em Bellerive. Ele me apresentou um pouco da casa, principalmente o jardim – tem até uma pequena fonte, estilo japonês, com algumas carpas. E uma piscina, e um lugar coberto quase à beira da piscina, onde eles comem quando faz tempo bom.Depois, fui-me – mas ele teve de me mostrar com chegar na rotatória perto da ponte, de novo. Eh bien, depois, fui passear mais ainda – afinal, ainda não eram nem duas horas, a a Missa era às 18h! Fui ao norte de Vichy (no caminho, quase caí na calçada molhaa de cerâmica da Clémeceau!), acho que cheguei a Cusset, quando passei por uma rua, lá; cheguei à segunda ponte (que não é longe da minha casa), atravessei, passei em frente ao lugar onde fizemos rafting. Depois fui tudo ao sul, passei pelo hipódromo, pelo campo de golfe, e, acreditem!, é bem grande, tudo. Cheguei até à primeira ponte, entre Bellerive e Vichy, do lado Bellerive. Parei um pouquinho assim que passei por baixo da ponte.

Nunca tinha sentido a água do Allier (o rio que passa por aqui, e que dá o nome ao departemento onde se localiza Vichy: Allier, na região do Auvergne). Não é mais quente nem mais fria que a de outros rios. Sim, apesar de ser a Frença, cada vez mais eu descubro que MUITAS coias não são tão diferentes assim do Brasil… (imagino que para maioria dos estrangeiros, dizer “não são tão” é quase um trava-língua). E tinha até um lugarzinho com algumas plantas aquáticas e algumas garrafas… não, a França não é perfeita, longe disso. Tant mieux.

Bem, voltei a Vichy (no caminho, vi um grupo jogando pétanque!) e andei por um trechinho que eu não conhecia e descobri a Source de l’Hôpital. Pena que tinha uma exposição, lá dentro, por 3€. Acho que eu passo… mas depois fui pro Hall des Sources, só pra provar pela 789¹²³ ª vez das águas das fontes. Só tomo cuidado para não provar todas de uma vez, mas eu sei que já provei de todas pelo menos uma vez (a minha¹…  nunca mais! Mesmo assim, devo ter bebido umas três vezes…). Depois, deixei a bicicleta ao lado da igreja de Saint Louis e comprei um tiramisu (não, não é francês, mas vendia numa viennoiserie que tinha por ali, então, por que não…? – ele dizem muito “pourquoi pas?”, aqui). E comi, é claro.

Fui rezar, depois foi a Missa – véspera da Assunção, já. Sem ter combinado nada, sentei num banco que tinha brasileiros na outra ponta! Foi tão legal a sensação de desejar “Paz de Cristo” em português! E não tem nada como receber Jesus… ah!, pobres os que não acreditam, não sabem o bem que perdem… sim, muito pobres mesmo…

Saindo da igreja, deu para perceber que chovera – tudo estava mais molhado e a sela também. Coloquei a jaqueta e parti. Na metade do caminh, começou a chover, e foi ficando forte! Eu tava correndo rápido, para ver se pegava menos tempo de chuva, e – assim que eu saí da avenue Thermale, a chuva passou. Estranho…

Entrei, comecei a escrever este post, jantei, assisti a um filme de comédia de Coluche (“Inspecteur la bravure”). Gostei, mas eles podiam falar um pouquinho menos rápido…

E foi isso. Só lamento não ter podido tirar nenhuma foto…

¹ Pra quem não viu, minha sourrce = source de Lucas, que tem gosto muito forte, gosto de enxofre…