Domaine de Randan

OK, quinta-feira eu esperava mais da degustação. E a última coisa que eu comi ainda me deixou um gosto ruim na boca, era uma carne seca, impossível de se cortar, imagine de se mastigar! Mais c’était pas grave. No mais, havia alguns pães, queijos, pão surpresa (até hoje não sei o que era o recheio…), saladas, uma espécie de empada de cenoura, um tipo de tortinha de batata, e suco de poli-fruit. Tinha três tipos de vinho, mas eu não quis beber…

Sexta foi a soirée dansante. Eu fui… na entrada, o pacote (forfait – essa palavra me persegue) do Cavilam, a gente tem direito a uma bebida de graça. Todo mundo pedindo álcool por cima de álcool… moi eu perguntei à moça se podia ser qualquer bebida. “Oui”. “Chocolat viennois!” Ela me olhou com uma cara tão estranha, quando ouviu isso, mas… OK. E tava bom… para quem nunca tomou: é uma espécie de chocolate quente com uma cobertura de chantilly – uma delícia quando faz frio! E fazia frio… nunca imaginei que o verão europeu era assim (uma espanhola me disse que onde ela mora, é direto 40°C. Era assim que eu imaginava encontrar a França…). A música lá na pista não estava muito boa… muita música eletrônica sem graça. Fora, a música era mais agradável. Fui pra lá. Apesar do frio. Encontrei uma japonesa (aquela que adora música brasileira), a Sayumi. Conversei com ela, depois chegou uma das suíças, elas me apresentaram um curdo (curdo-iraquiano), o Ali. Foi muito legal, o Ali, a Sayumi e eu conversamos um bocado – foi engraçado ela cantando em português, ela pronuncia até bem as palavras! Aprendi que em curdo, meu nome é Lucas é “nawem Lucasa” (se fala “naâm Lucassa”). Fui emb”ora 1h30 (hora em que terminou).

Acordei 12h30 no sábado! Parte boa: economizei o almoço, que eu acordei e Mme. Piombini foi esquentar o leite. “Ainda vou tomar o café  da manhã?” Sim.  À tarde, rendez-vous no Cavilam; jogamos baralho por bastante tempo – sueca, se bem me lembro, depois quiseram jogar buraco – compramos outro baralho e fomos a uma pizzaria. Infelizmente, o tempo não me permitia mais, porque faltavam quinze minuto para a Missa – até hoje, não aprendi a jogar buraco.

Mais tarde, por volta das 20h, depois do jantar, M. Piombini me convidou para ir conhecer a casa do filho dele, o Jerôme. Eles (ele, a esposa e os filhos) estão viajando, então é o pai dele (M. Pombini) que fica cuidando da cachorra e das galinhas. É numa vilazinha no campo, c’est sympa! E eu comi framboesas – tirando do pé e comendo!!! ^.^

Hoje, Missa das 11h15, depois almoçar com o pessoal do Brasil no Flunch (dessa ves, pedi galette sarrasin completo! Queijo, ovo e presunto!); conheci mais gente do Brasil, principalmente da UFRGS (eles pronunciam ‘urgs’, com ‘r’ inglês). Depois, Randan.

O domínio de Randan era uma grande propriedade; o castelo datava do século XII-XIII originalmete, mas foi reformado já várias vezes desde lá; pela metade do século XIX, a princesa Adelaïde d’Orléans, irmã do rei Louis-Philippe, o comprou. A reforma mais ampla do castelo ocorreu a mando dela, pelo mesmo arquiteto do Louvre e Tuileries (pelo menos, das reformas, acho). O castelo foi duplicado, tornando-se maior e simétrico. Maior parte do terreno era abeta ao público, para que pudessem passar de uma cidade a outra e admirar o castelo e seus jardins, exceto os jardins de trás do castelo, que eram particulares.

A princesa era fidelíssima a seu irmão, o rei. Tão fiel que não se casou: não deixou filho. Quando de sua morte, deixou a propriedade como legado a seu sobrinho, Louis-Philippe, conde de Paris. Sob comando dele, foi criada a nova cozinha, pois a antiga ficava abaixo dos quartos, o que enchia o lugar com os cheiros da cozinha – o que nem sempre é agradável. E que cozinha criaram – um grande corredor, com piso mais ou menos um metro abaixo do solo, com inúmeras portas de um lado, cada uma era uma ala da cozinha. Vimos duas dessas restauradas, a parte dos pães e a das carnes (boulangerie/pâtisserie e rôtisserie). Os engenhos ingleses eram incríveis: os fogões eram todos uma peça só no centro, e não tinha chaminé: a fumaça seguia um caminho subterrâneo! Também a “churasqueira” era um engenho fabuloso: o fogo gerava fumaça, que subia por uma espécie de chaminé; dentro desta, acionava uma “turbina” (calor gerando trabalho… – quero distância de termo!), que fazia rodar um eixo que se conectava a grelha, e a fazia girar. Pesos e contrapesos eram usados para controlar a velocidade a que a grelha rodava. E as janelas: uma mainvela interna poupava o trabalho de ter que sair e fachar os toldos, quando a insloação era muita.

Não havia telhado na cozinha; era plano como uma laje: na verdade, era uma passagem direta do primeiro andar do castelo até o primeiro andar da capela, reservado aos nobres. A capela era bonita, mas nem tanto. A parte de baixo, reservada aos servos, tinha as paredes em papel imitando mármore. ¬¬ Os genuflexórios eram da altura das cadeiras! Havia três estátuas, estilo câmara mortuária, mas sem mortos dentro. Também duas máscaras funerárias – alguns brasileiros disseram que parecia nosso animateur…

Fora, havia as estufas – as laranjeiras eram as árvores mais importantes para Adelaïde, e para a nobreza da época também, se bem me lembro. Elas ficavam na estufa maior, fria. Havia as estufas quentes, logo abaixo, que tinham três fontes de aquecimento – rezam as lendas que eles conseguiam cultivar morangos deliciosos mesmo no inverno!

Mas voltando aos nossos carneiros (retournons à nos moutons – voltando ao assunto…),com a morte de Louis-Philippe, a posse do castelo foi para a sua esposa, Isabelle, condessa de Paris. Ela fez chegar a modernidade ao castelo, com eletricidade (1909) e água encanada (1912), sendo que isso só chegaria a Randan (a vila) em 1935. Ela era estranha – tem foto dela com homens que a gente só sabe que são homens por causa do vestido – ela tem o rosto quadrado, usa chapéu alto, roupa preta… um verdadeiro gentleman!

Quando ela morreu, a propriedade passou para Ferdinand, seu sobrinho, duque de Montpensier, que adorava caçar. Ele só viveu três anos no castelo, mas encheu com seus troféus de caça.

Na verdade, essa foi a melhor parte! Mas não deu pra tirar fotos, c’est dômage… era proibido… é um museu de caça. Vários animais – 450, para ser mais exato – empalhados, muito bom.Mas o melhor não era isso: é que os animais eram empalhads da forma mais realista possível! Havia réplicas de árvores, palha, tudo para compor o ambiente; depois a posição e a expressão dos animais, muito bem trabalhadas! Havia dois linces brigando, e dava para ver o olhar de fúria, além das garras de um arranhando a pele de outro e começando a sair sangue; um leopardo atacando um veado e o filhote correndo com medo; um gato selvagem devorando um passarinho… sério, muito realistas!!! Pior que teve gente que preferiu ficar lá fora, sem fazer nada até dar a hora de ir embora… (depois da visita aos castelo & arredores, a visita ao museu de caça era opcional).

Pois era isso. Pena que não deu pra tirar fotos do museu, depois eu vejo se tem na internet. No mais, as fotos estão aí.

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*Prometo que amanhã eu legendo

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