Festival de Gannat

Tirando do atraso. Domingo, 24 de julho, houve uma visita ao Festival de Culturas do Mundo em Gannat. Rendez-vous na Place de la Victoire às 13h15. Quando eu chego lá, havia um grupo de brasileiros (discutindo um problema de lógica! – O Ministério da Saúde adverte: engenharia faz mal paraa saúde mental!). Iam para o Puy de Pariou. Nenhum brasileiro foi a Gannat, além de mim.

No ônibus (o de Gannat saiu antes), encontrei uma cazaque que eu conhecera na véspera. Fiquei conversando com ela durante a maior parte do caminho – e no festival também. Sim, sim, foi ótimo não ter ido nenhum brasileiro: deu pra conversar em francês até dar um nó na língua!Após a chegada, houve algumas demoras, mas nada de grave. Tivemos que mudar de assentos, na tenda, porque os nossos estavam reservados. Foi melhor: apesar de ser mais atrás, os novos lugares eram mais de frente para o palco, diferentemente dos outros, um tanto à esquerda. À minha esquera estava a cazaque, à direita um mexicano. Mais à direita, uma chinesa, que mora com a brasileira que chegou junto comigo (e que foi a única menina do Brasil durante uma semana!), etc. O Panorama começou, o homem falava muito rápido! E com um sotaque fortíssimo auverniense (alguém tem alguma ideia de como é o gentílico de “Auvergne”?)! O outro, menos mal; o primeiro estava trajado à moda típica do Auvergne (como se o apresentador de alguma coisa no Ceará se vestisse com roupas de couro…)

O primeiro país a se apresentar foi a França, com uma dança do Auvergne. Bem camponesa. Depois veio a Jamaica, com o Marron, dança dos escravos foragidos, e um dos homens dançava MUITO engraçado! Ri muito, todo mundo achou hilário! Depois, veio o povo Dayak, da Indonésia. Era engraçado, como uma tribo indígena oriental! Mas o mais estranho é que os homens eram mais coloridos e mais chamativos¹ que as mulheres. Depois, veio a fanfarra do Drácula – digo, a fanfarra transilvana. Os romenos devem adorar música rápida, porque essa era MUITO rápida – quando eles acabaram, eu estava sem fôlgo só de escutar! Depois, o México. Eram estados do norte, devem ser próximos à fronteira com os Estados Unidos, porque lembrava muito os cowboys, aquelas histórias de faroeste e coisas do gênero; as mulheres,porém, tinham um ar um pouco mais mexicano.

Primeira pausa. Fomos andar pela feira. Muitas coisas legais, muitas delas até carinhas, como todo artesanato que se preze… vários estandes de países orientais, alguns americanos, alguns asiáticos… nada do Brasil… nem estade de comidas brasileiras… mas a cazaque aprendeu o que é Orangina (é bom! É como um suco de laranja que tem até fiapinhos! Deve ser para efeitos psicológicos…), e eu, que paille é canudinho!

Segunda parte. Povos das ilhas de Java e Bali, de novo da Indonésia. Era muito engraçado ver o velho cabeludo tocando os intrumentos como se fosse um show de rock! Pior foi que eu perdi a dancinha dele, numa hora lá – muito comédia! Em seguida, a China. Foibom, mas confesso que eu esperava mais. Tambores chineses e pratos. Em seguida, a Inglaterra, com um conjunto bem harmonioso. A sanfona era bem pequena, mignone! Soava bonito. Logo após, outra vez a França, desta vez com uma apresentação dos Pirineus, cadeia de montanhas ao sudeste a França. Bem camponesa, também, principalmente porque começava com homens com garfos e feno e foices estranhas.

Segunda pausa. Começava a ficar chato, porque restavam poucas coisas a ver. Mas ainda não tinha visto o estande da Rússia, por exemplo. Vários estandes eram “mistos” = pseudo-chineses (um era cheio de coisas chinesas, mas tinha aqueles gatos com a pata se mexendo, dos japoneses…).

Terceira parte, e eu já impaciente que não aparecia nada do Brasil – até o México tinha feito uma apresentação, por que não o Brasil? Um mexicano me dissera que havia visto brasileiros gaúchos, mas eu… eu tinha minhas dúvidas, apesar de tudo. A primeira apresentação dessa parte foi a dos sérvios – se eu já não soubesse, diria ue eram russos, aquelas músicas estilo russo, aquelas danãs levantando as pernas… acho que é um estilo leste europeu, meio eslavo… em seguida, a Escandinávia. A intenção era mostrar um misto de canto típico com uma brincadeira de criança, de caçar as renas. O canto era engraçado, acho que não queria dizer nada! No final foi engraçado, a moça se esgoelando no microfone, mas só consegui filmar o finalzinho…eles são os “lapões”, mas preferem ser chamados de Samis, da Finlândia e Noruega. Em seguida, uma apresentação do Quênia, bem o estereotipo das danças africanas, inclusive sons que lembravam axé e coisas do gênero.

E quando ele falou que era a última apresentação da noite, eu tremi. Queria muito uma apresentação do Brasil! Ele começou a falar da América do Sul, falou da região do Paraguai, Uriguai, Argentina… gelei. A última coisa que me poderia acontecer era que a apresentação fosse argentina. Se não seria do Brasil, que fosse de qualquer outro país do mundo, mas não da Argentina! E quando ele falou “Rio Grande do Sul”, eu vibrei! Era como se tivesse chamado meu nome. Não entendo nada da cultura tradicional gaúcha, mas se é Brasil, eu me alegro! Tenho para mim que foi a melhor apresentação do dia, mas acho que a minha opinião não é suficientemente imparcial – a Haiqing (a chinesa que mora com a brasileira), também achou. E os vestidos eram de um vermelho tão vivo! Muito lindo! direito a uma terceira música (os gaúchos tinham saído entraram de novo…). E no final, ainda disseram “Muito obrigado, muito obrigado, muito obrigado”, depois “Merci, merci, merci beaucoup”, com o mesmo gesto: um floreio com a mão direita, um com a esquerda, um com as duas, todos os três se reclinando (não sei se ecrevi direito, dá pra entender?).

No fim, a Banu (a cazaque) ainda detectou uma cena de cultura cazaque, num telão que tinha lá fora – era uma das apresentações do ano passado. As mulheres tradicionais do Cazaquistão têm o cabelo MUITO longo! Tipo, um médio bate na coxa! Hoje em dia nem tanto, mas  Banu quer deixar o dela crescer até lá!  Logo em seguida, passou um Bumba-meu-boi! ^.^

Sério, não tem como descrever a sensação de estar cercado de estrangeiros e ver uma apresentação do seu país, entender o que eles dizem e ainda ver que foi um dos que mais se destacaram! Mastercard não compra isso.

Fiz um vídeo bem resumido das apresentações, espero que gostem (os primeiro ficaram porque eu não filmei muito).

¹ Nenhuma referância a nenhuma banda coloridinha brasileira, s’il vous plaît!

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2 Respostas

  1. Mas uma vez, tudo muito bonito, fico pensando como as pessoas que estão aí fazendo o curso podem perder uma oportunidade dessas, ver a cultura de vários povos no mesmo local. Realmente muito bom. Continue aproveitando da melhor maneira possível e se divertindo, conhecendo a França.
    Um abraço

  2. Realmente que lindo espetáculo. Sou gaúcha de Porto Alegre e ver um grupo apresentando nossas danças folclóricas é demias. Obrigada pela divulgação.
    MArilene Folli

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