Château d’If

Sábado, o ICM ia levar o pessoal aos calanques – uma espécie de praia com falésias de calcário, muito bonitas. Mas ia durar o dia inteiro, seria complicado. Fomos à Missa de 11h na igreja do Vieux Port (o velho porto); chegamos 11h04 e o padre já estava terminado o Evangelho! Mas foi bom pela Missa de quinta, a que não havia sido possível ir. Depois, compramos nossa passagens para o château d’If (o quiosque de vendas era logo em frente).

Para quem não sabe, o châteu d’If é a prisão (e a ilha) onde Edmond Dantès, o conde de Monte Cristo, personagem principal do romance homônimo de Alexandre Dumas, fora encarcerado sob acusação de napoleonismo. O livro foi o primeiro best-seller de nível mundial da história, e, depois de ler o livro, hordas de pessoas se dirigiam ao castelo na ilha d’If, para conhecer o lugar dessa emocionante história, pouco se importando se o lugar era uma área militar e uma prisão ainda em uso até o fim da 1ª Guerra Mundial.

A viagem era de barco, muito boa! Aquele vento bom, aquele sol fraco, no céu nublado, uma sensação de liberdade incrível… sim…

Chegamos à ilha. Descemos. Após uma não muito longa escadaria, a bilheteria – os nossos tíquetes valiam só pela viagem. Compramos. Pedimos um manual em espanhol e um em francês; infelizmente, o em espanhol era diferente, não tinha as explicações de cada cômodo do castelo. Confesso que eu ri com aquela carinha de “bem-feito” para quem quer que fosse espanhol e não falasse francês. Entramos na prisão.

Havia uma lojinha logo ao lado da entrada; pulamos. Chegamos ao pátio, que tinha um poço; a visita comentada estava terminando. Visitamos o castelo por conta própria. À direita, uma sala com uma exposição. Vimos o esboço rinoceronte que fora dado de presente ao rei de Portugal, o qual, por sua vez, oferecera de presente ao papa. Na viagem de barco, devido a alguns problemas, o rinoceronte fora deixado por algum tempo na ilha d’If. Até o rei de França fora ver o curioso animal de que tanto falavam. Na segunda parte da viagem, o navio naufragou perto da Itália. Mesmo assim, encontraram o corpo do animal, que foi empalhado e oferecido ao papa.

Perto dessa sala, em outra porta do pátio, uma outra porta dava para a cela de Edmond Dantès. Era grande e mal-iluminada; uma tevê mostrava repetitivamente cenas de Dantès na prisão, abrindo o buraco para a cela do abade Faria, planejando a fuga, etc. Claro que o túnel para a cela vizinha não poderia faltar! Dava pra ver claramente, e acho que dava até para passar uma pessoa de verdade.

Do lado, outra cela, que tinha uma porta para a cela do abade Faria. Não podíamos entrar, mas, do lugar onde tinha a fixa de proibição, dava para ver uma televisão onde nos víamos dentro da cela. Infelizmente, não dá pra tirar foto de TV que preste, então…

Subimos. Em cima, eram as celas pagas, as “pistoles”, devido ao nome de um tipo de moeda francesa. Muitas celas tinham lareiras, e janelas grandes, com grades (nas de baixo, as janelas pareciam janelinhas de banheiro). Numa delas, o homem da máscara e ferro teria ficado – e, diferentemente do Monte Cristo, esse foi encarcerado de verdade, lá dentro. Mas como este é mais famoso que aquele, nem se fala muito do Máscara de Ferro. Domage.

Ainda dava para subir mais. Era lindo, lá em cima; tinha uns mirantes, e dava para ver toda a costa marselhesa (ou não!), a Bonne Mère, as ilhas Frioule… uma das torres ainda dava para subir mais: lá em cima era engraçado, era meio côncavo, como uma cúpula suave. E ventava… sim, como ventava…

Descemos. Fomos à lojinha, compramos alguns cartões postais, e também um lápis flexível pra Iara (lilás, Iara, o que acha?). Quando passamos, a próxima visita guiada havia começado. Meu pai preferiu ficar lá fora, eu segui a visita. Foi legal, deu pra aprender coisas que não tinham no guia ou eu não prestara atenção, como o fato de que havia os nomes de vários condenados políticos escritos em placas meio apagadas nas paredes, ou o sistema de segurança da prisão, ou mesmo que o castelo já havia sido um forte, depois transformado em prisão (o que não era raro na França, ver château de Billy), ou que os últimos presos foram os alemães durante a Primeira Guerra.

A visita continuava na cela de Edmond Dantès. Falou um pouco e acabou ali; o resto seria por nós mesmos. Como eu já havia visitado tudo, saí.

Aproveitei para ligar para os Piombini, mas isso eu conto amanhã.

Voltamos. O barco passava pelas ilhas Frioule, antes de voltar. Deve ser legal, mas eu não sei o que fazer lá; o barco é só o transporte, o resto é por conta própria… bem, voltamos ao Vieux Port. Fomos até uma loja que nós víramos antes, passando pela feirinha de artesanato (cara, como todo artesanato) e demos uma olhada. Galérie Lafayette. Andamos um pouco por dentro, vimos umas boininhas francesas – se a Iara prometer tirar uma foto com ela, eu compro uma e mando pelo pai! – e chegamos ao supermercado. Compramos ovos, leite em pó, geleia, coisas que estavam em falta. E acabamos esquecendo o chocolate em pó… comemos um sanduíche e voltamos para casa.

Chegando ao meu querido 230 – será que se pode dar nome a um studio? Acho que vou batizar o meu… – começamos uma faxina. Limpei o armário – cheio daqueles dejetos de mosca, ou o que quer que sejam aqueles pontinhos pretos. Sem contar em cima, que estava um grude! Depois, o chão, o colchão inflável… ficou ótimo. Organizei os papeis, também, ficou muito bom. Se colocasse a cortina no armariozinho, eu diria que estava pronto! Mas o pau de cortina que a gente comprou era muito grande, vai ser preciso cortar. E onde comprar uma serra de metais, daquela…? Mas até a cortina já foi comprada. E o banheiro… bem, esse é um caso à parte. Tem uns quadrados de piso soltos no chão, e quando se pisa, sai uma água branca não muito cheirosa, de debaixo do piso… vou ver com a direção de residência, se alguém resolve isso. Mas o resto, beleza.

Bem, chegamos ao jantar, que foi a primeira coisa que eu citei no primeiro comentário de Marseille. Com os palitinhos chineses do Xù! (Ainda aprendo a dizer o nome disso em chinês…). Ainda convidaram para uma festa, mas eu não quis ir – nem podia. Domingo era dia de acordar cedo. Iríamos de volta a Vichy.

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