Neige à Marseille

Pois é, o semestre acabou de acabar e eu não estou de férias – amanhã começa o S6. Isso é muito estranho, eu que sempre torcia para que o fim do semestre chegasse logo para dar lugar às férias. Mas só o fato de me ver livre das provas já é um bom avanço. Certo, foram três provas uma atrás da outra e é ALTAMENTE provável que eu fique de rattrapage em no mínimo photonique e mécanique, mas é normal. Acabou, por enquanto. Amanhã começa o semestre 6 – férias de Natal e Toussaint serve pra cobrir esas férias, não? Além do quê, tem as férias de fevereiro em duas semanas.

Mas o que eu esotu me adiantando pra escrever é sobre um acontecimento esperado e, pourtant, surpreendente (nunca encontrei uma tradução ideal para “pourtant”; ele liga duas ideias meio contradiórias, tipo “faz sol pourtant chove” ou “ele é francês pourtant toma banho”…) : neve.

Havia tempo que falávmos nisso – desde que as previsões do tempo começaram a apontar uma possível queda de neve na quinta-feira passada (2 de fevereiro). Pois bem, na quinta-feira estávamos estudando química no Sogima (uma residência que não é a minha, é um pouco mais longe da École). Saímos por volta da uma a manhã, eu e mais três brasileiros que moram aqui no Château (minha rsidência). Ora, não tínhamos visto nada na hora que saímos, mas asotu cruzar o portão para alguém dizr “olha, tá nevando!”.Era pouco, verdade, mal dava para ver se não fosse contra a luz dos postes – uns negocinhos pequenos, quase como gotinhas de chuva mais leves, que o vento carregava… como uma caspa do céu. Fomos assim o caminho para casa: sob essa fina chuva de partículas que não chegavam a durar alguns segundos no chão. Mesmo na roupa, elas iam embora depressa.

Para mim, já era altamente emocionante!

Mas o melhor ainda estava por vir.

Sexta a gente tinha ido estudar mais cedo – devemos ter acabado umas 23h. Eu já estava em casa, tentando revisar alguma coisa de mécanique. Já era quase ih de sábado quando a Ingrid me liga. Estava nevando. Estava nevando e nevando muito: eu vi o chão do estacionamento do Châteai já quase todo branco, a neve se acumulando sobre os carros!

Peguei meu casaco, o cachecol, nem me lembrei das luvas (que, por sinal, era uma mão diferente da outra, porque os pares delas eu tinha perdido), nem touca de frio, só a chave de casa e fui correndo pro Sogima. Escadas brancas, estacionamento branco, nessa hora eu estava com a câmera da Ingrid (que eu tinha pedido emprestado para tirar fotos dos TDs de méca e enviar por e-mail), tirei fotos do caminho, as coisas ficando brancas!!!

Coisa de filme.

Cheguei ao Sogima, o pessoal estava do lado de fora do prédio- mas dentro dos portões; chamei alguém para abrir e eles saíram, e a rua estava branca – branca! Sim, Branca de Neve. Branca de um branco puro e simples: é branco. Ace todo branco fosse assim? Não sei, mas ao mesmo tempo que era branco,era gelado. Tão branca quanto gelada: tão gelada quanto branca. A neve. Nos desenhos ea nem parece tão fria, nos filmes, parece, masela é ainda mais. Sinceramente, pensei que minhas mãos fossem cair, de tão estonteantemente congelantemente brancamente neve. Nivosamente.

Escrevemos nomesno chão, tiramos fotos, alguém quis começar uma guerra, não era hora. A hora viria por si só. Eu fiz um anjo de neve, e eu sei que tem foto – só não me perguntem quem bateu. E nevava, e os flocos continuavam grossos, nem parecia a mesma substância da quinta. Entramos no prédio do Sogima para nos aquecermos. Sim, que prazer sentir de novo asmãos, as orelhas, o nariz… aaaahhh….

Saímos de novo, dessa vez dentro dos muros da residência. Neve branca e gelada e linda. Começaram as guerrade bolas de neve, e as fotos, e o frio não passava, e a neve não cessava de cair. Pegaram pá e balde, para criar um arsenal de bolas, eu, sem luvas, ousava, mas as mãos clamavam por luvas, clamavam por bolsos. O nariz e as orelhas, não senti nenhuma reclamação – não senti nada, a bem dizer. Saberia descrever? Não, não saberia. Seria preciso uma cena de filme (ou desenho Disney), com uma trilha sonora de sonho se realisando, e de repente todo mundo começa a cantar junto. Mas não, não houve trilha sonora, nem fogos de artifício nem sapo virando príncipe. Houve só a neve, os outros e eu. E foi divertido e sublime. E foi ridículo e onírico. As árvores secas, com neve, o chão coberto, as pessoas atirando bolas de neve – e elas conseguem ficar bem mais consistentes do que eu imaginava, apesar de a neve ser normalmene bem “fofa” – , mãos congelando: quer coisa mais de filme do que isso? Sò fltava o boneco de neve. O Eduardo até tentou, mas, hélas, não havia bem como. Não sei por quê, mas não. A neve me era uma ilustre incógnita.

Como todo filme, chaga uma hora que o vilão aparece. Não, ele não era vilão, só fez papel: o… diretor? da residência, não sei como se chama seu cargo, ele tinha sido acordado no meio da noite pelo nosso barulho. Barulho de alegria e diversão. Bem verdade que eram quase 2h, onde estava nosso direito de fazer um tal “bordel” (expressão típica do francês)? E quem queria dormir? É bemverdade que não era eu o único a ver a neve pela primeira vez. Estávamos muito excitados, todos nós. Mas ele chegou ralhando que entre nós havia que não éramos do Sogima, que o havíamos acordado, que… – em plena cólera, e com atitudes bem “à la française”. Chamamos os ouros depressa e pusemo-nos a caminho. Não nos convinha ficar ali. Fomos. Quatro.

A fonte na frente do Oxford (outra residência) não estava completamente congelada, mas tinha placas de gelo em cima! Era tão…

Filme!

E no Facebook, o Pierre, que serve la na igreja des Réformés, estava organizando uma guerra de bolas de neve para a manhã seguinte. Dormi sonhando com ela e acordei quase sem. Boa parte dela já estava derretida, e lá no centro, ainda menos. Claro que eu não consegui estudar mais nada! A neve caiu na contramão atrapalhando o tráfego. O sábado.

Para terminar: domingo de madrugada neovu de novo, mas eu não vi. Acordei para ir à Missa e estava metade derretida. Mas deu para ver a fonte do Oxford completamente congelada e coberta de neve. Na volta da Missa, os únicos sinais de neve eram as sombras: literalmente. Desapareceu tudo deixando o chão molhado. E fim. Ou, pelo menos, por enquanto.

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2 Respostas

  1. É de dar inveja, como eu gostaria de ter vivido esse momento! Espero um dia poder faze-lo. Por isso digo, curta tudo o que puder, não esquecendo é claro o objetivo principal que é estudar!

  2. Isso é o que realmente se pode chamar de viver um “Contos de Fadas” Experiência única que com certeza jamais será esquecida por você. Lógico que como seu pai falou “Não esquecendo o foco principal, que é o estudo,” Essas descobertas e experiências vividas, serão extremamente benéficas sobre todos os aspectos.
    Que Jesus seja em todos os instantes o seu principal guia turístico.

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