Subterrâneos de Cusset

Quarta-feira fomos aos subterrâneos de Cusset. Cusset é uma cidade vizinha de Vichy, com 13 mil e poucos habitantes. Alguns estudantes do Cavilam, inclusive, moram lá.

Apesar de a cidade ser próxima, e ra meio longe da entrada da cidade, o lugar aonde íamos. Chegando lá, nos deparamos com uma cena de museu, com uma maquete de alguma construção e uma maquete da cidade, alguns cartazes, etc. A guia era bem engraçadinha! E sim – aquilo era um museu. Na verdade, era a antiga torre da prisão, e a maquete era de Cusset no século XV. Havia uma muralha ao redor da cidade, com quatro grandes portas e outras construções – entre elas a prisão. A maquete de construção era uma dessas portas. Mas deixa eu começar pela história.

Cusset não era governado por um político. Pelo século XIII, mais ou menos, o líder de Vichy era a madre abadessa da abadia que havia na cidade. Não havia uma organização militar, logo, se houvesse uma guerra, Cusset não tinha com o quê se defender. Assim, a madre recorreu ao rei Filipe, o Belo (Phillipe IV) e conseguiu dele a construção da muralha ao redor da cidade. Durante a Guerra dos Cem Anos, a cidade não foi diretamente atacada pelas tropas inglesas, mas foi saqueada por mercenários, que destruíram parcialmente a muralha. No século XV, a muralha foi reconstruída, a mando de Luís XI. A nova muralha era uma construção moderna, capaz de suportar tiros de canhão e tudo mais; até o fim do século XIX, ela teria sido capaz de resistir a qualquer guerra – se tivese passado por uma: naquela época, Cusset era uma cidade perto da fronteira, e o Auvergne se preparava para uma guerra contra a Bourgogne, foi o que eu entendi. Com a morte do duque de Bourgogne, o conflito cessou (essa foi a parte que eu não entendi muito bem).

A outra maquete era uma das portas, a porta de Doyat. Ela tinha forma de um “A” quadrado, ou de um 8 de calculadora sem o traço inferior. A parte das “perninhas do A” era a passagem para a entrada (cour anglaise), enquando o resto era o “quartel” (cour des soldats). Para passar pela passagem, era preciso que duas portas levadiças fossem abaixada, uma por fora, uma por dentr, porque a cours des anglais não tinha piso, logo, se as duas não estivesem abaixadas, alguém que tntasse passar cairia no fosso. Também era imposível entrar pelo fosso, pois havia guardas nas laterais, inclusive com canhões, para impedir essas entradas. Era impossível também entrar cavando um túnel – as chamadas “minas” – pois a porta contava com contraminas para combatê-las. Tudo isso se localizava no térreo. Ora, alguns séculos mais tarde, no XVII º, o fosso foi aterrado e maior parte da muralha destruída. Restaram intacta a torre da prisão (que hoje abriga o museu), porque era ainda utilizada, e alguns subterrâneos – que eram o térreo, mas foram encobertos com o aterramento do fosso.

Depois das explicações, fomos aos subterrâneos. Andamos um pouquinho pelas ruas de Cusset e descemos as escadas. No caminho, passamos pelo Hôtel Dieu, uma antiga constução termal que sofrera um incêndio, e hoje não resta mais que a entrada. Ao lado, uma igreja – e não tinha como não pensar num trocadilho estilo “Il y a un autel de Dieu à coté de l’Hôtel Dieu” (autel = altar, mesma pronúncia de “hôtel”).

Dentro dos subterrâneos, era escuro e úmido – Cusset é cheia de fontes irregulares, e uma delas havia brotado do nada embaixo do Hôtel Dieu. É tanto que uma parte dos subterrâneos é cheia de água que cai do teto. A constução é bem simétrica, e há meutriers (lugar para os arqueiros ficarem e atiraram por janelas estreita) nas paredes em direção ao centro e cannoneries (para os canhões) pra fora. É escuro, lá. Havia um lugar da contramina, onde ficava um guarda junto a uma bacia d’água; se a água começasse a tremer, era sinal de que estavam cavano uma mina, e ele corria para avisar os outros. Bem engenhoso! Havia também os buracos de ventilação no teto, saída de emergência e uma estratégia suicida: se nada desse certo e os inimigos entrassem na porta, havia um espaço onde provavelmente ficava um canhão, mas era orientado para dentro; acredita-se que numa emergência, os guardas atirariam uma bala de canhão na própria parede, de modoa implodir o prédio, e, com ele, os inimigos.

Depois dos subtrrâneos, o museu. De volta à torre de prisão. São três andares de muse  com itens dos mais diversos tipos  – pedras pre-históricas, armas e armaduras de cavaleiros, utensílios domésticos, pinturas, canhões, livros, estátuas e até as mãos de uma imagem da Virgem Maria do século X, se não me engano. Muito bonito!

Voltamos para Vichy antes de 18h30. Conseguiram convencer a motorista a parar na Gare (estação de trem); eu desci lá, também: meu ônibus também passava lá, e ainda que não passasse, era bem mais perto da minha parada. Consegui pegar o penúltimo ônibus. Quando chegou em casa, o Xù (meu chinês) perguntou se eu não tinha ido para a visita, já que eu tinha chegado antes dele.

Como de costume, voilá as fotos:

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Uma resposta

  1. Senti falta das legendas, para uma melhor visualização das fotos, mas como gosto de tudo que é antiguidade,adorei todo o relato. Um abraço.

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