JMJ (Parte 2)

No dia seguinte, acordamos com alguns avisos de que gente perdida deveria ir ao alguma coisa número três e avisos de que a tempestade (alguém tem alguma tradução melhor para “orage”?) tinha derrubado algumas capelas, e, por respeito a Jesus Sacramentado, removeram os sacrários, então não haveria comunhão para todo mundo, durante a Missa. Domage…

O café da manhã tirado da sacola de piquenique foi bom. Uma comunidade religiosa cantava as laudes. Esperamos um pouco, e o papa não demorou muito a chegar. Ele ia passar. Sim, haviam desocupado as vias. Só que…

Bem, ele só passou no corredor central, acho. Perto da gente, não. Que pena: nem vi o papa de perto… ah!, mas não tem problema. Meu objetivo não era ver o papa, mas fincar raízes em Cristo, firmar-me na fé. Mas claro que se desse pra ver o papa de perto, eu não iria reclamar…

A Missa começou. Pena que eu havia deixado o livro do peregrino, nem deu pra acompanhar direito. Mas como era o mesmo rito latino, só que em latim, deu pra acompanhar. As músicas – Céus, o que era aquilo! Muito lindo, levava a gente até o céu mesmo sem entender tudo! Dava pra entender algumas coisas, mas mais porque eu já conheço a Missa.

A primeira leitura – fiquei tão contente, foi em português! E português do Brasil – acho que o cara devia ser paulista. Fiquei até emocionado! Depois, o salmo em espanhol. Segunda leitura em francês. Aclamação belíssima, evangelho em espanhol, não tenho mais tanta certeza. E a homilia, também não lembro bem, acho que foi em espanhol. Sei que o que eu prestei atenção, eu entendi.O credo, eu rezei em português, embora tenha sido cantado em latim. Preces em várias línguas – espanhol, francês, inglês, alemão, polonês, chinês (eu acho, teve língua que eu não tenho nem ideia!).

Oração eucarística, Jesus todo Glorioso nas mãos do Seu vigário; Corpus Christi. Pater.

Comunhão. Espiritual.

Ao fim, uma mensagem do papa aos jovens, cada um em sua língua. Depois, ele anunciou que a próxima JMJ vai ser… no RIO!!!! Mas que festa, do brasileiros! Muitas bandeiras balnçamdo, muito verde-e-amarelo, muita alegria, cornetas, gritos, emoção, comoção, palmas, torcida organizada! 2013. Uma equipe de jovens brasileiros foi receber a cruz dos jovens. Sim, que alegria!

Nisso, só deu pra ver o papa um pouquinho, de longe, nem sei se era ele mesmo, prefiro pensar que sim. Enfim, no fim das contas, encontrei uma boa galera do Shalom – eu vi o Vitinho! Que saudades, ainda não o havia visto com o tau de discípulo! Ele me pareceu realmente feliz. Peguei o e-mail dele, coisas assim; muito contente, ele disse que ia me passar seu endereço por e-mail, até já escrevi um postal!

Depois disso, me perdi do meu grupo. Esperei um pouco, tentei ir até o lugar das pessoas perdidas, mas nem encontrei esse lugar! Resolvi esperar mais um pouco, e andei, andei, andei… saí do aeródromo, andei andei andei, onde era que eles estavam? Fui seguindo a multidão até o metrô – não tinha mais o ônibus que nos levava para lá… além do que, aquele estação onde descêramos não estaria funcionando nesse dia.

No meio do caminho, encontrei o povo! Deus seja louvado! Andamos, andamos, andamos, tomamos um pouco de banho, na água que alguns moradores jogavam nos peregrinos, eu sem banho desde quinta, a estação de metrô entupida de gente. Pensamos em pegar um táxi, tudo lotado. Paramos numa calçada, comemos alguma coisa, esperamos – era bem em frente a um condomínio com piscina. Inveja.

Aonde vamos, agora? Fomos à próxima estação. Era mais adiante; no caminho, vimos um táxi estacionado na frente de uma lanchonete, mas o motorista não queria dirigir naquela multidão. Descemos, metrô lotado! Pegamos no sentido inverso, chegamos na estação entupida, muita gente, mas veio um metrô vago. Paramos numa estação e pegamos um táxi. Chegamos na nossa paróquia.

Arranjei um lugar num quarto, fui pegar minha mala – ainda bem que os espanhóis entendem português, senão… enfim,

Tomei banho.

Descansei um bocadinho, dei uma organizada nas minhas coisas, enchi o colchão, vasculhei minhas coisas pra saber o que tinha vindo. O Youcat em português é muito massa – mas é em português de Portugal.

Pouco depois de 17h, fomos para a festa brasileira. Teve banda Dominus, na hora da banda Cirus, eu voltei para o alojamento – alguns brasileiros estavam vendendo chinelos da JMJ Shalom,e haviam acabado, fomos buscar mais. Eu e mais um cujo nome eu esqueci – brasileiro, claro. OK, erramos de metrô, ninguém viu, voltamos e acertamos e voltamos. Quando chegamos na praça de volta,

A Lívia!

Eu vi a Lívia, que não via desde que ela ingressara na Comunidade de Vida. Tudo bem que isso fora em abril, ainda, mas a surpresa foi tão grande quanto ver alguém que não via há anos. Era bem na hora do show do Missionário Shalom… mas fomos jantar, apesar disso. Um dia deve ter show deles em Toulon ou Avignon, então… fomos para a estación e comemos num restaurante de alguns chineses, lá. A maior alegria era poder comer arroz… *_* E não só ela: depois, o grupo com o qual eu estava foi comer lá, e eu recomendei porque eles queriam URGENTE comer arroz!

Disseram que a chuva com vento derrubara uma parte do palco. Pararam o show, mas como só brasileiro é brasileiro, desceram e começaram a fazer uma espécie de “lual”! Mas não ficamos para ver como ia continuar. Do jantar, todo mundo foi para “casa”.

Todo mundo entre aspas, também. Eu e mais duas italianas passamos na paróquia, pegar uma mala, depois fomos à casa onde elas estavam dormindo, a convite de uma mulher.

Essa senhora, cujo nome eu esqueci, mas era Maria alguma coisa, casada com um senhor chamado Jesus, era de algum país americano, que eu não lembro bem, e muito simpática. Conversamos um pouco, e ela nos ofereceu uma sangría. Todo mundo achou ótimo; eu, que nunca apreciei álcool, fiquei meio sem saber o que fazer… não era ruim, fato, mas era vinho com frutas, de qualquer forma… bem, quando me perguntaram eu disse que eu não gostava muito de vinho, mas aquilo era bom. Ah, e eu ganhei uma faca de bolo, também! As moças iam dormis lá; eu voltei para a paróquia.

No dia seguinte, acordei antes do despertador, com o povo se preparando para ir embora. Iam cedo. Eu também, não podia chegar tarde. Ou eu achava que não. Despedi-me dos italianos, iam colocando minha mala por engano no ônibus que ia para Itália!, colocaram meu café da manhã no ônibus (ainda bem que eu já tinha comido alguma coisa) (mas tinha três chocolates, ainda T.T). Peguei o metrô.

Ainda lembro que eu peguei o metrô na estação de Argüelles, fui até o Mar de Cristal, onde peguei outro para a parada do aeroporto Madrid Barajas terminais 1, 2 e 3. O meu era no terminal 1 – o mais difícil foi encontrar o terminal 1, já que eu não sabia que seta para baixo, na Europa, que dizer em frente…

Cheguei no balcão da Ryanair, pedi para pagar para enviar a mala, ela disse para primeiro passar no balcão do passaporte, passei, voltei, ela perguntou o peso da mala, fui num dos chek-ins vazios, pesei, 9,90 kg, voltei, paguei 40 €. Quiseram falar inglês, nisso tudo, mas com sotaque espanhol… sinto muito, mas não dá mesmo. Só pedi para falarem mais devagar. Deu certo.

No embarque, fui logo para o portão. Pouco tempo depois, começou a se formar uma fila. Tomei lugar. À minha frente, dois homens conversavam em francês, um deles tendo em mãos o Youcat francês. Depoisde muito tempo parado, puxei conversa – começando pelo Youcat. Conversamos um pouco, eles sabiam um pouquinho de português, bem que eu achei o sobrenome que eu vira no cartão bem português! Depois de algum tempo, a fila andando, eles me falando que conheciam mais ou menos o Shalom, os espetáculos teatrais, eles conheciam o Wilde Fábio! E sempre me perguntando coisas sobre Portugal, se eu conhecia a comunidade lá… e eu sem entender, quando vi, aquela fila era para Porto! A minha era no mesmo portão, mas uns quarenta minutos depois.

Bem, esperei. Quando por cima do portão apareceu “Paris Beauvais”, aí sim eu me mudei. À minha frente, um grupo de francesas falava. Tentei entender, mas era difícil, elas falavam rápido.

O avião mudara de portão. A moça avisou no alto-falante do portão (porque o do aeroporto não avisa esse tipo de coisa) e todo mundo correu! Afinal, quem não quer pegar um bom lugar no avião? Na minha frente, outro grupo de francesas! Se bem que eu acho que maior parte do avião era francesa… de qualquer forma, quando elas me ofereceram um brioche, eu aceitei. Ficamos falando eu, uma das francesas, e umas argentinas que estavam atrás de mim.

Entramos no avião 11h45, se bem me lembro. O voo estava marcado para 10h30… ainda bem que eu havia comprado meu bilhete de trem para bem tarde, temendo esse tipo de coisa!

E temendo a imigração… se tivesse, eu talvez não passasse, porque não tinha o titre de séjour. Mesmo assim, consegui dormir no avião. Acordei com a dor nos ouvidos do pouso.

O aeroporto de Beauvais é tão pequeno que não deve ter nem imigração! Sério, é estranho… comi um sanduíche no aeroporto e fui esperar o ônibus. Ônibus da cidade, mesmo, porque eu ia para a gare de Beauvais – não sabia bem onde o ônibus para Paris deixava, então, preferi não arriscar. Esperei impacientemente o trem… começou a chover, corri para o outro lado da rua para me abrigar – o motorista chega. Bem… fazer o quê?

Parei na parada mais próxima da gare, fui na chuva, mesmo, ainda bem que não estava tão forte; cheguei poucos minutos antes do trem. Entrei. O trajeto do trem ocorreu normalmente, cheguei à gare du Nord, m Paris. Eu tinha três quartos de hora para chegar à gare de Lyon. Não sabia nem que RER tomar (lembrava do site que dizia que era RER, mas qual…). Um senhor me ajudou a fazer isso, só que era 6€ e alguma coisa; eu tinha uns 4,50€ em espécie, ia pagar com cartão, mas ele pagou por mim. Bem, ele teve que se contentar com os 4,50, né? Désolé.

Chegando à gare… cadê que se encontra o lugar de pegar os trens? Era difícil, pedia ajuda a uma senhora, e ela me levou até lá – mas precisava do tíquete do RER/metrô, para passar, e cadê que eu encontrava? Tive que entrar junto a um senhor que entrou por uma porta mais larga. Vi no telão minha plataforma, corri para ela, subi pelo lugar errado, desci de novo, subi pelo certo, achei a plataforma, subi no trem um minuto antes de ele sair. Ufa!

Cheguei a Vichy 21h50. Fizera calor, no final de semana, era até meio estranho: quando eu cheguei, o ventilador estava ventilando a sala de jantar! E havia também a sobrinha do M. Piombini, de Marseille, com seu marido. O Xù também estava lá, tudo em paz.

Sim, a Jornada Mundial da Juventude fora excelente, mas não deixa de ser um grande alívio chegar em casa após uma jornada tão cansativa de viagem…

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